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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Último Capítulo de Pulo do Gato


CENA 01 / INTERIOR / GALPÃO / NOITE

Gilberto em choque. Terezinha está COBERTA de sangue e está parada com a serra elétrica ligada nas mãos. Aos poucos é revelada a arma de Calixto, que está entre sua mão direita fechada. À medida que a CAM vai subindo, é visto que a cabeça de Calixto está fora de seu corpo e que, por isso, Terezinha e Gilberto estão tão petrificados. Gilberto chama por Terezinha, mas ela está parada, em estado de choque. Depois de muito ser chamada, Terezinha começa a rir e a dançar. Gilberto olha perplexo para a irmã. Terezinha pega a cabeça de Calixto pelos cabelos e beija a sua boca. Gilberto vomita e Terezinha olha para o irmão. Em seguida, se ajoelha para falar com ele.

TEREZINHA – (atenciosa) Gilberto, meu irmão querido... Você fez tanta coisa por mim... Me ajudou tanto quando nós éramos pequenos... Você lembra aquela vez que eu quis uma boneca linda, mas muito cara e você deu um jeito de roubá-la pra mim?
GILBERTO – (enojado) Roubar é diferente de matar.
TEREZINHA – Mas é assim que começa. Crime por crime. Sangue por sangue.
GILBERTO – E eu disso! E eu me sinto culpado... A culpa é toda minha, Terezinha, toda minha!

Gilberto começa a chorar e Terezinha o abraça, cheia de lágrimas nos olhos também.

TEREZINHA – Não é assim, meu irmão, também não é assim! Eu sempre te amei e tu tentou me criar da melhor maneira possível! Trabalhando, me ensinando o que era o certo e o que era o errado... A culpa de tudo isso não é sua, é minha. Completamente MINHA! (PAUSA) Você me perdoa?
GILBERTO – Quem sou eu pra te perdoar, Tereza?
TEREZINHA – A única pessoa que eu amei de verdade dessa vida.

Gilberto olha dentro dos olhos de Terezinha.

GILBERTO – Perdoo. Perdoo sim. E vou perdoar quantas vezes eu precisar, minha irmã. Agora se entrega pra polícia, é o único jeito de você amenizar teus erros, mulher.
TEREZINHA – (chorando) Tá bom. Se você tá pedindo, eu faço.

Terezinha pega a cabeça de Calixto às lágrimas e segue para a porta do galpão, mas antes se vira a Gilberto.

TEREZINHA – Só mais uma coisa... Seu pinto não é pequeno.

Gilberto sorri.

GILBERTO – Eu sei disso.

Terezinha manda um beijo para o irmão e sai do galpão. Gilberto começa a chorar.

CORTA PARA:

CENA 02 / EXTERIOR / GALPÃO / NOITE

A polícia está pronta para entrar. É quando Terezinha sai completamente desfigurada, com a cabeça de Gilberto numa mão e a serra elétrica na outra.
SELMA – Mas o que é aquilo na mão dela?
ESTÊVÃO – Aquilo... Aquilo é uma...
DELEGADO – Uma cabeça!

Terezinha joga a serra e a cabeça no chão, se ajoelha e levanta as mãos como sinal de rendimento. Alguns polícias vêm e a algemam. Terezinha é levada arrastada de volta para o carro. Alguns policiais entram no galpão e retiram Gilberto dali numa maca, o enfiando numa ambulância em seguida.

SELMA – Meu Deus... Essa mulher é completamente louca...

Ao ser levada, Terezinha e Estêvão trocam olhares de tristeza e pena, respectivamente.

CORTA PARA:

CENA 03 / MORRO D’ÁGUA / INTERIOR / CASA VICTOR HUGO / MADRUGADA

Victor Hugo e Laura Dagmar entram quebrando tudo. É quando ele arranca a roupa de ambos e começam a transar.

CORTA PARA:

CENA 04 / INTERIOR / CONSTRUTORA / ESCRITÓRIO / MADRUGADA

Antônio e Laura se encarando.

ANTÔNIO – (perplexo) Como... Como...?!
LAURA – Eu simplesmente pulei do carro antes que ele capotasse, meu querido!
ANTÔNIO – Eu vou ligar pra polícia, isso sim!

Antônio pega o celular e Laura lhe dá uma facada na mão.

LAURA – Nem pense!

O celular de Antônio toca. É Lurdinha ligando.

LAURA – Atende e diz que você vai ter que arrumar uns papeis aqui no escritório, anda! Bora! E põe essa merda no viva voz!
ANTÔNIO – (atendendo, ao cel) Oi, Lurdinha.

CORTA PARA:

CENA 05 / EXTERIOR / DELEGACIA / MADRUGADA

Lurdinha com Tom ao lado.

LURDINHA – (ao cel) Oi, papai. Acabei de prestar depoimento aqui na delegacia. O Tom veio me buscar e estamos indo pro hotel. Quer que a gente durma no apartamento?

CORTA PARA:

CENA 06 / INTERIOR / CONSTRUTORA / ESCRITÓRIO / MADRUGADA

ANTÔNIO – (disfarçando) Não precisa não, Lurdinha. Eu vou ter que arrumar uns papeis aqui na empresa e devo chegar mais tarde. Tudo bem?

CORTA PARA:

CENA 07 / EXTERIOR / DELEGACIA / MADRUGADA

LURDINHA – Tudo bem. Mas amanhã eles com certeza vão querer te ouvir.
ANTÔNIO – (off) Não tem problema, filha, não tem problema. Boa noite pra você e obrigada por tudo.
LURDINHA – De nada.

Lurdinha desliga o celular.

TOM – (abraçando Lurdinha) Não fica triste não, Lurdinha.
LURDINHA – Minha família acabou, Tom, acabou. Minha mãe tá morte, minha irmã foi sequestrada... A sorte é que eu ainda tenho o meu pai.
TOM – Vamos esquecer isso, meu amor. Eu tenho novidades pra te contar.
LURDINHA – (desanimada) E qual é a boa da vez?
TOM – A Maria Gilderoy apareceu lá no hotel e disse que vai embora pra Las Vegas virar dona de um cassino.
LURDINHA – Mentira?! Que loucura.
TOM – E ainda passou a Show Delícia pra mim.
LURDINHA – Pelo menos você não vai ser pobre. Ainda mais com esse ensaio pelado aí...
TOM – Não reclama. São cinquenta milhões, querida.

Lurdinha sorri e Tom beija sua testa. Os dois seguem para o hotel.

CORTA PARA:

CENA 08 / INTERIOR / CONSTRUTORA / ESCRITÓRIO / MADRUGADA

Laura pega o telefone de Antônio e joga num vaso com água. Em seguida, lhe dá uma facada na cara, que o faz cair no chão.

ANTÔNIO – Como você conseguiu fazer tudo isso?
LAURA – Aprendi com você... Afinal, foram tantos anos de humilhação, apanhando, sendo xingada dos piores nomes possíveis...
ANTÔNIO – Mas você me fez de escravo junto com o Beto, me humilhou, me enganou também!
LAURA – E foi muito bem feito!

Laura se vira e começa a quebrar todo o escritório. Aproveitando a deixa, Antônio pega uma arma e aponta para Laura. Laura se vira e fica surpresa.

ANTÔNIO – Acabou.

Laura começa a rir desvairadamente.

LAURA – Com certeza.

Laura joga a faca no chão e pega uma arma da cintura. Os dois atiram um na cabeça do outro e morrem.

CORTA PARA:

CENA 09 / VISTA AÉREA

Amanhece no Rio de Janeiro

CORTA PARA:

CENA 10 / INTERIOR / ESTÚDIO DE FOTOGRAFIA / TARDE

Tom está nu e conversando com Lurdinha quando Laura Dagmar aparece junto com Victor Hugo.

LURDINHA – Vocês dois?
L. DAGMAR – Ué? Só porque ele não é stripper? (P/TOM) E já tirou a roupa? Vai ter que esperar eu colocar lantejoulas na periquita, meu querido.
TOM – Eu espero, Laura Dagmar...

Laura Dagmar vai com Victor Hugo para o camarim e Lurdinha se vira para Tom.

LURDINHA – Acordei com um péssimo pressentimento.
TOM – (preocupado) Será que é alguma coisa sobre o ensaio?
LURDINHA – Não, não... Acho que é com o meu pai... Vou ligar pra ele e.../corta
TOM – /(segurando nos ombros de Lurdinha) Lurdinha, seu pai sabe se virar muito bem. Dá um tempo pra ele assimilar as informações que ele teve durante esse tempo todo, ok?
LURDINHA – É... Você tá certo.

Tom sorri e beija Lurdinha.

CORTA PARA:

CENA 11 / INTERIOR / ESTÚDIO / TARDE

Tom e Laura Dagmar fazem o ensaio sob às vistas de Lurdinha e Victor Hugo.

CORTA PARA:

CENA 12 / INTERIOR / ESTÚDIO / TARDE

Laura Dagmar e Tom já vestidos.

TOM – Foi muito bom trabalhar com você, Laura Dagmar.
L. DAGMAR – Digo o mesmo.
LURDINHA – Tá, adeus.

Lurdinha puxa Tom e vai embora. Victor Hugo e Laura se olham.

V. HUGO – Você trabalha muito bem, sabia?
L. DAGMAR – Digamos que posar nua é apenas pros fortes.
V. HUGO – Sou muito forte também...
L. DAGMAR – Sabe, nós poderíamos unir nossas forças e virar uma dupla. Você vira meu empresário, e eu, a sua cliente.
V. HUGO – (beija a mão de Laura Dagmar) Ótima ideia.

O dois vão embora de mãos dadas.

CORTA PARA:

CENA 13 / INTERIOR / CONSTRUTORA / ESCRITÓRIO / TARDE

Estêvão entra no escritório e vê Antônio e Laura mortos. Ele toma um susto e liga para a polícia.

CORTA PARA:

CENA 14 / EXTERIOR / CONSTRUTORA / TARDE

Lurdinha está inconsolável junto a Tom e Estêvão.

LURDINHA – Eu perdi toda a minha família, meu Deus... TODA a minha família!
TOM – (se ajoelha) Eu acho que nós dois poderíamos reconstruir a sua família e formar uma nova.
LURDINHA – Como assim?
TOM – (sorri) Vem comigo. Estevão, com licença, um minuto.

Tom pega Lurdinha pelo pulso e a leva dali. Estêvão vai falar com um policial.

CORTA PARA:

CENA 15 / EXTERIOR / PRAIA / TARDE

Tom corre com Lurdinha no colo e, depois de alguns passos, param à beira do mar.

LURDINHA – O que você vai fazer?
TOM – Vamo casar.
LURDINHA – Mas como? Com que padre? E como você tem coragem de casar agora, Tom? Meus pais morreram e.../

/Tom beija Lurdinha.

TOM – Casamento com amor verdadeiro não precisa de um padreco pra abençoar. Deus abençoa lá de cima.
LURDINHA – E onde está Deus?
TOM – (rindo) Em todos os lugares, mulher. Um dele é aqui, na nossa frente, o mar. (pausa) Vamo nos unir com a natureza de testemunha, Lurdinha.

Lurdinha sorri e Tom corre com ela no colo para o mar. Os dois se levantam dali se beijando. Os banhistas observam tudo e aplaudem. Lurdinha e Tom ficam felizes pra sempre.

CORTA PARA:

CENA 17 / INTERIOR / CLÍNICA AMERICANA / CTI / NOITE

Gilberto está respirando com a ajuda de aparelhos quando Estêvão entra no quarto. Gilberto o corta com o olhar, mas Estêvão ignora.

ESTÊVÃO – (hesitando) Gilberto, eu andei pensando e... Bem, o mínimo que posso fazer por você... É pagar o seu tratamento. Você aceita?

Gilberto sorri e uma lágrima cai do seu olho.

GILBERTO – Já sofri demais pra dizer não pra vida.

Estêvão sorri e aperta a mão de Estêvão.

CORTA PARA:

CENA 18 / INTERIOR / MANSÃO ITACURUÇÁ / SALA / MADRUGADA

Estêvão chega à mansão e encontra um bilhete de Selma em cima da mesa. Ao pegá-lo, ele cai no sofá.

SELMA – (off) Estêvão, caí no mundo. Preciso de um tempo sozinha para poder colocar melhor as ideias no lugar. Dentro de um tempo eu mando notícias.

CORTA PARA:

DOIS MESES DEPOIS

CENA 19 / INTERIOR / CADEIA / SALA DE VISITAS / TARDE

Estêvão está sentado quando Terezinha entra, COMPLETAMENTE MACHUCADA, e se senta de frente para o ex-marido.

ESTÊVÃO – Tá apanhando da cadeia, é?
TEREZINHA – Pode se dizer que sim.

Estêvão ri.

TEREZINHA – O que você quer aqui?
ESTÊVÃO – Arruma teus trapos que eu arrumei um jeito de tirar todas as queixas contra você.

Terezinha se levanta.

TEREZINHA – (surpresa) Quê?!
ESTÊVÃO – (indo embora) Não pergunta, só faz. (se vira) Apesar de tudo, eu não acredito que você seja tão má assim.

Estêvão vai embora e deixa Terezinha com lágrimas nos olhos.

CORTA PARA:

CENA 20 / EXTERIOR / CADEIA / PORTÃO / TARDE

Terezinha sai com a roupa de presidiária da cadeia. A luz do sol afeta seu olhos, e ela esconde o rosto. As carcereiras enxotam Terezinha dali e ela fica olhando para a rua. Sem saber o que fazer, ela anda por ali.

CORTA PARA:

CENA 21 / EXTERIOR / RUA / MADRUGADA

Terezinha se prostituindo junto com outras mulheres e travestis. Ela entra no carro com alguns homens.

CORTA PARA:

CENA 22 / EXTERIOR / MATAGAGAL / MADRUGADA

Terezinha está se agarrando com outros caras.

TEREZINHA – São vinte reais.
HOMEM 1 – Num vamo pagar não.
TEREZINHA – (indignada) Como é que é? Me dá meu dinheiro, seu preto maldito!
HOMEM 2 – Do que tu chamou ele?
TEREZINHA – De PRETO MALDITO!
HOMEM 3 – Vai aprender a respeitar a gente!

Os homens dão socos em Terezinha, que cai no chão e é estuprada.

CORTA PARA:

CENA 23 / INTERIOR / CONSTRUTORA / MANHÃ

Estêvão está trabalhando quando olha para uma foto dele com Selma. Ele fica triste e abaixa o porta retrato. Em seguida, ele vê outras fotos dele de quando ele era feliz, porém abaixa todas e começa a chorar.

ESTÊVÃO – Como eu sou infeliz! Eu era rico e não sabia!

Selma entra.

SELMA – Também acho.
ESTÊVÃO – (se virando) Selma?
SELMA – Vim apenas para dizer que eu estou com um homem novo, e bem melhor que você.
ESTÊVÃO – E daí?

Selma se aproxima.

SELMA – E daí que eu vim aqui para ver como você está. Pelo visto, bem na merda. (ela começa a rir) Ah, Estêvão... Você foi tão feliz... Mas o dinheiro subiu à sua cabeça e tu quis trocar o certo pelo duvidoso!
ESTÊVÃO – Se você veio aqui me aporrinhar, pode ir embora.
SELMA – Já estou indo, Estêvão... Sorte com o seu novo amor: o dinheiro. Espero que ele saiba transar muito bem!

Selma vai embora e Estêvão quebra o escritório inteiro. Em seguida, ele chora mais ainda, e pega uma foto de Terezinha, que estava em sua carteira.

ESTÊVÃO – Eu te amei tanto... Por que você me traiu?! Por que, Terezinha, por quê?!

Estêvão termina sozinho.

CORTA PARA:

CENA 24 / EXTERIOR / RUA / TARDE

Terezinha está sentada na calçada. Várias pessoas estão passando e a ignorando.

TEREZINHA – (estendendo a mão) Dá um dinheiro aí pra mim comprar pão aí...

É quando uma matéria de jornal vem em sua cara. Ela pega a matéria e lê: PORTEIRO GANHA TREZENTOS MILHÕES DE REAIS DA RASPADINHA “OURO FÁCIL”. EVANIR MACEDO DIZ QUE PARTE DESSE DINHEIRO VAI PARA PAGAR O ENTERRRO DE SUA MULHER, QUE MORREU DE CÂNCER.

Terezinha sorri maliciosamente.

CORTA PARA:

CENA 25 / EXTERIOR / RUA / NOITE

Evanir está fazendo uma passeata com sua nova limusine, devido ao dinheiro que ganhou. No meio das pessoas, Terezinha está escondida entre elas. É quando ela se joga na frente do carro, que a atropela. Evanir sai, desesperado.

EVANIR – Precisa de ajuda, moça?!?!
TEREZINHA – Sim... Me ajuda, por favor!

Evanir ajuda Terezinha a se levantar.

EVANIR – (apaixonado) Com certeza.

Terezinha sorri.

CORTA PARA:

FIM

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Penúltimo Capítulo de Pulo do Gato

CENA 01 / INTERIOR / GALPÃO ABANDONADO / TARDINHA

CALIXTO – (ao cel) Eu tô aqui no galpão, amor. Tu não tava na cadeia?
TEREZINHA – (off, ao cel) Dei um jeito de escapar. Tô toda quebrada! Mas que história é essa do Gilberto estar aí contigo?
CALIXTO – Corre pra cá que eu te conto.

Terezinha joga o celular roubado no lixo e vai para o galpão.

CORTA PARA:

CENA 03 / INTERIOR / GALPÃO / TARDINHA

Terezinha chega ao galpão e vê Gilberto sendo chutado por Calixto. À medida que chega perto demais, dá um tapa na cara de Calixto.

TEREZINHA – Tá maluco, seu idiota? Batendo no meu irmão, que não pode se defender?!
CALIXTO – É divertido, ué!
TEREZINHA – Vai ser divertido quando eu cortar a sua cabeça fora, traste! (P/GILBERTO) Meu irmão, você está bem?
GILBERTO – (Mal) Se entreguem pra polícia... Por favor...

Terezinha se controla para não chorar.

TEREZINHA – Fica tranquilo, Gilberto. Vai dar tudo certo.
CALIXTO – Tá toda machucada por quê?
TEREZINHA – A Selma, me deu uma surra na cadeia. Ela deu um jeito de invadir a cela e me espancar.

Gilberto ri. Terezinha fica constrangida.

CALIXTO – E o que vamos fazer, Terezinha?
TEREZINHA – (Se afastando) Vamos pedir resgate para o Estevão. Pede cento e cinquenta milhões, pra ontem, numa conta na Suíça. (PAUSA) Mas precisava ter sequestrado o Gilberto pra isso?!
CALIXTO – Ele podia colaborar com a Selma na hora de prestar depoimento à polícia.
TEREZINHA – Nisso você tem razão. Gilberto está tetraplégico, mas não mudo.

Terezinha olha para Gilberto.

CORTA PARA:

CENA 03 / INTERIOR / DELEGACIA / TARDINHA

O delegado grita euforizante.

DELEGADO – Conseguimos uma rastreação!
ESTEVÃO – E da onde é?!
DELEGADO – Na verdade não é do local exato, mas conseguimos uma ligação direta para o telefone do sequestrador.
SELMA – Então vamos logo!

O delegado, Selma e Estevão vão, junto com várias viaturas, atrás do telefone que Terezinha jogou no lixo.

CORTA PARA:

CENA 04 / INTERIOR / CONSTRUTORA / ESCRITÓRIO / TARDINHA

Zyrah pega Lurdinha pelos cabelos e a puxa para si. Antônio tenta intervir, mas Zyrah atira e Patrícia grita.

ANTÔNIO – Tá gritando por que, sua vadiazinha?! É por sua culpa que estamos nessa situação!
LURDINHA – Pelo amor de Deus, Patrícia, faz alguma coisa!
PATRÍCIA – O que você quer, Zyrah?!

Zyrah joga Lurdinha no chão e agarra Patrícia, a beijando a força.

ZYRAH – Eu sempre te amei, Patrícia, desde que eu te vi pela primeira vez com o idiota do Thraso. Mas você me deu um golpe, sua puta, me roubou toda a mercadoria pra fugir rica pro Brasil e me deixar na mão! Mas eu voltei pra buscar você e cobrar a minha dívida!
PATRÍCIA – Quanto você quer?! Eu pago, tudo!
ZYRAH – Já pagou parte... Sabe, quando você fugiu no helicóptero, deixou a senha da conta conjunta da família cair e eu peguei. Rapei tudo, Patrícia!
ANTÔNIO – (avança p/ Zyrah) Seu ladrão! Agora eu tô na miséria!

Zyrah atira em direção a Antônio, que desvia.

ZYRAH – Ela pode pagar o resto da dívida me servindo como escrava até o fim da vida. O que acham dessa ideia?!

Lurdinha faz que não com a cabeça e Antônio não pensa duas vezes:

ANTÔNIO – Leva essa puta pra África! Vadia, safada!

Zyrah arrasta Patrícia pelos cabelos com uma arma na cabeça.

ZYRAH – Vamos sair pelos fundos, meu amor. De lá, vamos viver juntinhos no conforto da minha casa na Holanda! E, para pagar o resto do que me deve, terá que me servir como escrava para o resto de sua vida.

Patrícia grita de desespero e é levada embora. Antônio começa a chorar e é consolado por Lurdinha, que também está chorando.

LURDINHA – (PAUSA) Vou esperar umas duas horas e vou prestar queixa, tá, papai?
ANTÔNIO – Obrigado, minha filha... Muito obrigado...

Os dois choram um nos braços dos outros.

CORTA PARA:
CENA 05 / EXTERIOR / BAR / TARDINHA

Victor Hugo está bebendo e chorando na mesa do bar. É quando Laura Dagmar passa ao seu lado e vê o seu sofrimento.

L. DAGMAR – Victor Hugo?
V. HUGO – Dagmar?! Mas...
L. DAGMAR – Longa história, vários detalhes... Então, como está o Tomásvaldo?
V. HUGO – (limpando as lágrimas) Bem... Bem...
L. DAGMAR – Por que você está chorando?
V. HUGO – Eu não tava chorando, era só um cisco...
L. DAGMAR – Tava chorando sim.
V. HUGO – Não estava.
L. DAGMAR – Estava.
V. HUGO – (se levanta, com raiva) Não estava!

Ao se levantar, a cerveja cai nos peitos de Laura Dagmar. Constrangido, ele pega um guardanapo e os limpa.

V. HUGO – Desculpa, Laura, eu...

Ao perceber que ele está limpando os peitos de Laura Dagmar, Victor Hugo se aproxima cada vez mais dos lábios dela e acabam se beijando.

CORTA PARA:

CENA 06 / INTERIOR / HOTEL / QUARTO / TARDINHA

Tom acaba de chegar de uma corrida na orla da praia quando se depara com Maria Gilderoy sentada à beira da cama. Ela o vê e Tom se assusta.

M. GILDEROY – Calma Tom, só queria te desejar sucesso antes de ir embora.
TOM – (assustado) Você vai embora?!
M. GILDEROY – Vou... Arrumei um dinheiro e estou indo embora para sempre da sua vida. É uma pena você não me amar do jeito que eu te amo, mas, fazer o quê?
TOM – (pausa) É... Fazer o quê? Mas então, vai pra onde?
M. GILDEROY – Las Vegas. Vou ser dona de um cassino lá.
TOM – Mas e a Show Delícia?
M. GILDEROY – (sorrindo) Com quem você acha que vai ficar?

Maria Gilderoy tira um documento de dentro de uma pasta e entrega para Tom. Ele lê o documento e, meio sem graça, assina o papel.

M. GILDEROY – Uma dica para arrumar ótimos dançarinos: os aborde em pontos de ônibus.

Maria Gilderoy vai embora e Tom fica com o papel nas mãos.

CORTA PARA:

CENA 07 / INTERIOR / CONSTRUTORA / ESCRITÓRIO / NOITE

Lurdinha dá um calmante para o seu pai e pega a bolsa.

LURDINHA – Vou ligar pro Tom e ir pra delegacia junto com ele pra fazer o boletim.
ANTÔNIO – (triste) Eu... Eu vou arrumar as coisas aqui na construtora e ir pra casa...
LURDINHA – Te espero lá.

Lurdinha abraça o pai e vai embora. Logo depois, Antônio começa a guardar papeis na sua pasta e desligar as luzes do escritório. A luz acende do nada. Antônio fica assustado e a desliga novamente, mas a luz acede de novo. Assustado, ele ouve o som de um vaso quebrar e olha para onde veio o barulho. Ao ver, ele fica catatônico:

LAURA – Olá, meu amor.

Laura mostra uma faca para Antônio.

CORTA PARA:

CENA 08 / EXTERIOR / GALPÃO / NOITE

Estêvão, Selma, o delegado e os policiais saem das viaturas e cercam o galpão.

DELEGADO – Bem, pela ligação feita por aquele celular que achamos no lixo, é aqui o lugar onde Gilberto está malocado.
SELMA – E, provavelmente, junto com a Terezinha.

O delegado pega um megafone e o põe na boca.

DELEGADO – (gritando) Calixto, acabou, a polícia cercou o galpão, você não tem mais escolhas. Liberte o Gilberto agora, ou vamos invadir tudo!

Estêvão fica apreensivo.

CORTA PARA:

CENA 09 / INTERIOR / GALPÃO / NOITE

Terezinha, Gilberto e Calixto ouvem tudo e ficam perplexos.

CALIXTO – Mas que palhaçada é essa?! Como descobriram que a gente tá aqui?!
TEREZINHA – Não importa, Calixto... Você ouviu o delegado: a polícia cercou a gente, cacete!
CALIXTO – E agora, o que a gente vai fazer?!

Terezinha anda de um lado para o outro, preocupada.

TEREZINHA – Acho melhor a gente soltar o Gilberto.
CALIXTO – Tá louca?! Mas aí a gente vai ser preso!
TEREZINHA – Não! Não estou, Calixto! A única pessoa louca aqui é você, que teve a audácia de sequestrar o meu irmão e ainda por cima bater nele!
CALIXTO – (pega Terezinha pelos braços) Foi pela gente, Terezinha...
TEREZINHA – Já que você não vai soltar, eu solto.

Terezinha pega uma serra elétrica, que estava no canto de uma parede ao fundo do galpão e a liga, indo em direção às correntes de Gilberto. Mas Calixto puxa o cabelo de Terezinha e a serra elétrica cai no chão bem perto dos pés de Gilberto.

TEREZINHA – Tá maluco?!
CALIXTO – (com raiva) Você não vai soltar ninguém, Terezinha! Você vai lá fora e vai fazer um acordo com os polícia! Anda, vai!
TEREZINHA – (se debatendo) Me solta, seu merda, corno, frouxo! Eu não gosto de você, nunca gostei e NUNCA VOU GOSTAR, AGORA ME LARGA, MERDA!

Calixto empurra Terezinha. A serra elétrica, como está ligada, acaba indo em direção aos pés de Gilberto, que não pode se mover. Calixto pega Terezinha e a empurra para o lado oposto a Gilberto. A serra se aproxima mais e mais. Terezinha corre para pegar a cerra, mas Calixto lhe dá um chute na barriga.

CALIXTO – Vamos ver se esse filho falso morre de verdade.

A serra está a MILÍMETROS do pé de Gilberto. É quando Terezinha consegue passar por Calixto e pega a cerra. Calixto puxa uma arma e atira. Sangue vai à cara de Gilberto. Ele berra.

CORTA PARA:

FIM DO CAPÍTULO 29

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Capítulo 28 de Pulo do Gato



ENA 01 / INTERIOR / GALPÃO ABANDONADO / MADRUGADA

Gilberto grita por socorro e Calixto lhe dá um soco na cara. Sangue começa a escorrer da boca de Gilberto, que mesmo acorrentado, tenta se soltar. Calixto, impaciente, pega um canivete e corta a sua pele. O sangue escorre enquanto Gilberto geme de dor.

CALIXTO – Da próxima vez que fazer um “ai”, eu corto a tua rola fora.
GILBERTO – (fraco) O que você quer fazer comigo, Calixto? Vai me matar?
CALIXTO – Você e a Selma sabem demais... Vou matar os dois, mas antes, quero faturar uma boa grana e cair fora com a Terezinha!
GILBERTO – A Terezinha não te quer, cara... Ela só te usa, só te usou a vida inteira...
CALIXTO – MENTIRA!

Calixto dá outro soco na cara de Gilberto.

CALIXTO – Você não vai acabar como o nosso amor... Não vai!
GILBERTO – Por favor... Me tira daqui...
CALIXTO – Cala a porra da boca!

Calixto chuta a cara de Gilberto, que desmaia.

CORTA PARA:

CENA 02 / IMAGENS

Amanhece no Rio de Janeiro.

CORTA PARA:

CENA 03 / INTERIOR / MANSÃO ITACURUÇÁ / COZINHA / MANHÃ

Estevão vê Selma lavando a louça e decide ajuda-la.

ESTEVÃO – Que bom que você dormir aqui.
SELMA – (seca) Só dormi aqui ontem porque pensei que alguém podia ligar avisando sobre alguma coisa.
ESTEVÃO – (agarrando Selma por trás) E que tipo de coisa?
SELMA – Essa.

Selma dá um tapa na cara de Estevão, que fica com sangue na boca.

SELMA – Nunca mais se aproxime de mim, seu traste! Você me humilhou, me trocou por uma vadia que ainda por cima matou a minha amiga e o seu advogado!

Ela vai embora e o telefone toca. Estevão atende.

ESTEVÃO – Alô?... Oi, Abelardo! Quanto... (pausa tensa) Mas o quê?! Sequestro?!

CORTA PARA:
CENA 04 / INTERIOR / CADEIA / CELA TEREZINHA / MANHÃ

A carcereira acorda Terezinha lhe dando cacetadas com o cassetete.

CARCEREIRA – Acorda vadia!

Terezinha tenta se levantar, mas percebe que está sangrando.

TEREZINHA – Meu filho! Eu... Eu tô perdendo meu filho!
CARCEREIRA – Ih, caralho! Mais uma pro leito do hospital... Vem aqui, minha filha.

A carcereira pega Terezinha no colo e a tira dali.

CORTA PARA:

CENA 05 / EXTERIOR / DELEGACIA / MANHÃ

Selma, Estevão e o delegado estão caminhando junto com outros policiais.

DELEGADO – Tem certeza que ele não deu nenhuma localização de onde a vítima esteja?
ESTEVÃO – Tenho sim, doutor. O Abelardo, que depois falou que seu nome era Calixto, falou que queria um milhão no banco dentro de duas horas, senão ele matava o Gilberto.
SELMA – Olha com quem você foi se meter, né, Estevão? Me trocar pra ficar com mulher de bandido...
DELEGADO – Isso não é hora de lavar roupa suja, dona Selma. Estamos fazendo o possível para rastrear o local donde a ligação foi feita. Temos só que esperar.

Selma se joga no sofá da delegacia e põe as mãos no rosto.

CORTA PARA:

CENA 06 / EXTERIOR / ORLA DA PRAIA / TARDE

Delma e Victor Hugo estão tomando uma água de coco e andando na orla da praia.

DELMA – Victor Hugo, acho melhor nós dois terminarmos com o nosso relacionamento.
V. HUGO – O quê?! Como assim, Delma? Por quê?
DELMA – Eu não quero mais me envolver em nada relacionado à Dona Laura e a família Brasil.
V. HUGO – Meu amor, isso não.../CORTA
DELMA – /Eu já até comprei as passagens para o interior de Minas Gerais. É pra lá que eu vou e não pretendo ser incomodada. Adeus.

Delma pega um táxi em vai embora, deixando Victor Hugo com cara de taxo na orla com a água de coco na mão.

CORTA PARA:

CENA 07 / INTERIOR / HOTEL / RECEPÇÃO / MANHÃ

Tom e um produtor estão conversando.

TOM – Posar nu? Tem certeza?
PRODUTOR – É, Tom! Essa tal de Mãe D’Água virou sensação na internet depois de ter um vídeo pelada na internet! E, convenhamos, ela é muito gostosa...
TOM – (hesitante) Bem... Quanto é o cachê?
PRODUTOR – Cinquenta milhões.
TOM – (pega a caneta) Ok. Onde assina?

O produtor sorri, pega o contrato e Tom assina. Os dois apertam as mãos.

CORTA PARA:

CENA 08 / INTERIOR / QUARTO DIRETOR DO PROGRAMA DE DAGMAR / TARDE

Laura Dagmar acorda toda tonta na cama do diretor do programa que apresentou e o vê falando ao telefone com várias pessoas. Desnorteada, ela tenta levantar, mas cai da cama e o diretor desliga todos os seus contatos para ajuda-la. Após lembrar-se de quem ele é, ela Dagmar se esquiva, mas percebe que não irá muito longe.

L. DAGMAR – Que palhaçada é essa? Onde eu estou?
DIRETOR – (calmo) Eu descobri tudo sobre a sua história. Ontem, com o seu ataque, o programa atingiu cinquenta pontos no IBOPE. Sabe qual o máximo que a gente atingiu? 0,001!
L. DAGMAR – Quer dizer que.../
DIRETOR – /Cê tá rica e famosa, Laura Dagmar! Bateu a cabeça de novo e agora é o quê? Uma guerreira celta?
L. DAGMAR – Acho que sou só a Laura Dagmar mesmo... Meu Deus, a Selma! Minha amiga!
DIRETOR – Liguei pra ela, não precisa se preocupar, ela já está ciente de tudo, ok? Agora vamos ao que interessa: eu assinei um contrato para você posar nua.
L. DAGMAR – MAS O QU.../corta
DIRETOR – /Por cinquenta milhões.
L. DAGMAR – Adora mostrar a brabuleta...

Os dois riem.

CORTA PARA:

CENA 09 / INTERIOR / CONSTRUTORA / ESCRITÓRIO / TARDE

Patrícia está no escritório junto com Antônio quando Lurdinha os surpreende.

LURDINHA – (indignada) Eu esperava pelo menos ser avisada que a minha mãe havia morrido!
ANTÔNIO – Lurdinha, eu ia lhe contar, mas é que a imprensa ficou toda em cima e a Patrícia apareceu pedindo socorro e.../
LURDINHA – /Ah! Agora foi a sua vez de sumir, né, Patrícia? Cadê o seu marido, o Tharso?
PATRÍCIA – (começa a chorar) Lurdinha, ele...

Zyrah entra apontando uma arma.

ZYRAH – Morreu, e em minhas mãos.

Todos os três se surpreendem.

CORTA PARA:

CENA 10 / INTERIOR / CADEIA / ENFERMARIA / TARDE

A média está prestes a aplicar um remédio em Terezinha. É quando ela lhe dá um soco na cara, pega uma seringa e aplica em suas veias.

ENFERMEIRA – Isso... Isso é veneno de rato...!
TEREZINHA – Ótimo! Mais um rato morto!

A enfermeira vai estrebuchando até morrer. Terezinha pega as suas roupas e foge da cadeia.

CORTA PARA:

CENA 11 / INTERIOR / DELEGACIA / TARDE

Selma, Estevão e o Delegado na sala dele.

SELMA – Já rastrearam alguma coisa?
DELEGADO – Parece que sim. Mas é um sinal muito fraco, precisamos de mais alguns testes para verificar a veracidade do sinal.
ESTEVÃO – Mas não dava pra fazer uma rota a partir do local onde o corpo da Sandreia foi jogado?
DELEGADO – A mata é muito vasta e o fogo que eles jogaram só conseguiu queimar aquela área da mata. Impressionante. Além do mais, a própria natureza se deu o trabalho de esconder a rota.

Selma passa as mãos no rosto.

SELMA – (P/ ESTEVÃO) Acredita que a Laura Dagmar vai posar nua?
ESTEVÃO – Ela já fazia isso com os machos lá do morro.
SELMA – Mas não iria ganhar cinquenta milhões pra isso, querido.

Reação de Estevão, impressionado com a quantia.

ESTEVÃO – Cinquenta milhões?
SELMA – Parece que você não é o único rico do Morro D’Água, Estevão. Se eu pudesse, sairia daqui e iria ver a Dagmar agora, mas infelizmente vou ter que ficar olhando pra tua cara.

Selma sai dali e deixa Estevão com cara de tacho.

CORTA PARA:

CENA 12 / EXTERIOR / BAR / TARDINHA

Terezinha pega um celular DISCRETAMENTE de um cliente que está numa mesa e liga para Calixto.

TEREZINHA – Calixto, seu merda, onde você tá?!

CORTA PARA:
FIM DO CAPÍTULO 28