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domingo, 4 de dezembro de 2011

                                                                      Capítulo       007
                                         (30/11/11)

                                   LADO A LADO
                          Novela de
                                     FELIPE LEIBOLD





                               
                        

                                Personagens deste capítulo
         CAROLINA                        ANA                                    LURDES
HOMEM MISTERIOSO            CÁSSIO                                RAFAEL
         EDUARDO                       MILTON                              REINALDO
           CELINA                          MÔNICA                               VIRGÍNIA
        EUSTÁQUIO                    MARIANA
           CAMILE                          MÁRCIO
            PABLO                         RAIMUNDO
           LUANA                              OLGA

CENA 01/ HOTEL/ HALL/ INTERNO/ NOITE.
Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Eduardo parado em frente ao Homem Misterioso.
EDUARDO – O que você quer?
HOMEM MISTERIOSO – Aqui é um hotel, não é?
EDUARDO – Sim. . .
HOMEM MISTERIOSO – Eu queria me hospedar.
EDUARDO – Tá, tudo bem! Agora entra aqui dentro pra não pegar mais chuva.
O Homem Misterioso entra, e Eduardo fecha a porta.
EDUARDO – Me desculpe, mas. . .Qual é seu nome?
HOMEM MISTERIOSO – Eu prefiro não falar meu nome.
EDUARDO – Mas como. . Num vai falar o nome?! (estranhando) Então, o que eu anoto na sua ficha do hotel?
HOMEM MISTERIOSO – Qualquer coisa. . .Você vai saber que sou eu de qualquer modo.
Eduardo estranha, e anda levando as malas do homem.
CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 02/ HOTEL/ SALA/ INTERNO/ NOITE.
Eduardo e Homem Misterioso entrando na sala.
HOMEM MISTERIOSO – Parece que aqui tem bastante hóspede!
EDUARDO – Hóspede? Que nada, a maioria é família!
Homem misterioso fica paralisado.
EDUARDO – Tá tudo bem com você?
HOMEM MISTERIOSO - Tá sim é só que (pausa) eu não gosto de falar sobre família, sabe?
EDUARDO – E seria indelicadeza eu perguntar por quê?

HOMEM MSITERIOSO – Seria, mas eu sei que você vai insistir então eu vou falar logo! É que meus pais morreram quando eu ainda tinha 15 anos. Eu morava em São Paulo, e eu fui para a casa de minha tia nos Estados Unidos, ela era muito rica. Quando ela morreu, eu vi que não tinha mais nenhum parente, todos já tinham morrido, até por que minha família era muito pequena. E na mesma época eu descobri que (pausa) eu tenho uma doença do coração.
EDUARDO – Do coração?! Mas isso pode ser grave, você pode morrer!
HOMEM MISTERIOSO – Eu sei, eu sei.
EDUARDO – Mas espera aí, você disse que sua tia era rica. Como você num tinha nenhum parente mais, ela não tinha que ter deixado algum dinheiro pra você?
HOMEM MISTERIOSO – Ela deixou! Aliás, deixou tudo que tinha. Eu é que agora não tenho com quem deixar. E a qualquer momento eu posso morrer por causa desse problema do coração!
EDUARDO – Você tem dinheiro, paga um médio, alguma coisa assim!
HOMEM MISTERIOSO – (grita) Não! Era pra ser assim, e não vai ser diferente!
EDUARDO – Mas então, quando você morrer você vai deixar seu dinheiro solto por aí?
HOMEM MISTERIOSO – Claro que não! A partir do dia que minha tia morreu e me deixou a herança, eu viajo pelo mundo, tentando procurar alguém que eu realmente ache que é puro, honesto e digno de ter esse dinheiro! É o único jeito! Mas em nenhum dos vários países que fui conheci alguém assim, todos só queriam o poder! E agora na minha última viagem/
EDUARDO – (corta) ÚLTIMA?!
HOMEM MISTERIOSO – Eu vou morrer a qualquer momento! É capaz deu morrer dentro do avião indo pra outro lugar! Mas eu não vou fazer isso, por que aqui no Brasil, eu vou achar a pessoa que vai herdar esse meu dinheiro! Eu vou achar!
EDUARDO – Então você tá dizendo que/
CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 03/ HOTEL/ QTO DE EDUARDO E LUANA/ INTERNO/ NOITE.
Camile, Pablo, Eustáquio, Celina, Eduardo e Luana no quarto conversando.
CELINA (completando a frase de Eduardo na última cena) – Esse idiota tá na beira da morte, perdeu a família inteira, tem uma grana preta, e viaja pelo mundo para achar alguém (em tom de deboche) “puro, honesto e digno” pra ficar com esse dinheiro, é isso?!

EDUARDO – Pode parecer estranho, mas é isso que ele disse.
LUANA – Ele disse quanto ele tem?
EDUARDO – Não disse nada, mas acredito que muito. Eu aposto que naquela maleta tem um pouco, pelo menos.
EUSTÁQUIO (comemorando) – Mas eu tô feito!
EDUARDO – Como assim, tio?
EUSTÁQUIO – Um idiota que procura alguém puro, honesto e digno de ganhar uma grana dessas, vai ceder rapidinho pra mim. Eu já tenho até um plano!
LUANA – E posso saber qual é?
EUSTÁQUIO – Paparicar esse homem, até ele assinar meu nome no testamento dizendo que passa todo o dinheiro pra mim, e finalmente morrer da sua doençinha lá!
EDUARDO – Tio, não fala assim!
EUSTÁQUIO – Até parece que essa idéia não mexeu com a cabeça de vocês! Aposto que eu não vou ser único aqui que vai tentar pegar a grana desse homem!
EUSTÁQUIO sai do quarto, deixando todos confusos e pensativos.
CORTA PARA:

CENA 04/ COMUNIDADE/ CASA DE SÔNIA/ INTERNO/ NOITE.
Cássio abrindo a porta. É Ana, que logo o abraça, e o beija.
CÁSSIO – (depois do beijo) Achava que você não vinha mais.
ANA – É claro que eu vinha!
Cássio e Ana se beijam.
ANA – E a Sônia?
CÁSSIO – Ela vai dormir lá no hotel hoje. Ela ia vir pra cá, mas como terminou tudo lá muito tarde e iria chegar aqui muito mais tarde, pra acordar amanhã e ir pro mesmo lugar. . . Ela preferiu dormir lá logo!
ANA – Isso quer dizer que estamos sozinhos? (sorri)
CÁSSIO – Totalmente.
Eles se beijam novamente.
Corta direto para o mesmo ambiente, mas visivelmente, minutos depois. Cássio e Ana, sentados no sofá, abraçados.
CÁSSIO – Eu quero ficar com você pra sempre.
ANA – Eu também. . .Eu quero você pra todo sempre. (pausa) Mas me promete uma coisa?
CÁSSIO – O que você quiser.
ANA – Você nunca vai me largar, né?
CÁSSIO – Eu disse que te quero pra todo o sempre. É claro que nunca vou te largar.
ANA – (depois de pensar) Então prova!
CÁSSIO – Provar?
ANA – É. Provar.
Cássio beija Ana. Ele tira a camisa, e os dois caem aos beijos no sofá. Cássio tira também a camisa de Ana.
CORTA PARA:

CENA 05/ RIO DE JANEIRO/ EXTERNO/ DIA.
Imagens do Rio de Janeiro amanhecendo.
CORTA PARA:

CENA 06/ COMUNIDADE/ CASA DE SÔNIA / INTERNO/ DIA.
Cássio e Ana dormem abraçados no sofá da casa de Sônia, com um cobertor em cima dos dois. Cássio acorda, e quando vê Ana, sorri.
CORTA PARA:

CENA 07/ CASA DE CAROLINA/ SALA/ INTERNO/ DIA.
Carolina descendo as escadas.
CAROLINA – (colocando a mão nas costas) Aih, eu ainda não me recuperei dessa batida. . Nem fisicamente, nem emocionalmente.
Carolina deita no sofá.
CAROLINA – Mas se bem que eu tô precisando fazer uns exercícios, e mesmo com um pouco de dor. . . É bom.
Carolina levanta do sofá.
CORTA PARA:

CENA 08/ CASA DE MÔNICA/ QTO DE MÔNICA/ INTERNO/ DIA.
Mônica deitada em sua cama.
MÔNICA – (para si) Eu não posso viver com uma sogra que me humilha. E ainda, a maioria das vezes na frente da minha própria filha. E eu também não posso viver com um cara que não me defende como devia. . . . Eu preciso falar com o Bernardo.
Mônica levanta e sai do quarto.
CORTA PARA:

CENA 09/ CASA NOVA DE MARIANA/ QTO DE MARIANA/ INTERNO/ DIA.
Mariana deitada em sua cama. Ela olha para o computador.
MARIANA – Se bem que a Laura poderia ter razão. . . . Bem que eu podia entrar nesse site.
Mariana levanta da cama, liga o computador, e digita na internet: ‘WWW.NovasAmizades.COM.BR’. Ela sorri.
CORTA PARA:

CENA 10/ HOTEL/ SALA/ INTERNO/ DIA.
Camile desce as escadas do hotel. Ela dá de cara com o Homem Misterioso. Ele a encara. Camile fica assustada. FLASH-BACK já gravado da cena 27 do capítulo 4.
VELHA – Cuidado com o Lobo!
Fim do FLASH-BACK. CAM volta para o rosto de Camile, encarando o Homem Misterioso.
CORTA PARA:

                                         1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 11/ MODA SHOPPING/ INTERNO/ DIA.
Márcio acaba de atender uma cliente, que sai sorridente da loja e senta atrás do balcão.
MÁRCIO – (olhando seu relógio de pulso) A Carol já devia ter passado aqui! O que será que houve?
CORTA PARA:

CENA 12/ COMUNIDADE/ CASA DE LURDES/ LAJE/ EXTERNO/ DIA.
Raimundo fazendo churrasco, enquanto Lurdes e Olga – ambas com binóculo – espionam os vizinhos.
RAIMUNDO – E aí? O que tá acontecendo de interessante?
OLGA – Só figurantes fazendo a figuração que no mínimo arranca alguma emoçãozinha. . . Mas o filme principal, só irá acontecer quando uma de nossas protagonistas sair de casa.
RAIMUNDO – Essa seria a Nádia?
LURDES – Sempre sendo traída pelo Edgar. . .Coitada.
OLGA – Mas porque nós não contamos pra ela isso? Amigo é pra essas coisas!
LURDES – Um, é melhor deixar ela não saber, talvez sofra muito. . . E dois, no dia em que ELA própria descobrir a traição, eu quero tá aqui pra ver, e não morrer nas mãos do Edgar se contar pra ela.
RAIMUNDO – Isso é verdade, bebês.
Raimundo traz a carne já pronta em um prato para Lurdes e Olga.
OLGA – Opa! Delícia.
CORTA PARA:

CENA 13/ PRAIA/ EXTERNO/ DIA.
Carolina correndo na praia. Ela para cansada. De repente, Rafael aparece correndo e sem querer, derruba Carol no chão.

RAFAEL – Aih! Desculpa! Desculpa!
Rafael ajuda Carolina a se levantar. Eles se olham, sorrindo.
CAROLINA – Tá tudo bem!
RAFAEL – Eu sou o Rafael. . .
CAROLINA – Carolina. (ela vê sua roupa branca) Porque você tá com uma roupa assim?
Rafael fica nervoso e pensa.
RAFAEL – (mentindo) É que. . . .Eu sou médico! Quer dizer. . .Era! Acabaram de me despedir.
CAROLINA – Te despediram por quê?
RAFAEL – (pensa) Vamos dizer que eu tive um envolvimento com uma enfermeira e acabei me apaixonando. . . Quando ela me largou, fiz um escândalo tão grande que me dispensaram.
CAROLINA – (ri) Envolvimento. . . (ri mais).
RAFAEL – É sério. (ri também). Bom, desculpa mais uma vez. Vou indo.
CAROLINA – Tá!
Rafael segue seu caminho, e já mais adiante, olha para trás e observa Carol andando. Ela também vira pra trás, e os dois sorriem.
CORTA PARA:

CENA 14/ RIO DE JANEIRO/ EXTERNO/ NOITE.
Rio de Janeiro anoitecendo.
CORTA PARA:

CENA 15/ HOTEL/ QTO DE CELINA/ INTERNO/ NOITE.
Celina sentada na cama de seu quarto. Eustáquio chega.
EUSTÁQUIO – E aí. . . Me chamou aqui para o que?
CELINA – Foi pra avisar que eu sonhei com você, sabia?
EUSTÁQUIO – (surpreendido) Sério? E qual foi a melhor parte?
CELINA – Quando eu acordei! (pausa) Idiota! Era mentira! É claro que não foi pra isso que eu te chamei, não sonharia com você nem que eu ganhasse cinquenta milhões pra isso.
EUSTÁQUIO – (decepcionado) Ah, tudo bem! Então porque você me chamou aqui?
CELINA – Por uma razão óbvia. . . . Vamos até o quarto deste tal Homem rico, e vamos pegar a mala dele.
Eustáquio e Celina se olham sorrindo.
CORTA PARA:

CENA 16/ HOTEL/ QTO DO HOMEM MISTERIOSO/ INTERNO/ NOITE.
Homem Misterioso dormindo. Celina e Eustáquio entram em silêncio no quarto.
CELINA – (sussurrando) Agora, vamos achar a mala.
EUSTÁQUIO – (também sussurrando) Mas em silêncio total!
Celina e Eustáquio reviram o quarto do Homem Misterioso em silêncio total. Até que Celina finalmente acha a mala em baixo de uma mesinha.
CELINA – (grita) Achei!
Homem Misterioso acorda. Celina e Eustáquio ficam sem graça.
EUSTÁQUIO – (gaguejando, nervoso) Eu e Celina só viemos te dar ‘boa noite’, mas chegamos aqui e vimos que você estava dormindo.
CELINA – É, isso mesmo! Então, boa noite!
Celina e Eustáquio saem. O Homem Misterioso olha para sua mala e ri.
CORTA PARA:

CENA 17/ CASA DE REINALDO E VIRGÍNIA/ SALA/ INTERNO/ NOITE.
Virgínia em pé na frente de Reinaldo.
VIRGÍNIA – E ele ainda fugiu?!
REINALDO – Fugiu sim!
VIRGÍNIA – Se droga e foge! Que ótimo filho nós criamos! Ah, mas quando ele voltar pra casa. . .
REINALDO – Duvido que volte!
VIRGÍNIA – Sorte dele! Porque se voltasse, eu ia/
REINALDO – Você não ia fazer nada!
VIRGÍNIA – Como nada?! Ele se droga, será que você se tocou nisso?! E não se faz de bonzinho que eu sei que você deu uns tapas nele!
REINALDO – Mas ele precisava cair na real!
VIRGÍNIA – E caiu! Mas comigo, vai cair no chão. . . Com direito a sangue e tudo.
REINALDO – Que isso, Virgínia, é seu filho!
VIRGÍNIA – Sei muito bem que é meu filho. . .Mas infelizmente, quando voltar/
REINALDO – Ele não vai voltar!
VIRGÍNIA – É o que veremos!
CORTA PARA:

CENA 18/ PRAÇA/ EXTERNO/ DIA.
Fábio acorda no meio da praça. Ao seu lado, ele vê drogas, e logo as esconde. Ele fica pensativo.
CORTA PARA:

CENA 19/ CASA DE MILTON/ INTERNO/ DIA.
Ana abre a porta de casa e se depara com Milton.
ANA – Pai. . .Você não devia estar na empresa?
MILTON – Você dormiu com ele, não foi?
ANA – O que?
MILTON – Dormiu com aquele pobreta do Cássio!
ANA – O que você tá falando?
MILTON – Eu vi você saindo ontem à noite. . . E só voltou agora! Com suas amigas é que você não tava.
ANA – Olha, e se eu tivesse com o Cássio mesmo, qual é o problema?!
MILTON – O problema é que queimaria minha reputação pra sempre.
ANA – Eu tô cansada de você.
Ana vai em direção a escada, mas Milton segura seu braço. Ele dá um tapa em Ana. Os dois se olham, tensos.
MILTON – Você dormiu com ele sim! E vai pagar por isso!

                                                         FIM DO CAPÍTULO




sábado, 3 de dezembro de 2011

Capítulo       006
                                         (26/11/11)

                                   LADO A LADO
                          Novela de
                                     FELIPE LEIBOLD





                               
                        

                                Personagens deste capítulo
                                           CAROLINA               RAFAEL
                                      VALTER                  CARLOS
                                        FÁBIO                    MARINA
                                    REINALDO                MILTON
                                       LURDES                     ANA
                                         OLGA                     PABLO
                                     RAIMUNDO             CAMILE
                                       MÁRCIO           HOMEM MISTERIOSO
                                         JORGE
CENA 01/ RUA/ EXTERNO/ DIA.
Valter abre os olhos, ele está na calçada em frente à casa de Carolina.
VALTER – Agora eu tenho mais do que certeza que essa piranha tá envolvida com o Milton no esquema do roubo. . . Eles vão se ver comigo.
CORTA PARA:

CENA 02/ CASA DE CAROLINA/ SALA/ INTERNO/ DIA.
Carolina sentada no sofá, séria pensa.
CORTA PARA:

CENA 03/ CASA DE VIRGÍNIA E REINALDO/ SALA/ INTERNO/ DIA.
Fábio chega a sua casa. Reinaldo está sentado em uma cadeira no canto da sala de costas pra porta. Ele vira para Fábio.
FÁBIO – (assustado) Pai, que susto. O que você tá fazendo aí?
REINALDO – O que eu tô fazendo aqui? Ou o que você faz todo dia?
FÁBIO – Do que você tá falando?
REINALDO – Agora eu sei muito bem onde é que você tava, e porque você chegou tarde da noite aquele dia.
FÁBIO – Eu tava com meus amigos, nada demais, eu já disse isso!
REINALDO – Ah, então seus amigos também se drogam?
Fábio fica assustado.
FÁBIO – Drogar? Você acha que eu tô me drogando?
REINALDO – Não acho, tenho certeza.
FÁBIO – Mas como que você pode pensar uma coisa dessas?
REINALDO – (tirando a mão do bolso) Eu tava mexendo na sua mochila, e achei (tira as drogas de seu bolso) isso.
FÁBIO – Mas como assim? Isso daí não é meu!
REINALDO – Para de mentir, que eu sei muito bem que isso daqui é seu sim!
Reinaldo levanta da cadeira. Ele vai até Fábio.
FÁBIO – (gritando) Isso não é meu, eu já disse!
Reinaldo dá um tapa em Fábio, e o joga no chão.
REINALDO – (gritando, nervoso) Não foi assim que eu te eduquei! Eu não ensinei essas coisas pra você, e eu também não ensinei você a mentir. Eu sempre fui bom com você. Mas você se droga! Você sabe os problemas que isso pode dar? Você sabe?! (pausa) Imagina, quando a sua mãe descobrir isso! Imagina!
FÁBIO – Não precisa nem imaginar. (pausa) Eu vou sair daqui!
Fábio abre a porta e sai correndo.
REINALDO – (gritando) Fábio, volta aqui!
Reinaldo sai correndo atrás de Fábio.
CORTA PARA:

CENA 04/ RUA/ EXTERNO/ DIA.
Fábio sai do prédio correndo. Depois de um tempo, Reinaldo sai correndo atrás. Mas para ao perceber que o perdeu de vista.
REINALDO – (para si/ baixo) Onde é que esse menino foi?
CORTA PARA:

CENA 05/ COMUNIDADE/ CASA DE OLGA/ INTERNO/ DIA.
Olga observa os vizinhos pela janela. Lurdes entra no quarto.
LURDES – Quer companhia?
OLGA – (virando para Lurdes) Lurdes?! Como você entrou aqui?
LURDES - A porta tava aberta.
OLGA – Por que você veio?
LURDES – Bem. . . Eu quero fazer uma proposta pra vocês.
OLGA – Vocês?
CORTA RÁPIDO PARA:


CENA 06/ COMUNIDADE/ CASA DE RAIMUNDO/ INTERNO/ DIA.
Raimundo e Olga sentados no sofá de Raimundo, e Lurdes em pé.
LURDES – Eu sei muito bem que vocês também são bisbilhoteiros, e gostam de ficar assistindo a vida dos vizinhos, portanto/
RAIMUNDO – (corta) Quem disse que a gente é assim?
LURDES – Eu vi vocês dois tá? Mas num se preocupem, não são os únicos.
OLGA – Tá, bacana, nós três espionamos os vizinhos, e o que tem isso?
LURDES – Eu quero propor um grupo de espionagem!
OLGA – Que isso, mulher? Parece que tem dois anos de idade.
LURDES – É só pra ficar mais divertido, espionar sozinho é um saco!
RAIMUNDO – Nisso você tem razão.
LURDES – Mas enfim, topam?
OLGA – Olha, vendo por esse lado. . . Até topo, mas eu e Raimundo trabalhamos todo dia, não dá.
LURDES – É verdade. . . Num tinha pensado nisso.
RAIMUNDO – Opa! Tive uma idéia genial e linda que nem eu!
OLGA – Desembucha então, biba!
Raimundo sorri.
CORTA PARA:

CENA 07/ RIO DE JANEIRO/ EXTERNO/ DIA.
Imagens do Rio de Janeiro de manhã.
CORTA PARA:

CENA 08/ HOSPÍCIO/ QTO DE RAFAEL/ INTERNO/ DIA.
Rafael olhando pela janela, parado. Doutor Jorge entra.
JORGE – Rafa?
RAFAEL – Oi.
JORGE – Como você tá?
RAFAEL – Bem, e exatamente por isso que eu quero ir embora.
JORGE – Nós já conversamos sobre isso, você não vai sair daqui enquanto não melhorar.
RAFAEL – Mas eu tô melhor!
JORGE – (gritando) Não, você não tá!  Você acha que tá, mas não tá!
RAFAEL – Você não sou eu!  Você não pode me dizer se eu tô bem ou não, eu que digo isso!
JORGE – Você tá maluco? Aliás, tá, e muito! Porque eu sou médico daqui, eu que falo quando você tá bem ou não!
Rafael levanta e fala empurrando Jorge.
RAFAEL – (chorando e empurrando o Doutor) Sai daqui! Sai daqui!
Rafa chuta Jorge. Jorge sai da sala. Rafael senta chorando na cama.
RAFAEL – Eu não aguento mais! Não aguento. . . É hoje eu fujo daqui!
CORTA PARA:

CENA 09/ MODA SHOPPING/ INTERNO/ DIA.
Márcio sentado na loja. Olga e Raimundo em sua frente.
MÁRCIO – Espera aí, num tô entendendo nada!
OLGA – Como assim num tá entendo? É só você cobrir nossas faltas, mentindo pra Carol.
MÁRCIO – E o que eu ganho em troca?
RAIMUNDO – Metade do salário de cada um de nós.
MÁRCIO – Meu Deus. . . Nem me passa pela cabeça o motivo de vocês quererem isso, mas ganhando salário em dobro. . . Aceito!
OLGA – Então fechadíssimo!
Olga e Raimundo sorriem para Márcio.
CORTA PARA:

CENA 10/ RODRIGUES/ INTERNO/ SECRETARIA/ DIA.
Valter chega correndo. Márcia está na secretaria.
MÁRCIA – Que isso! Só chegou agora?
VALTER – Eu tive algumas coisas pra resolver.
MÁRCIA – Algumas coisas, tipo. . .
VALTER – Desde quando eu tenho que te dar satisfações?
MÁRCIA – Ah, tudo bem, você sabe que eu sou curiosa. . . Aliás, o Milton disse que odeia essa característica minha!
VALTER – (nervoso) O Milton! O Milton! Porcaria!
MÁRCIA – Que foi?
VALTER – Ele vai me matar se notar que eu atrasei.
MÁRCIA – Não vai não.
VALTER – Num vai? Por quê?
MÁRCIA – Ele não tá aqui!
Valter fica surpreso.
CORTA PARA:

CENA 11/ CASA DE MILTON E FÁTIMA/ COZINHA/ INTERNO/ DIA.
Fátima cozinhando, e Milton na cozinha ao seu lado.
MILTON – Eu tô com muita dor de cabeça, num deu pra ir para a empresa.
FÁTIMA – Isso é porque você ficou muito tempo assistindo televisão, naquele sofá desconfortável!
MILTON – Que isso?! Deu pra fingir que é minha mãe agora? Vê se te enxerga!
Milton sai da cozinha.
FÁTIMA – Eu ainda não entendo porque eu fui casar com esse idiota.
Fátima ouve um barulho de carro, alto. Ela vai até a janela na cozinha, e vê um caminhão de mudanças chegando.
CORTA PARA:
CENA 12/ HOTEL/ QTO DE CARLOS/ INTERNO/ DIA.
Carlos observa homens saindo do caminhão de mudança, e trazendo móveis para a casa do lado, que estava à venda. De repente, ele vê da janela do quarto, Mariana entrando no quarto da casa ao lado.
CARLOS – (para si) Essa menina não estuda lá no colégio?
Mariana olha pela janela, ela vê Carlos.
CARLOS – (assustado) Ela vai morar aqui do lado?
Mariana e Carlos se olham.
CORTA PARA:

                                     1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 13/ NOVA CASA DE MARIANA/ QTO DE MARIANA/INTERNO/ DIA,
Continuação imediata da cena 12. Mariana continua olhando para Carlos.
MARIANA – Até que em casa ele é mais bonito.
Ela ri, e fecha a cortina.
CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 14/ HOTEL/ QTO DE CARLOS/ INTERNO/ DIA.
CARLOS – Que menina grossa!
Carlos volta a sentar na cadeira, e mexer no computador
CARLOS – Agora, é hora de conhecer novas pessoas. . . Na internet!
Carlos sorri, e começa a digitar.
CORTA PARA:

CENA 15/ RIO DE JANEIRO/ EXTERNO/ NOITE.
Imagens do Rio de Janeiro anoitecendo. Está chovendo.
CORTA PARA:
CENA 16/ CASA DE MILTON E FÁTIMA/ SALA/ INTERNO/ NOITE.
Ana – arrumada com uma bolsa – olha para os lados da sala, para ver se tem alguém. Ela vê que aparentemente não tem ninguém, então sai de casa. Milton chega da cozinha.
MILTON – (para si) Aposto que foi encontrar com aquele pobre!
CORTA PARA:

CENA 17/ HOSPÍCIO/ CORREDOR/ INTERNO/NOITE.
Jorge anda pelo corredor do hospício, perturbado. Ele para na frente do quarto de Rafael, ele resolve entrar.
CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 18/ HOSPÍCIO/ QTO DE RAFAEL/ INTERNO/ NOITE.
Jorge entra no quarto, e vê a janela aberta, sem Rafael no quarto. Está chovendo muito.
JORGE – (preocupado) Eu disse que ele não tava bem pra deixar a janela aberta! Mas todos disseram o contrário! EU DISSE!
Jorge corre até a janela, onde olha para baixo e não vê nada.
JORGE – O Rafa fugiu!
CORTA PARA:

CENA 19/ MATO/ EXTERNO/ NOITE.
Enquanto chove, Rafael corre por um mato imenso, até que cai no chão. Ele olha para trás sorrindo.
RAFAEL – Agora já devo tá longe do inferno!
CORTA PARA:

CENA 20/ HOSPÍCIO/ CORREDOR/ INTERNO/ NOITE.
Jorge corre preocupado pelo corredor do hospício, até que para em uma mulher.
JORGE – Eu disse que ele não tava bem! Não era pra deixar a janela dele aberta!
MULHER – De quem você tá falando? Do Rafa?
JORGE – (grita) Ele fugiu!
Jorge sai correndo, a mulher fica paralisada e sai correndo também.
CORTA PARA:

CENA 21/ HOTEL/ QTO DE CAMILE/ INTERNO/ NOITE.
Camile em sua cama, quando ela ouve alguém bater na porta. Ela levanta, cansada, para abrir. Quando abre, é Pablo.
CAMILE – O que você tá fazendo aqui?! Veio me dar detalhes da noite passada?
PABLO – Eu já disse mil vezes que num aconteceu nada noite passada! Eu não lembro porque eu tava nu, eu não me lembro de nada!
CAMILE – É. . .Geralmente é isso que acontece quando uma pessoa fica de ressaca!
PABLO – Ressaca?!
CAMILE – E porque estava nu. . . Acho que mesmo sem falar nada, você já entendeu o que eu pensei.
PABLO – Para! Fica quieta!
CAMILE – Não vou ficar não, enquanto você não me explicar o que tá fazendo aqui!
PABLO – (calmo e romântico) Desde que você entrou nesse hotel/
CAMILE – Ah não! Num vem com essa de filme romântico que eu não caio.
PABLO – Então o que você quer?
CAMILE – Que você vá logo ao ponto!
PABLO – Quer que eu vá logo ao ponto? Então tá! (pausa) Eu acho que eu tô apaixonado por você!
Pablo beija Camile, que o joga pra trás.
CAMILE – Sai daqui! Sai daqui agora!
Pablo sorri e sai do quarto. Camile fica pensativa.
CORTA PARA:



CENA 22/ HOTEL/ SALA/ INTERNO/ NOITE.
A sala está vazia – só dá para ouvir o barulho da chuva caindo –, até que a campainha toca. Eduardo chega, e vai até o hall para atender a porta.
CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 23/ HOTEL/ HALL/ INTERNO/ NOITE.
Eduardo abre a porta, e vê o Homem Misterioso todo vestido de preto, e com uma mala – o mesmo que velho que via em suas ‘visões’ –. Ele fica paralisado.

                                                         FIM DO CAPÍTULO