CENA 01 / EXTERIOR /
MORRO D’ÁGUA / SALÃO SAUDITA / MANHÃ
CALIXTO – Anda vadia, passa
todo o dinheiro do caixa.
Selma está nervosíssima e
tremendo bastante. Ela entra no salão com uma arma posta por um dos bandidos na
cabeça e em seguida volta, com algumas notas de R$20, R$10 e R$5. Como não são
muitas, Calixto dá um tapa na cara de Selma que começa a suar, amedrontada.
CALIXTO – (gritando) Tenho
cara de otário, dona? Só isso?! Eu sei que tu tem mais aí dentro desse
salãozinho aí!
SANDREIA – Ela não tem mais
nada, senhor!
Calixto aperta o gatilho e
aponta a arma para a testa de Sandreia.
CALIXTO – Cala a boca,
piranha.
Estêvão chega por trás e
bate na cabeça de Calixto com um cano d’água. Terezinha fica nervosa e grita.
Os outros comparsas de Calixto dão um soco na cara de Estêvão, que em seguida
toma um chute de um deles. Ao ver que ele está fora de combate, Calixto atira
pro alto.
CALIXTO – Já que a
cabeleireira não quer abrir a mão, eu levo a tua empregadinha comigo.
Os bandidos sequestram
Terezinha e se jogam dentro de um carro.
CORTA PARA:
CENA 02 / INTERIOR /
ÔNIBUS / CABINE DO MOTORISTA / MANHÃ.
Gilberto está dirigindo
quando sente uma pontada muito forte na cabeça, o obrigando a massagear as
têmporas com uma das mãos. É quando um caminhão passa do lado oposto da pista e
quase bate com o ônibus em que ele está. Os passageiros reclamam e Gilberto
retoma o controle do ônibus.
EVANIR – Tá tudo bem aí,
Gilberto?
GILBERTO – Tá, sim...
Ele para no ponto para
alguns passageiros subirem e segue viagem.
CORTA PARA:
CENA 03 / EXTERIOR /
MORRO D’ÁGUA / SALÃO SAUDITA / MANHÃ.
Laura Dagmar e Sandreia
ajudam Selma a se levantar do chão. Ela, que está muito abalada, ajuda o marido
a se levantar e dá um beijo nele.
SELMA – (preocupadíssima)
Meu amor... Você não tinha ido trabalhar na obra?
ESTÊVÃO – Tinha... Mas
quando eu desci, vi esses caras te batendo e resolvi me atrasar um pouquinho...
Apanhei por uma boa causa...
L. DAGMAR – Não diria isso:
Terezinha foi sequestrada.
SANDREIA – Já liguei pra
polícia. Bem, acho que vou pra casa e/
SELMA – /Pra casa o cacete!
As clientes não foram assaltadas nem sequestradas, portanto, hoje vai ter
serviço SIM!
ESTÊVÃO – Mas meu amor.../
SELMA – /Sem “mas”. A
polícia já foi acionada. Agora, vamos trabalhar. Inclusive você, Estêvão. Ninguém
mandou dar uma de valentão pra cima dos bandidos.
O resto das pessoas tentam
argumentar, sem sucesso.
CORTA PARA:
CENA 04 / EXTERIOR /
FACULDADE MEIRA & SOUZA / MANHÃ
Lurdinha está saindo da
faculdade com suas amigas quando um mendigo a aborda no meio da rua.
MENDIGO – Ô, dona... Me vê
um real aí pra mim comprar um pãozinho ali na esquina.
LURDINHA – Sai daqui,
pobretão.
Lurdinha empurra o mendigo
com os pés e segue caminho. Suas amigas ficam atônitas e uma dá umas moedas ao
mendigo, que fica agradecido. Mas ele levanta, se vira para a patricinha e
aponta o dedo.
MENDIGO – Tu ainda vai
pagar a tua língua, patricota!
Lurdinha ignora e segue
caminho.
AMIGA 1 – Credo, Lurdinha!
Pra que ser tão má assim com o pobre do cara?
AMIGA 2 – Pois é! Ele só
tava pedindo dinheiro pra comer!
LURDNHA – Não gosto de
pobre, nunca gostei de pobre e nunca gostarei de pobre! Além do mais, não posso
me estressar hoje porque tenho que chegar bonita ao aeroporto.
AMIGA 1 – Fazer o quê?
LURDINHA – Meu pai! Chega
hoje de viagem!
CORTA PARA:
CENA 05 / INTERIOR /
MANSÃO DA FAMÍLIA BRASIL / MESA DO CAFÉ / MANHÃ
Laura está tomando seu café
da manhã completamente solitária. Delma chega com o telefone na mão.
DELMA – Dona Laura, o
Doutor Antônio está chegando hoje de viagem.
LAURA – Eu sei disso,
Delma.
DELMA – Mas a senhora
parece tão deprimida...
LAURA – Impressão sua...
Delma volta para a cozinha
e Laura vê a foto de casamento em que está em cima da prateleira. Em seguida,
seus olhos se enchem de lágrimas.
LAURA – Tomara que o avião
em que esse traste está caia.
CORTA PARA:
CENA 06 / INTERIOR /
AVIÃO / MANHÃ
Antônio e Beto, seu
assistente, estão jogando buraco no avião.
ANTÔNIO – Bati!
BETO – Merda!
ANTÔNIO – Isso é pra você
aprender que ninguém meche com Antônio Brasil!
BETO – Da próxima vez eu
ponho umas cartas dentro da manga.
ANTÔNIO – Assim?
Antônio levanta a manga e
de lá caem algumas cartas. Reação de Beto, atônito.
BETO – Mas você.../
ANTÔNIO – Um bom vencedor é
aquele que sabe jogar, Beto. Aprenda isso.
BETO – Bem... Mudando de
assunto, quando vai ser a festa de abertura da nova filial da ‘Brasil
Cosméticos’.
ANTÔNIO – Amanhã.
BETO – A Laura vai?
Antônio hesita.
ANTÔNIO – Meu casamento com
Laura está bem... desgastado, digamos assim.
BETO – Mas ela vai?
ANTÔNIO – Quem sabe?
Antônio olha para a
paisagem do lado de fora do avião particular.
CORTA PARA:
CENA 07 / EXTERIOR /
ALTO DA BOA VISTA / TARDE
O carro em que Terezinha está
para. Não há ninguém que possa comprometê-los ali. Terezinha e Calixto descem,
enquanto os outros bandidos ficam dentro do carro.
TEREZINHA – (nervosa) Ta
maluco, Calixto? Dar um tapa na cara da Selma e fazer teus capangas caírem no
tapa com o Estevão?! Era pra pegar o dinheiro, não montar um UFC no meio do
morro!
CALIXTO – Mas ela não
queria colaborar, e aquele marido dela foi com tudo pra cima de mim!
Terezinha passa a mão no
rosto bastante preocupada.
TEREZINHA – Me dá um soco.
CALIXTO – (surpreso) Quê?!
TEREZINHA – É, Calixto.
Você não quer que me achem linda e maravilhosa como sou depois de um seqüestro
relâmpago.
CALIXTO – Mas,
Terezinha.../
TEREZINHA - /Bora Calixto!
Calixto hesita, mas dá um
soco na cara de Terezinha. O rosto da moça fica cheio de sangue e ela cai no
chão.
TEREZINHA – Não foi tão
forte assim. Me dá uns chutes agora.
CALIXTO – Para de ser
masoquista, Tereza!
TEREZINHA – Deixa de
veadice, querido. Anda logo!
Calixto dá uns dois ou três
chutes na barriga da amante.
TEREZINHA – Assim está bom.
Agora dá um jeito de jogar esse carro ribanceira abaixo.
Calixto e os capangas ficam
sem reação.
CORTA PARA:
CENA 08 / INTERIOR /
ÔNIBUS / TARDE
Estevão está com a
raspadinha ‘Ouro Fácil’ nas mãos. Cheio de expectativa, ele raspa e vê que não
ganhou nada. Frustrado, ele joga o papel no lixo e segue para o trabalho.
CORTA PARA:
CENA 09 / EXTERIOR /
OBRA / TARDE
Valmir está esperando
impaciente por Estevão na porta da obra. É quando ele vê o empregado chegando.
VALMIR – Ta atrasado uma
hora e meia, vagabundo.
ESTEVÃO – Tive uns
problemas aí, Seu Valmir.
VALMIR – E o que a obra tem
a ver com isso? Vou descontar R$300,00 do teu salário. E se reclamar de alguma
coisa, te demito por justa causa!
Valmir cospe no chão.
Estevão se controla para não voar em cima do patrão e vai trabalhar.
CENA 10 / EXTERIOR / ALTO DA BOA VISTA / TARDE
Terezinha está machucada,
mas em pé. Calixto
e os outros capangas estão prontos para empurrar o carro, cheio de óleo,
ribanceira abaixo.
TEREZINHA – Prontos.
Eles assentem com a cabeça.
TEREZINHA – Empurrem
queridos!
Calixto acende um fósforo e
joga no carro. Eles o empurram ribanceira abaixo. O carro capota várias vezes e
explode.
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FIM DO CAPÍTULO 2
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