segunda-feira, 27 de maio de 2013

Preciosa - Capítulo 11



Cena 1 / Fazenda de João / Sala / Interior / Noite
Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

Letícia encara Anastácia que acabará de chegar.
João – Anastácia?
Sérgio – Vó?
Anastácia – por favor, Sérgio me chame de Anastácia!
Anabele – Eu não acredito que você está aqui!
Anabele manca até a avó e a abraça.
Anastácia – E você filha? Feliz em me ver?
Letícia – Sinceramente não sei o que você está fazendo aqui ou o que você quer aqui!
João – Letícia o que é isso, é  a sua mãe!
Ela olha para o marido enraivada.
Letícia – É, eu sei!
Anastácia – Vim passar uma temporada com vocês, estava com saudades do campo, de você minha filha!
Letícia – Seu cinismo chega a ser ridículo!
João – Letícia!
Letícia – Eu vou para o meu quarto, com licença!
Ela sobe as escadas, João sorri para Anastácia.
João – Minha sogra querida!
Os dois se abraçam. Rosimar parada com a mala nas mãos.
Anastácia – Menina o táxi está esperando, se eu tiver que pagar a mais isso será descontado do seu salário!
Ela sorri.
Anastácia – Brincadeira my dear!
Letícia está na ponta escada, ela e Anastácia trocam olhares fulminantes.

Cena 2 / Hospital / Recepção / Interior / Noite
Lauro chega acompanhado de Catarina, Tony e Julio estão sentados.
Lauro – E a minha mãe? Como tá?
Julio – Calma, já está tudo bem!
Tony – Ela desmaiou Lauro!
Julio – Como vai Catarina?
Catarina – Bem, obrigada!
Lauro – Eu quero ver a minha mãe!
Julio – Daqui a pouco ela já está indo para casa, ela só está fazendo uns exames!
Catarina – Eu já vou indo tá Lauro? Tá tarde!
Julio – Leve a garota em casa meu filho!
Lauro – Eu só saio daqui com a minha mãe e depois de saber direitinho o por que ela veio parar aqui!

Cena 3 / Hospital / Enfermaria / Noite
Enfermeira – Suzana? Vamos? Vamos tirar uma tomografia para ver como está o seu...
Suzana – Não precisa!
Enfermeira – O doutor pediu é melhor sabermos como está!
Suzana – Eu não quero fazer nada, eu já estou melhor!
Enfermeira – Me desculpe, mas a senhora tem que fazer e vai fazer!
Suzana – Você não pode me obrigar, eu não me sinto bem, cada tomografia é como se eu tivesse um dia a menos de vida, eu já fiz muito disso, não quero, estou cansada e quero ir para casa!
Enfermeira - A senhora vai ter que assinar um termo de responsabilidade!
Suzana – Assino qualquer coisa para sair daqui o mais de pressa possível!

Cena 4 / Fazenda de João / Quarto de hospedes / Interior / Noite
Anastácia entra, Letícia a espera sentada, de pernas encruzadas e com um porta retrato nas mãos.
Anastácia – Veio me dar as boas vindas?
Letícia larga o porta retatos e levanta-se.
Letícia – Vim saber o que você está fazendo aqui!
Anastácia – Já disse, saudades de vocês!
Letícia – Não seja hipócrita Anastácia!
Anastácia – Me chame de mãe!
Letícia – Vamos, o que quer? Não basta ter destruído a minha vida uma vez? Eu te suportei nessa casa por mais 15 anos e quando acho que estou livre de você, você reaparece, por quê?
Anastácia – O dinheiro acabou!
Letícia – Pois bem, temos um motivo de verdade!
Anastácia – Agora estou aqui e para ficar!
Letícia – Sinto lhe informar que aqui o dinheiro também acabou, sua jogada de anos atrás saiu pela culatra, o Antunes está ai, cada dia mais rico enquanto o João está na miséria!
Anastácia a encara.

Cena 5 / Fazenda de João / Casa de Gumercindo / Sala / Interior / Noite
Gumercindo entra. Glaucia está sentada.
Gumercindo – Ainda está viva porcaria?
Glaucia – Não fale assim!
Ela começa a tossir
Gumercindo – Você é um atraso na minha vida, tem que morrer de uma vez, eu não aguento mais ouvir essa sua tosse de cachorro do inferno!
Glaucia chora.
Gumercindo – Vai começar o choro de novo, parece criança.
Ele levanta a mão para bater nela, Glaucia se esquiva colocando a mão no rosto. Raissa entra.
Rayssa – Não ouse encostar a sua mão imunda na minha mãe!
Ela a encara furioso.

Cena 6 / Hospital / Recepção / Interior / Noite
O médico acompanha Suzana.
Julio – Então doutor como ela está?
Suzana – Estou ótima não é doutor?
Doutor – Se a senhora tivesse acei...
Suzana – Estou cansada, vamos embora?
Julio – Vamos, mas os exames?
Suzana – Esquece os exames Julio, vamos para casa!


AMANHECE

Cena 7 / Prefeitura / Gabinete / Interior / Manhã
Letícia entra.
Mascarias – A que devo a honra de sua visita? Deixe-me adivinhar: João aceitou me apoiar nas eleições do ano que vem?
Letícia – Não vim falar sobre o meu marido e muito menos sobre o apoio dele a quem quer que seja!
Mascarias – Então?
Letícia – Então que eu preciso de 10 mil reais para ontem!
Mascarias – Não estou lhe entendendo...
Letícia – Está sim, ou já se esqueceu que eu sei a quantia que o senhor desviou da obra da escola nova? Pois é prefeito, eu tenho uma memória de elefante!
Mascarias – Eu nem tenho mais esse dinheiro, isso foi há muito tempo!
Letícia – Não importa, eu ainda tenho as provas e seria um prato cheio na mão da oposição, aliás acredito que eles me dariam mais do que apenas 10 mil!
Mascarias – Isso é chantagem, é crime!
Letícia – Crime por crime... E no mais tome isso como uma troca de favores!
Mascarias – Eu preciso de um dia...
Letícia – Não, eu preciso disso agora!
Ele a olha.
Mascarias – Me dez minutos, por favor!
Letícia – Claro, estarei lhe esperando na recepção!
Sorrindo ela deixa o gabinete.

Cena 8 / Cobertura Ávila do Amaral / Sala / Interior / Manhã
Adalberto e Maria Célia estão tomando café. Rafael entra bêbado.
Adalberto – Quer dizer que você não dormiu em casa?
Rafael – Eu? Eu não!
Adalberto – Olha essa bafo? Você está bêbado à uma hora dessas?
Maria Célia – Ele não está bêbado, este apenas alterado!
Rafael – Eu vou pro meu quarto.
O garoto sobe as escadas trocando as pernas.
Adalberto – Você está colocando a mão por cima dos erros dele mais uma vez!
Maria Célia – Ele tem 20 anos, o deixa curtir a juventude!
Adalberto – Até o dia em que atropelar alguém e dessa vez matar, é isso?
Maria Célia – Aquilo foi um acidente e o homem não morreu!
Adalberto – Não morreu por sorte, mas ainda está no hospital, em coma  e sabe-se Deus se ele vai sair de lá!

Cena 9 / Estrada / Externo / Manhã
Gumercindo com o carro parado. Letícia está escondida atrás de uma árvore. O bombeiro chega.
Bombeiro – Cadê a Letícia?
Gumercindo – É comigo que você vai tratar!
Bombeiro – Ótimo, onde está o dinheiro?
Gumercindo tira um pacote do bolso e entrega ao bombeiro. Letícia fotografa tudo.
Bombeiro – Ótimo, diga a sua patroa que ela terá o que quer!
Gumercindo – Está certo!
Ambos entram em seus carros e saem. Letícia vai para a estrada.
Letícia – Perfeito!
Sorrindo ela caminha alguns metros ate chegar ao seu carro.

Rio de Janeiro
Cena 10 / Hospital / UTI / Interior / Tarde
Lavínia entra na UTI, ela se aproxima do corpo do rapaz que Rafael atropelara.
Lavínia – Desculpa, não é nada pessoal, mas eu tenho que fazer alguém pagar por tudo que me fez!
Ela tira da bolsa uma agulha e fura o mangueira de oxigênio.  Em segundos o coração do rapaz dispara e ele dá o último suspiro. Lavínia deixa uma lágrima cair e sai. Na saída ela esbarra em uma enfermeira que vem correndo para ver o que acontece com o paciente.

SETE MESES DEPOIS

Cena 11 / Fazenda de João / Sala / Interior / Manhã
Anabele desce as escadas.
Anabele – Enfim hoje é minha última sessão de fisioterapia!
Ricardo – Graças a Deus!
Anabele – E vamos poder remarcar nosso casamento!
Ricardo a beija.
Ricardo – É o que eu mais quero!
Anabele – Felizmente tudo está entrando nos eixos, meu pai conseguiu um praz com o banco, agora voltou com gado, acho que as coisas vão dar certo dessa vez!
Ricardo – Vão dar sim, meu pai e o seu está lá na divisa agora abrindo caminho para água chegar até o pasto onde o gado vai ficar!
Anabele – Apesar de tudo seu pai é uma boa pessoa!
Ricardo – Apesar de tudo o que?
Anabele – Nada, apenas modo de falar, me expressei mal!

Cena 12 / Fazenda de João / Divisa / Externo / Manhã
Antunes – Finalmente voltando com o gado!
João – Mais uma vez graças a você!
Antunes – O que eu mais quero é lhe ver de volta no mercado!
João – Dessa vez tem que dar certo, a fazenda está com os impostos atrasados... Consegui um prazo na prefeitura, o que eu conseguir com o gado vai sanar essa divida e a do banco!
Antunes – E ai finalmente você vai poder dormir em paz!
João – Não enquanto eu não lhe pagar!
Antunes – Já disse para você esquecer isso, quando suas finanças estiverem em ordem à gente conversa sobre isso!
João – É o que eu sempre digo, você é o irmão que eu não tive.
Antunes – Os homens vão começar a abrir o caminho pro rio em alguns minutos!
João – Não entendo por que meu pai nunca quis explorar essa parte da fazenda, acabou que eu também nunca usei!
Antunes – Por causa da água talvez, mas agora vai ficar tudo certo!

Cena 13 / Cobertura Ávila do Amaral / Sala / Interior / Manhã
Adalberto entra.
Maria Célia – Então?
Adalberto – Marcaram a audiência!
Rafael – Eu estou ferrado!
Adalberto – É bom que saiba disso!
Maria Célia – Não há nada que você possa fazer para livrar o nosso filho dessa?
Adalberto – O que está me sugerindo? Que eu compre o juiz?
Rafael – Se isso for possível pai, aquele homem morreu! Eu vou me ferrar, eles vão me prender!
Adalberto – Se fizerem isso estarão certos!
Maria Célia – É o nosso filho!
Adalberto – A única coisa que eu vou fazer é contratar o melhor advogado do país para tentar reduzir a pena a trabalhos sócias, nada além disso, eu não vou comprar um juiz!

Rio de Janeiro
Cena 14 / Apartamento de Lavínia / Sala / Interior / Manhã
Miguel entra com uma pasta nas mãos e entrega a Lavínia.
Lavínia – O que é isso?
Miguel – O que vínhamos fazendo esses meses todos!
Lavínia – Você finalmente conseguiu?
Miguel – É tudo seu, a empresa agora é sua!
Lavínia – nossa, metade disso aqui é seu!
Miguel – Eu não sei se é a coisa certa...
Lavínia – Claro que é!
Ela o beija.
Lavínia – Agora é só essa criança nascer e eu coloco meu plano em prática.
Miguel passa a mão na barriga dela.

Cena 15 / Fazenda de João/Antunes/ Divisa / Externo / Tarde
Os funcionários param com a escavação.
Funcionário – meu Deus!
De longe João e Antunes acompanhavam tudo.
João – Eles pararam?
Antunes – Algo aconteceu!
O funcionário os chama.  Os dois se aproximam e enxergam a ponta de uma rocha que parece ser uma esmeralda.
João – Meu Deus, isso é uma esmeralda?
Antunes – Parece, mas aqui? Como?
João – Continuem cavando!
Os dois se olham
Fim do Capítulo.


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