Mostrando postagens com marcador Vida Fatal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida Fatal. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Vida Fatal - Último Capítulo


Cena 1/ Mansão Martins/ Quarto de Larissa/ Interno/ Noite
ADRIANA: Está surpresa em me ver?
LARISSA: Isso não pode ser verdade. O Otávio viu o carro onde você estava capotando e explodindo naquela ribanceira.
ADRIANA: E vocês acreditaram que eu estava naquele carro quando tudo aconteceu? (Adriana solta uma gargalhada): Otários.
(INICIO DO FLASHBACK – Adriana está dentro do carro)
ADRIANA: Eu tenho que desviar a atenção desses idiotas.
(Adriana abre a porta do carro em movimento e sai. O carro faz a curva, cai na ribanceira, capota e explode – FIM DO FLASHBACK)
ADRIANA: Eu não mesmo uma gênia?
LARISSA: Você é louca. Abaixa essa arma, Adriana.
ADRIANA: Nada disso. Eu vim aqui para te matar e eu vou te matar definitivamente, nem que isso custe a minha vida ou a minha liberdade.
LARISSA: Adriana, não faça isso. É minha festa de casamento. Tem um monte de gente lá embaixo me esperando.
ADRIANA: Olha. Você acabou de me dar uma ótima idéia. Eu vou te matar na frente de todos. Todos irão assistir de camarote o trágico fim da tão querida Larissa. Vem comigo.
LARISSA: Não vou. Se quiser me matar, vai ter que me matar aqui.
ADRIANA: Você vem comigo, porque se não vier, além de matar você, eu mato todos os seus convidados sem dó nem piedade. Vem. VEM!
(Adriana pega no braço de Larissa e as duas saem do quarto)

Cena 2/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Noite
OTÁVIO: Vocês não acham que a Larissa está demorando muito?
PAULA: Calma, Otávio. Mulher demora mesmo para trocar de roupa. Digo isso por experiência própria.
OTÁVIO: Eu digo isso porque já faz um tempão que a Larissa se trancou naquele quarto.
RENATO: Ai meu Deus.
OTÁVIO: O que foi?
RENATO: Lá em cima.
(Otávio olha para o piso superior e vê Adriana com Larissa.)
OTÁVIO: LARISSA. Adriana; largue a Larissa agora.
ADRIANA: Nossa, Otávio, cadê os bons modos? Primeiramente, boa noite.
OTÁVIO: Sua maluca. Solta a Larissa agora.
(Otávio corre e sobe alguns degraus da escada)
ADRIANA: Epa. Otávio, se você subir mais um degrau, eu juro que atiro bem no meio da cabeça da Larissa. E então, gente, vocês estão curtindo a festa? Eu juro a vocês que essa festa vai ficar melhor ainda com a minha presença. Vamos comemorar.
(Adriana solta uma gargalhada, enquanto todos permanecem calados e tensos)

Cena 3/ Hospital/ Quarto de Jéssica/ Interno/ Noite
ENFERMEIRA: Doutor, eu posso desligar os aparelhos da paciente?
MÉDICO: Como é triste ver um amor tão lindo terminar dessa maneira.
ENFERMEIRA: É verdade. É bastante penalizante, mas é a vida, não é? Então, eu posso desligar os aparelhos da Jéssica?
MÉDICO: Claro. Pode sim.
(A enfermeira se aproxima da cama de Jéssica e vê quando a garota dá um suspiro)
ENFERMEIRA: Doutor, doutor. A Jéssica acabou de dar um suspiro.
MÉDICO: Você tem certeza?
ENFERMEIRA: Absoluta.
MÉDICO: Traz o reanimador agora.
(A enfermeira entrega o reanimador ao médico, que testa em Jéssica. Depois de duas tentativas, Jéssica abre os olhos)

Cena 4/ Hospital/ Sala de espera/ Interno/ Noite
BRUNO: Você é maluca. Como você pôde ser tão egoísta, tão egocêntrica?
CARLA: Bruno, eu te amo.
BRUNO: Não ama nada. Se me amasse mesmo, você gostaria de ver minha felicidade, você teria salvado a vida da Jéssica.
CARLA: Perdão.
BRUNO: Perdão? Isso é imperdoável. Eu não acredito como eu pude namorar você um dia. Você é podre. Some da minha frente, vai embora daqui.
CARLA: Bruno.
BRUNO: SOME DAQUI!
(Carla, com os olhos marejados, sai acompanhada de Roberta)
BRUNO: Cretina. Cretina.
(O médico se aproxima de Bruno)
MÉDICO: Bruno, aconteceu um milagre com a Jéssica. Ela acordou.
BRUNO: Acordou? Eu posso vê-la?
MÉDICO: Ainda não. Bruno, você tem que encontrar alguém que doe a medula para a Jéssica hoje. Se isso passar de hoje, a morte será a única cura para a Jéssica.
BRUNO: Certo. Doutor, fica aí.
(Bruno sai do hospital correndo)

Cena 5/ Ponto de táxi/ Noite
CARLA: Eu me senti um lixo. Um nada. Foi horrível ouvir aquelas coisas horríveis saindo da boca dele, Roberta. Se eu pudesse consertar tudo o que fiz, eu consertaria. Só para ver o Bruno feliz e sorrindo.
ROBERTA: Calma amiga. Calma.
(Bruno se aproxima de Carla)
BRUNO: Carla, eu quero falar com você.
CARLA: Se você veio continuar com seu showzinho de humilhações, é melhor você dar meia volta e começar a tratar do funeral da Jéssica.
BRUNO: Carla, você me ama mesmo, de verdade? Você gostaria de ter o meu perdão?
CARLA: Claro que sim, Bruno. É o que eu mais quero.
BRUNO: Carla, aconteceu um milagre com a Jéssica. Ela voltou a viver, mas ela precisa fazer o transplante de medula agora. Por favor, salva a vida da Jéssica. Por mim.
CARLA: Ah, é isso é? Desculpa Bruno, mas não. Salvar a vida da Jéssica não.
BRUNO: Não acredito nisso. O pior de tudo é que eu vinha com uma pontinha de esperança de que você poderia aceitar. Tudo bem. Quem sou eu para te obrigar a fazer uma coisa que você não quer? Até nunca mais, Carla.
(Bruno sai)
ROBERTA: Você é louca? O que você tem na cabeça, Carla? Minhocas? Você acabou de desperdiçar a maior chance que você poderia ter para ganhar o perdão do Bruno.
CARLA: E salvar a Jéssica? O que adianta eu ganhar o perdão do Bruno, sabendo que ele iria ficar com a Jéssica e não comigo? 
ROBERTA: Você é bipolar, Carla? Eu estou te perguntando isso, porque você acabou de me dizer que faria tudo para consertar o erro e acabou de desperdiçar essa oportunidade. Se você não fizer isso, você nunca mais vai ganhar o perdão, o carinho, o respeito e a admiração do Bruno. Ou seja, se você salvar a vida da Jéssica, o Bruno será grato por você por toda a vida dele. Pensa bem.

Cena 6/ Hospital/ Quarto de Jéssica/ Interno/ Noite
(Bruno vê Jéssica deitada e entra)
BRUNO: Oi Jéssica.
JÉSSICA: Oi Bruno.
BRUNO: Que susto que você me deu, hein?
JÉSSICA: Desculpa. Não foi a minha intenção.
(Bruno se aproxima de Jéssica, abraça a namorada e começa a chorar)
BRUNO: Eu falhei, Jéssica. Eu não encontrei ninguém que pudesse doar a medula para você. Desculpa. Eu falhei.
JÉSSICA: Ei, ei. Não chora por causa disso, seu bobo. Você fez muito por mim durante esse tempo. Você me deu a força que eu precisava, o teu carinho, o teu esforço e o mais importante de tudo, o teu amor. Eu te amo, Bruno.
(Bruno beija Jéssica. Carla aparece no quarto)
CARLA: Ainda tem tempo para fazer esse transplante?
(Jéssica e Bruno olham para Carla, que dá um leve sorriso. Jéssica e Bruno ficam com os olhos cheios de lágrimas, emocionando Carla)

Cena 7/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Noite
OTÁVIO: Pelo o amor de Deus, Adriana, não faça nenhuma besteira. Não mate a Larissa.
ADRIANA: Eu já disse que eu só saio daqui quando a Larissa estiver morta e se alguém tentar me impedir, eu transformo essa festa em um verdadeiro massacre.
(Larissa se solta de Adriana)
LARISSA: Chega. Eu não agüento mais esse circo. Quer me matar? Então me mata, Adriana. Vai em frente.
ADRIANA: Mas o que é isso? Está me desafiando?
LARISSA: Estou. Eu não agüento mais essa palhaçada que você está armando. Chega. Eu cansei. Vem me matar. Aperta esse gatilho e bum, acaba com isso de uma vez por todas. Atira em mim. VAMOS, ME MATA!
OTÁVIO: Larissa, não faça isso.
ADRIANA: Estou surpresa com o seu comportamento. Quem vê nem imagina que há tanta valentia dentro de você, mas, Larissa, você acha que me intimida com isso?
LARISSA: Intimidar? Não.
ADRIANA: Já que você prefere assim.
OTÁVIO: Não.
(Adriana empurra Larissa, que cai e aponta a arma para Larissa)
ADRIANA: É um, é dois, é três e...
(Alberto aparece)
ALBERTO: Espera.
(Adriana olha para Alberto)
ADRIANA: Alberto?
ALBERTO: Adriana, não faça isso com a Larissa agora. Antes, nós dois precisamos ter uma conversinha?
ADRIANA: Eu não quero conversa com você. Por orientação sua, a Larissa descobriu todo o meu passado. Depois de eu acabar com a vida da Larissa, eu darei cabo da sua.
LARISSA: Não mesmo.
(Larissa parte para cima de Adriana, dando um tapa na mão em que Adriana está segurando a arma. Adriana deixa a arma cair e Larissa sobe em cima da vilã, dando diversos tapas na cara dela)
LARISSA: Cachorra. Vadia. Cretina. Desgraçada. Maldita.
(Otávio e Alberto sobem a escada, chegando ao piso superior. Alberto pega o revólver)
OTÁVIO: Entrega esse revólver para mim, Alberto.
ALBERTO: Não. Otávio, eu tenho um plano. Tira a Larissa de cima da Adriana.
OTÁVIO: Ok. Estou confiando em você, hein?
(Otávio tira Larissa de cima de Adriana)
LARISSA: Me larga, Otávio. Eu quero esfolar a bandida da Adriana com as minhas próprias mãos.
OTÁVIO: Larissa, fique calma.
(Adriana levanta-se)
ADRIANA: Meu revólver. Cadê meu revólver?
ALBERTO: Está procurando por isso?
(Adriana vira-se para Alberto e vê o revólver)
ADRIANA: Esse revólver é meu. O entregue para mim.
ALBERTO: Nada disso. Se você quer tanto esse revólver, vai pegar. 
(Alberto joga a arma, que cai no piso inferior)
ADRIANA: Meu revólver.
(Adriana corre em direção a escada e Alberto aproveita e empurra Adriana da escada, que cai, rolando a escada até o chão. Adriana para desacordada.)
LARISSA: Alberto, olha o que você fez.
ALBERTO: Amarrem-na. Nós não podemos cair no erro da Adriana acordar e fugir. Eu já chamei a polícia e eles estão a caminho. O pesadelo acabou.

Cena 8/ Carro/ Interno/ Noite
GUILHERME: Seu namoradinho não desiste mesmo. Está na hora de acabar com essa perseguição.
JULIANA: O que o senhor vai fazer com o Sérgio?
GUILHERME: Você vai ver.
(Guilherme faz um giro de 360 graus e acelera o carro em direção a moto de Sérgio)
JULIANA: Não. O senhor vai bater no Sérgio.
(Guilherme acelera mais. Juliana dá um soco no pai e pega no volante. Guilherme também pega no volante e o carro desequilibra. Sérgio desvia a moto e cai na pista. O carro de Guilherme cai em uma pequena ribanceira e capota. Sérgio levanta-se)
SÉRGIO: JULIANAAAAAAAAAA!

Cena 9/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Noite
(Adriana acorda e se depara com a polícia)
DELEGADO: Levante-se Adriana. Você está presa e te garanto uma coisa. Hoje você não escapa.
(O delegado levanta Adriana e a algema. Larissa e Otávio, abraçados, se aproximam de Adriana)
LARISSA: Esse é teu fim, Adriana.
OTÁVIO: Espero que você saiba desfrutar dele como ninguém.
ADRIANA: Vagabundos. Vagabundos.
(O delegado leva Adriana até a viatura e a coloca dentro do carro. Todos assistem a prisão de Adriana)

Cena 10/ Estrada/ Noite
(Malaquias tira Juliana do carro. Juliana, andando com dificuldade, se aproxima de Sérgio)
JULIANA: Meu amor.
(Juliana e Sérgio se beijam)
SÉRGIO: Você está bem?
JULIANA: Cadê meu pai. Quando me tiraram do carro, meu pai já não estava lá.
SÉRGIO: Ju, seu pai foi preso. Ele está naquela viatura.
(Sérgio aponta e Juliana se aproxima da viatura onde está Guilherme. Pelo vidro, ela olha para o pai, que olha para ela de volta)

Cena 11/ Paisagens do Rio de Janeiro/ Dia e Noite
DIAS DEPOIS

Cena 12/ Faculdade/ Corredor/ Interno/ Dia
(Bruno anda pelo corredor e vê Carla)
BRUNO: Carla.
(Carla vira-se para Bruno)
CARLA: Oi Bruno.
BRUNO: Eu queria te agradecer por você ter salvado a vida da Jéssica. Obrigado. Eu sempre serei grato a você. Estou te devendo essa.
CARLA: Não está devendo nada. Eu fiz o que eu deveria fazer. Ainda bem que eu acordei a tempo.
BRUNO: E queria te pedir desculpas pelo modo como te tratei no hospital.
CARLA: Eu que tenho que pedir desculpas por ter sido tão egoísta e maldosa. Você me perdoa?
BRUNO: Perdoada. E você me perdoa?
CARLA: Perdoado. Bom, vou indo. Até amanhã. 
(Jéssica aparece)
JÉSSICA: Carla. Só um instante.
(Jéssica se aproxima de Carla)
JÉSSICA: Obrigada por ter salvado a minha vida. Obrigada de coração.
CARLA: Não foi nada. Até.
(Carla sai e Bruno se aproxima de Jéssica, abraçando-a)
BRUNO: Será que um dia ela vai aceitar nosso namoro?
JÉSSICA: Se ela foi capaz de salvar a minha vida com aquele transplante, eu acho que já é um bom começo.
(Bruno e Jéssica se beijam)

Cena 13/ Delegacia/ Sala de visitas/ Interno/ Dia
(Guilherme entra e vê Juliana)
GUILHERME: Juliana? O que você está fazendo aqui? Vai embora, filha. Eu não quero que você me veja nessa situação.
JULIANA: Eu quero saber como o senhor está.
GUILHERME: Estou ótimo. Agora, você pode ir, Juliana. Isso aqui não é lugar para você vir freqüentar.
JULIANA: O senhor é meu pai e eu me preocupo com você.
GUILHERME: Juliana, eu te amo, minha filha. Fiz o que fiz pensando no seu melhor.
JULIANA: O seu único erro foi ter achado que o melhor para mim não é nada daquilo que eu julgo ser melhor.
GUILHERME: Perdão por ter feito aquilo, filha.
JULIANA: Perdoado.
GUILHERME: Será que eu mereço um abraço de perdão?
(Juliana abraça Guilherme)

Cena 14/ Clínica/ Consultório/ Interno/ Dia
RENATO: E então, doutor? Deu para ver algo na ultrassonografia?
MÉDICO: Parabéns. Os papais serão filhos de gêmeos.
PAULA: Gêmeos?
MÉDICO: Isso mesmo. Meus parabéns.
(Paula e Renato se abraçam, emocionados)

Cena 15/ Lanchonete/ Interno/ Dia
SÉRGIO: Como foi lá com seu pai?
JULIANA: Ocorreu tudo bem. Eu o perdoei pelo seqüestro. Sérgio, eu tenho algo muito importante para falar com você.
SÉRGIO: Fala.
JULIANA: Estou grávida.
SÉRGIO: Espera. Você não está me dizendo que...
JULIANA: Isso mesmo. Você será pai, Sérgio. Pai.
(Sérgio abraça Juliana e a beija)

Cena 16/ Paisagens do Rio de Janeiro/ Alternando entre Dia e Noite

10 ANOS DEPOIS

Cena 17/ ONG/ Interno/ Dia
(Sérgio e Juliana entram na ONG, se juntando ao resto da festa. Eles vêem Roberta)
ROBERTA: Vocês vieram.
JULIANA: Claro.
SÉRGIO: Muito bonita a sua ONG.
ROBERTA: Obrigada. Soube que vocês tiveram um filho. Cadê ele?
SÉRGIO: Viajou com meus pais para a casa de praia deles.
JULIANA: Ficamos aqui justamente para comparecermos a sua ONG. Estou tão feliz por você ter se encontrado, Roberta.
ROBERTA: É verdade. Essa ONG foi a maior bênção que eu construí durante esses 10 anos depois.
SÉRGIO: Sem falar que ajudar crianças soropositivas é algo bem prazeroso.
ROBERTA: Ainda mais para alguém que se identifica com todas essas crianças.
(Um rapaz se aproxima de Roberta, Sérgio e Juliana)
PEDRO: É hora do seu discurso, amor.
ROBERTA: Ah claro. Gente, eu quero que vocês conheçam o Pedro, meu namorado. Ele também é soropositivo.
JULIANA: Prazer.
SÉRGIO: Prazer.
PEDRO: O prazer é todo meu.
ROBERTA: Bem, eu tenho um discurso de inauguração para fazer.
JULIANA: Vai lá.
(Roberta se afasta acompanhada de Pedro e sobe em um palco)
ROBERTA: Bom dia a todos.

Cena 18/ Penitenciária feminina/ Pátio/ Interno/ Dia
(Adriana aparece no pátio e vê várias detentas conversando. De longe, Adriana vê uma cadeira de praia, apoiada em um guarda sol. Adriana caminha em direção à cadeira)
ADRIANA (empurrando as detentas que estão no seu caminho): Saiam da minha frente.
(Adriana se aproxima da cadeira e senta.)
ADRIANA: O guarda sol está torto. Eu não quero esses raios solares na minha cara. Ajeite-o.
DETENTA: Sim senhora.
(A detenta ajeita o guarda sol)
ADRIANA: Cadê meu suco de laranja?
DETENTA: Aqui senhora.
(Outra detenta entrega o suco. Adriana bebe e cospe o suco)
ADRIANA: Isso aqui está uma merda.
(Adriana joga o suco na cara da detenta)
ADRIANA: Pegue o leque e me abane. Esse calor está de matar. Não está me ouvindo? Abane-me.
(A detenta abana Adriana, que pega um óculos de sol e põe nos olhos. Ela se deita na cadeira)

Cena 19/ Praia/ Dia
(Otávio, Larissa e Eduardo – o filho de Sérgio e Juliana – passeiam pela praia)
LARISSA: Ainda bem que o mar está calmo. Eu odeio mar agitado.
OTÁVIO: E você acha que eu não sei? Que tal um mergulho?
LARISSA: Por mim, tudo bem.
(Larissa, Otávio e Eduardo – nos braços de Otávio – entram no mar e brincam entre si, felizes)
LARISSA: Eu te amo.
OTÁVIO: Eu te amo.
(Otávio e Larissa se beijam)
LARISSA: Ei, Edu, vem aqui.
(Eduardo é segurado por Otávio e Larissa, que estão abraçados e sorrindo. A CAM passa a filmar o céu azul. FIM)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Vida Fatal - Capítulo 69


Cena 1/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Dia
CELINA: Eu matei o Ramiro.
OTÁVIO: Isso não pode ser verdade. Eu não posso acreditar nisso. Eu não sei nem como me expressar diante dessa situação.
CELINA: Filho, você perdoa sua mãe? Imagino como deve ser difícil para você saber que eu matei seu próprio pai.
DELEGADO: Por que você fez isso, Celina? Devido as coisas que ele fez com você no passado? Pelo fato de ele ter te abandonado grávida para se casar com uma mulher rica?
CELINA: Por incrível que pareça, não. Eu matei o Ramiro em respeito a Gisele, que foi a única que estendeu a mão no momento mais difícil da minha vida.
(INÍCIO DO FLASHBACK – Gisele, após descobrir a traição de Ramiro, chega enfurecida em casa)
GISELE: Desgraçado. Cachorro. Canalha.
CELINA: Não me diga que...
GISELE: Eu vi; Celina. Eu vi o Ramiro e a ninfetinha dele juntos, aos beijos e nus. Vagabundo. Ele não podia fazer isso comigo. Não podia.
CELINA: A senhora está muito nervosa. Vou fazer um chá de camomila para a senhora.
GISELE: Eu não quero nada, Celina. Eu só quero que aquele vagabundo passe por aquela porta. Eu vou despejar um monte na cara dele. Celina, fui eu que transformei o Ramiro nesse empresário conhecido nacionalmente. Eu. E olha como ele me recompensa: com uma traição, com um belo par de chifres na minha cabeça. Desgraçado. Eu dei fama a ele, dei prestígio, orgulho, eu dei aquela mineradora para ele, eu dei tudo a ele e para quê? Para eu passar por isso. Aquele verme me paga. Eu quero vê-lo na fossa, Celina. Eu quero me vingar do Ramiro.
CELINA: Dona Gisele, a sua saúde já é debilitada. Não é melhor a senhora se acalmar um pouco?
GISELE: É aí que eu tenho medo, Celina. Da minha saúde. Eu tenho medo de eu não conseguir me vingar do monstro do Ramiro. Celina, você seria capaz de se vingar do Ramiro por mim? Você faria esse favor por mim?
CELINA: Eu não posso negar nada a senhora, dona Gisele. A senhora foi a única que me ajudou. A senhora me tirou daquela favela, proporcionou uma educação digna para o Otávio. Eu faço o que a senhora quiser.
GISELE: Eu fico feliz em poder contar com você. Eu quero que você pegue aquele frasco de neocicuta que eu tenho lá no fundo da minha última gaveta do criado mudo. Eu quero que você pegue esse frasco de veneno e despeje todo o conteúdo dele na bebida ou na comida do Ramiro, mas faça isso em um momento em que todas as pessoas que o Ramiro prestigia estejam ao lado dele, em uma festa, por exemplo. Eu quero que todos vejam de camarote o declínio, o fracasso, a derrocada da vida de Ramiro Albuquerque.
(FIM DO FLASHBACK)
CELINA: E eu fiz o que ela me pediu. Aproveitei a festa da empresa e o envenenei. Fiz tudo isso pela Gisele, porque se dependesse do Ramiro, hoje eu estaria pedindo esmola debaixo de um viaduto.
OTÁVIO: Eu não acredito no que eu estou ouvindo.
CELINA: Filho, seu pai não é esse homem santo que você acha que é. Muitas vezes, o Ramiro não se importou com você.
OTÁVIO: Mas chegar a matá-lo?
CELINA: A Gisele me pediu. Eu não poderia negar isso a ela. E vocês querem saber de uma coisa? Eu não me arrependo. Se eu tivesse outra oportunidade, eu faria tudo de novo. Filho, você, um dia será capaz de me perdoar?
OTÁVIO: Mãe.
CELINA: Não precisa responder agora. Bom, agora que eu confessei tudo, o que será de mim? Vou parar em alguma penitenciária para idosos?
DELEGADO: Sim, dona Celina. Mas não se preocupe. Eu irei falar ao juiz que a senhora assumiu a autoria do crime por livre espontânea vontade. Isso vai ajudar na redução da sua pena.
CELINA: Não vai me algemar?
DELEGADO: Acho que não será preciso. Eu acho que a senhora tem consciência do que fez e sabe que será punida por isso, de qualquer forma.
CELINA: Perdão, meu filho. Perdão.
(Celina se aproxima do Delegado)
CELINA: Se quiser me prender, esteja à disposição.
OTÁVIO: Espera. Mãe; é claro que eu te perdôo.
(Otávio abraça Celina)
CELINA: Desculpe pelo que eu fiz, por ter te decepcionado, por ter quebrado sua confiança dessa maneira.
OTÁVIO: Não pensa nisso. Tudo vai ficar bem, certo?
CELINA: Certo.
DELEGADO: Vamos, dona Celina?
CELINA: Vamos.
OTÁVIO: Eu vou com a senhora.
CELINA: Eu prefiro que não. Eu não queria que você me visse dessa maneira, filho.
OTÁVIO: Eu irei te visitar, ok?
CELINA: Estarei aguardando. Adeus.
(Celina e o delegado saem)

Cena 2/ Cabana/ Interno/ Dia
CÉSAR: Calma Lucélia. Já que você insiste tanto, eu aceito tua companhia. Você vai para a Amazônia comigo.
LUCÉLIA: Isso não é nenhuma jogada sua não, né?
CÉSAR: Claro que não. Agora larga essa arma e vai arrumar tuas coisas, porque o ônibus tem horário para sair.
LUCÉLIA: Eu vou deixar a arma em cima dessa mesa e eu irei pegar minha mala. Se eu perceber que você fez algum tipo de movimento ou que saiu dessa cabana sem mim, eu vou atrás de você com a arma em punho e atiro na sua cabeça sem dó nem piedade.
(Lucélia põe a arma na mesa)
CÉSAR: Deixa de ser boba e vai logo arrumar tuas coisas.
(Lucélia vira de costas para César. Ele corre em direção a mesa, pega a arma e aponta para Lucélia. César faz um barulho no revólver e Lucélia vira, ficando de frente para César)
CÉSAR: Agora quem está com a arma na mão sou eu.
LUCÉLIA: Larga isso agora.
CÉSAR: Nada disso. Eu não quero sua companhia, Lucélia, e eu irei a Amazônia sem ela. Eu só quero que você saiba que tudo isso que está acontecendo é culpa sua.
(César atira em Lucélia, que cai)
CÉSAR: Vai para o Inferno.
(César dá mais dois tiros em Lucélia e dá um sorriso irônico)

Cena 3/ Cabana / Externo/ Dia
(César caminha e, logo atrás, está a cabana, que explode)

Cena 4/ Casa de Paula/ Sala/ Interno/ Dia
RENATO: Como está a dona Luzia?
PAULA: Está melhor depois de tomar o calmante.
RENATO: Para espairecer um pouco, que tal falarmos do nosso casamento?
PAULA: Acho uma boa idéia. Eu fiquei pensando em uma coisa. A Larissa me contou que ela e o Otávio irão se casar novamente. Por que nós não fazemos um casamento duplo? O nosso e o deles?
RENATO: Eu acho uma ótima idéia. E eles? Será que eles topam?

Cena 5/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Dia
LARISSA: Não fica assim, amor. Eu sei o quanto está difícil para você, mas você tem que ser forte.
OTÁVIO: Você tem razão. E o nosso casamento. Já pensou em algo?
LARISSA: Sim. Eu e a Paula tivemos a idéia de nós nos casarmos no mesmo dia, fazer uma espécie de casamento duplo. O que você acha?
OTÁVIO: Por mim tudo bem. Amor, eu vou até a delegacia saber da minha mãe.
LARISSA: Claro, vai lá. Eu sei que você não está com cabeça agora para qualquer outro tipo de conversa.

Cena 6/ Rodoviária/ Interno/ Dia
(César entrega a passagem dele, que é carimbada. Ele se dirige ao ônibus e entra. O ônibus parte)

Cena 7/ Paisagens do Rio de Janeiro
DIAS DEPOIS
Cena 8/ Hospital/ Quarto de Jéssica/ Interno/ Dia
(O médico e duas enfermeiras entram rapidamente no quarto. Eles vêem Jéssica, que está tendo uma convulsão)
MÉDICO: Reanimador. Reanimador.

Cena 9/ Hospital/ Sala de espera/ Interno/ Dia
BRUNO: Ai meu Deus, será que está dando certo? Será que eles conseguiram conter a convulsão?
LUCIANA: Calma Bruno. Mantenha a calma. Vai dar tudo certo.
(O Médico se aproxima)
MÉDICO: Com licença.
BRUNO: E então, doutor?
MÉDICO: Ocorreu uma coisa inesperada com a Jéssica. A convulsão, que ainda não sabemos informar com clareza a origem, tomou proporções maiores. Sinto muito, mas a Jéssica não resistiu.
BRUNO (com os olhos marejados): O quê? Isso não pode ser verdade. Diz pra mim que isso não é verdade, que vocês não estão mentindo. Não. A Jéssica não.
LUCIANA: Bruno.
BRUNO (chorando e abraçando Luciana): Não. A Jéssica não. Ela é tão nova, ta bondosa. Por quê? Por que você a condenou dessa maneira, Deus? Por quê? (deixa de abraçar Luciana e corre em direção ao quarto de Jéssica)

Cena 10/ Hospital/ Quarto de Jéssica/ Interno/ Dia
(Bruno entra e vê Jéssica deitada e desacordada. Morrendo de chorar, Bruno se aproxima de Jéssica e pega nela)
BRUNO: Não, não, não. Fica comigo, meu amor. Não me deixa. Eu te amo tanto. Não faz isso comigo.
(Bruno beija Jéssica)
BRUNO: Jéssica. Volta pra mim.
(O médico, com o reanimador nas mãos, e Luciana entram, chorosos. O médico se aproxima de Bruno)
MÉDICO: Não adianta mais. Nós já tentamos o reanimador e nada.
BRUNO: Eu prometi a Jéssica que iria salvá-la e vou.
(Bruno pega o reanimador e aciona em Jéssica)
MÉDICO: Pare com isso. Você não sabe controlar o reanimador.
BRUNO: Não me impeça. Jéssica, meu amor, volta para mim. Fica comigo. Abre os olhos, respira, fala alguma coisa, mas volta para mim.
(O médico pega o reanimador das mãos de Bruno, que abraça o corpo de Jéssica e chora ainda mais)
BRUNO: Eu te amo, meu amor. Eu te amo.
(Luciana se aproxima de Bruno e tenta levantá-lo)
LUCIANA: Bruno, bruno.
(Bruno abraça Luciana e continua a chorar)

Cena 11/ Faculdade/ Corredor/ Interno/ Dia
CARLA: Morta?
ROBERTA: Isso mesmo. Eu ouvi a moça da recepção comentando. O pior de tudo é que você poderia ter evitado isso.
CARLA: E o Bruno?
ROBERTA: Sofrendo, óbvio.
CARLA: Eu irei até o hospital consolá-lo.
ROBERTA: Se eu fosse você, iria contar toda a verdade para ele.
CARLA: Se eu fizer isso, o Bruno vai me odiar para sempre.
ROBERTA: Carla, ou você conta toda a verdade ou eu conto.

Cena 12/ Igreja/ Interno/ Dia
(Todos os convidados estão sentados. Ao centro, no altar, estão posicionados Paula e Renato e Otávio e Larissa.)
PADRE: Os noivos podem beijar suas respectivas noivas. E que Deus ilumine esses novos dois casais que se formam.
(Paula beija Renato e Larissa beija Otávio. Todos os convidados levantam-se)

Cena 13/ Hospital/ Sala de visitas/ Interno/ Dia
(Bruno está cabisbaixo e sentado. Carla e Roberta entram e vêem o garoto. Carla se aproxima de Bruno)
CARLA: Oi. Você está bem?
BRUNO: Não. Ela não resistiu, Carla.
CARLA: Eu soube. Bruno, eu não gosto de te ver triste. Eu sei o quanto a Jéssica foi importante para você, mas você tem uma vida para tocar em frente. Erga a cabeça e siga em frente.
BRUNO: Sem a Jéssica? Impossível. Ela era tudo para mim, Carla. Eu me divertia ao lado dela, eu sorria ao lado dela. A Jéssica foi a única que me fez feliz por completo.
CARLA: Desculpa se o nosso namoro não foi tão marcante assim para você. Eu só não quero te ver assim. Isso me entristece, sabia?
(Roberta se aproxima)
ROBERTA: Com licença. Meus pêsames, Bruno.
BRUNO: Incrível esse mundo, não? Vocês duas odiavam a Jéssica, mas foram as primeiras a aparecer para me dar os pêsames.
ROBERTA: A gente sente muito. E eu aprendi a respeitar a Jéssica depois da ajuda da Juliana.
BRUNO: Pena que fez isso tarde demais.
ROBERTA: Ela morreu devido ao câncer mesmo?
BRUNO: Não. Segundo o médico, isso aconteceu devido a uma convulsão inesperada que não tinha nada a ver com a leucemia.
ROBERTA: Bruno, eu posso falar com você?
CARLA: Que falta de educação, Roberta. Eu cheguei aqui primeiro.
ROBERTA: Ou eu falo ou você fala. Esqueceu disso?
BRUNO: O que está acontecendo? Do que vocês estão falando?
ROBERTA: Do egoísmo da Carla, Bruno.
CARLA: Para com isso, Roberta.
BRUNO: Egoísmo?
ROBERTA: Sim. A verdade é que a Carla poderia doar medula para a Jéssica. Ela mentiu para você por maldade, porque queria ver a Jéssica morta para depois te consolar e te seduzir.
BRUNO: O quê?
CARLA: Isso é mentira, bruno. Não acredita nela, por favor.
ROBERTA: É a verdade, bruno. Resta você acreditar ou não.
(Carla pega no braço de Bruno, mas ele se esquiva)
BRUNO: Não toca em mim, sua maluca.

Cena 14/ Calçada/ Dia
JULIANA: Você não vai para a festa de casamento dos seus pais?
SÉRGIO: Daqui a pouco. Eu quero curtir a gente a sós.
(Guilherme se aproxima do casal em um carro. Ele sai do carro e pega Juliana)
JULIANA: Mas o que é isso, pai? Que carro é esse?
GUILHERME: Não interessa. Você vem comigo.
JULIANA: Solta meu braço.
SÉRGIO: Solta o braço dela agora.
GUILHERME: Cala essa boca. Moleque.
(Guilherme dá um soco em Sérgio, que cai no chão. Guilherme pega Juliana e a coloca dentro do carro. Ele entra e parte)
SÉRGIO: Juliana. Juliana.
(Sérgio levanta-se e pega o celular)
SÉRGIO (ligando a sua moto): Alô; é da polícia? Minha namorada acabou de ser seqüestrada.
(Sérgio liga a moto e parte)

Cena 15/ Carro/ Interno/ Dia
JULIANA: Para com isso, pai. Para esse carro e me deixa sair.
GUILHERME: Para quê? Para você voltar para os braços do Sérgio? Nada disso. Eu não quero ver você com aquele garoto.
JULIANA: Para onde o senhor está me levando?
GUILHERME: Para um lugar bem longe daquele moleque, da sua mãe, de toda essa corja. Para um lugar em que só tenha eu e você, filha.
(O celular de Juliana toca. Ela pega e vê que é Luciana)
JULIANA: É minha mãe.
GUILHERME: Me dá esse celular.
JULIANA: Ele é meu e minha mãe quer falar comigo.
GUILHERME: Eu disse para você me dar esse celular.
(Guilherme pega o celular da mão de Juliana e o joga na estrada. Ele vê a moto de Sérgio pelo retrovisor)
GUILHERME: Droga. Seu namoradinho está atrás de nós.

Cena 16/ Paisagens do Rio de Janeiro/ Noite

Cena 17/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Noite
(Todos os convidados estão dançando ao som de uma música dance. Renato e Paula chegam. Eles se aproximam de Otávio)
RENATO: Pronto. Levei a Paula em casa e ela já está vestida a caráter para a festa.
PAULA: Cadê a Larissa?
OTÁVIO: Está no quarto. Foi trocar de roupa. Vocês querem um drinque? Afinal, essa festa é de vocês também.

Cena 18/ Mansão Martins/ Quarto de Larissa/ Interno/ Noite
(Larissa sai do banheiro e se direciona a sua penteadeira. Ela fica em frente ao espelho, tira os brincos e abaixa para guardá-los em uma gaveta. Ao se levantar e olhar para o espelho, Larissa vê o reflexo de Adriana com uma arma apontada em sua direção)
LARISSA: Adriana?
(Larissa vira-se para Adriana)
ADRIANA: Boa noite, querida.
LARISSA: Você na está...
ADRIANA: Morta? (soltando uma gargalhada): BU!
(Congela em Larissa)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Vida Fatal - Capítulo 68


Cena 1/ Hospital/ Corredor/ Interno/ Noite
(Adriana passa pelo corredor, rindo. Sérgio e Otávio aparecem no corredor e se deparam com a vilã)
OTÁVIO: Adriana? O que você está fazendo aqui? 
SÉRGIO: Ai meu Deus, minha mãe.
(Sérgio entra no quarto da mãe)
OTÁVIO: Você fez alguma coisa com a Larissa?
ADRIANA: Por que você mesmo não vai verificar?
OTÁVIO: Sua bandida.
ADRIANA: Otário.
(Adriana empurra Otávio, que cai em cima do bebedouro. Adriana sai correndo. Otávio levanta-se, tira o celular do bolso e segue Adriana)
OTÁVIO (com o celular no ouvido): Alô. É a polícia?

Cena 2/ Hospital/ Quarto de Larissa/ Interno/ Noite
SÉRGIO: A senhora está bem?
LARISSA: Estou, meu filho.
SÉRGIO: Aquela vadia não podia fazer isso.
LARISSA: Não se preocupe. Eu sou muito mais esperta que a Adriana. Só foi parar um pouco a respiração, que deu tudo certo.

Cena 3/ Hospital/ Externo/ Noite
(Adriana vê um taxi, abre a porta, dá um soco no taxista, tira-o de dentro do carro, entra no taxi e parte. Logo atrás, aparece Otávio, que entra no seu carro e persegue Adriana)

Cena 4/ Casa de Roberta/ Quarto de Roberta/ Interno/ Noite
CARLA: Como estão as coisas com você?
ROBERTA: Muito melhores depois daquela palestra que a Juliana proporcionou.
CARLA: Você fala como se a Juliana fosse a salvadora da pátria. Até esquece que foi ela que espalhou para a faculdade inteira que você é soropositiva.
ROBERTA: A Juliana me ajudou e é isso que importa. Eu queria recompensá-la de alguma forma, mas você insiste nessa mentira.
CARLA: Eu não consigo entender qual a relação entre a recompensa que você quer dar a Juliana e a situação da Jéssica.
ROBERTA: A Jéssica é melhor amiga da Juliana. Já pensou se ela morre? Eu não queria ver a Juliana sofrer, ainda mais sabendo que eu poderia evitar esse sofrimento.
CARLA: Que meiga. Pois saiba que eu continuarei mentindo. Se depender de mim, o Bruno nunca saberá que eu posso doar a medula para Jéssica e salvar a vida dela.
ROBERTA: Se você continuar com isso, eu acho melhor a gente acabar com a nossa amizade.
CARLA: Você prefere assim? Ok, então. Adeus Roberta.
(Carla sai)

Cena 5/ Hospital/ Sala de espera/ Interno/ Noite
LUCIANA: Conversou com a Jéssica?
BRUNO: Sim. Ela está perdendo as esperanças. Ela acha que não será salva.
LUCIANA: Imagino como ela deve está sofrendo.
BRUNO: Eu tenho medo que eu não consiga encontrar um doador compatível, Luciana. Tenho medo de não salvar a Jéssica. Eu não quero perdê-la.
LUCIANA: Não pense nessas coisas negativas, Bruno.
BRUNO: Não tem como deixar de pensar. Não tem.

Cena 6/ Lanchonete/ Interno/ Noite
GUILHERME: Filha, eu te chamei aqui porque eu quero que você entenda as razões que eu tenho para não querer você com o Sérgio.
JULIANA: Pai, se o senhor for falar mal do Sérgio, é melhor a gente desistir dessa conversa.
GUILHERME: Mas, filha, aquele menino não presta.
JULIANA: Não presta por quê? O senhor não sabe nada dele. Se o senhor se desse a chance de conhecê-lo melhor.
GUILHERME: Eu não gosto de ver você namorando o filho do Guilherme, meu pior inimigo, o homem que eu mais odeio na face da Terra.
JULIANA: Seu primo, aliás. O Otávio é seu primo.
GUILHERME: Outro fator que me leva a odiá-lo ainda mais. Não faça isso comigo, filha. Não me dê esse desgosto de vê-la com aquele garoto. O Sérgio é um moleque, só você não vê isso.
JULIANA: Eu amo o Sérgio, pai. Isso é o suficiente para querê-lo por perto.
(Juliana levanta-se e sai)
GUILHERME: Eu vejo que terei que apelar para o plano B.

Cena 7/ Delegacia/ Cela de Thais/ Interno/ Noite
(Thais está deitada em uma cama. Uma detenta se aproxima dela)
DETENTA: Essa cama é minha. Sai fora.
THAIS: Sua? Por acaso seu nome está aqui?
DETENTA: Não me provoque, garota. Desde que você chegou aqui, eu não fui com a tua cara. Para eu me revoltar contra ti, é questão de dois tempos.
THAIS: Ui, que meda.
DETENTA: Tá querendo me desafiar?
THAIS: Tá aí. Estou. 
(A detenta saca um canivete)
DETENTA: Você não é párea para mim, fedelha. Eu acabo contigo em um piscar de olhos.
(A detenta maneja o canivete, mas Thais recua. A detenta pega no braço de Thais e crava o canivete na barriga dela. Thais cai, ensangüentada.)

Cena 8/ Estrada/ Noite
(Adriana está dirigindo o táxi em alta velocidade. Logo atrás, está Otávio. Duas viaturas se aproximam do carro de Otávio e passam a perseguir Adriana)
ADRIANA: Droga. Aquele merdinha chamou a polícia.
(Adriana atravessa uma curva e o táxi onde ela está se desequilibra, caindo em uma pequena ribanceira, capotando e explodindo. Otávio e os policiais saem do carro e presenciam a explosão do táxi)

Cena 9/ Paisagens do Rio de Janeiro/ Dia

Cena 10/ Cabana/ Interno/ Dia
(César, com duas malas, vê Lucélia dormindo no sofá. Ele abre a porta. De repente, César ouve uma voz)
LUCÉLIA: Aonde você pensa que vai?
(César vira-se para Lucélia)
Cena 11/ Casa de Paula/ Sala/ Interno/ Dia
(A campainha toca. Paula atende)
PAULA: Delegado?
DELEGADO: Bom dia.
(Luzia entra)
LUZIA: Olá, tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
DELEGADO: Aconteceu e é uma coisa nada agradável.
PAULA: Do que o senhor está falando?
DELEGADO: A Thais morreu na delegacia. Ela brigou com uma detenta e acabou levando a pior.
(Luzia começa a chorar e se apóia nos braços de Paula)
LUZIA: Minha filha. Minha Thais.
PAULA: Calma mãe.
DELEGADO: Eu sinto muito. Se quiserem enterrar o corpo, ele já foi liberado.

Cena 12/ Mansão Albuquerque/ Sala/ Interno/ Dia
(Celina desce a escada e vê duas malas)
CELINA: Mas que malas são essas?
GONÇALA: São minhas, dona Celina.
CELINA: Como assim?
GONÇALA: Ontem, minha tia do interior ligou e está precisando muito de mim. A filha dela de 15 anos está grávida e ela não está sabendo lidar muito com a situação.
CELINA: Você vai embora e vai me deixar sozinha nessa mansão enorme?
GONÇALA: Eu falei com a polícia e tudo e eles me liberaram, mas eu tive que dar o endereço da cidade onde eu vou passar a morar. Caso a senhora queira me visitar um dia...
CELINA: Não Gonçala. Cada uma de nós tem sua vida, não é verdade? Vá em frente.
GONÇALA: Obrigada. Até qualquer dia.
CELINA: Até.
(Gonçala sai)

Cena 13/ Cabana/ Interno/ Dia
CÉSAR: Lucélia? Eu pensei que você estava dormindo.
LUCÉLIA: E você ia aproveitar a oportunidade e fugir, não é verdade?
CÉSAR: Lucélia...
LUCÉLIA: Você pretendia ir sozinho a Amazônia, não é?
CÉSAR: Eu não queria te acordar, só isso.
(Lucélia saca um revólver)
LUCÉLIA: Ou você me leva para a Amazônia junto com você ou eu te mato agora. E aí, qual vai ser?

Cena 14/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Dia
(Celina entra e vê Otávio sentado)
CELINA: Oi filho.
OTÁVIO: Mãe?
CELINA: Vim te ver, filho. A Gonçala foi embora da mansão. Eu estou tão sozinha naquele lugar enorme.
(O delegado entra)
DELEGADO: Com licença.
OTÁVIO: Delegado? O que aconteceu?
DELEGADO: Eu descobri quem matou o Ramiro.
CELINA: Bem, eu irei avisar a Raimunda para ela passar um café para vocês.
DELEGADO: Não, Celina. Eu quero que você participe dessa conversa, afinal você já teve um caso com o Ramiro, teve um filho com ele.
OTÁVIO: Diga delegado. Quem matou?
DELEGADO: Eu prefiro que a dona Celina esclareça melhor essa história.
OTÁVIO: Como assim? O que você está insinuando?
DELEGADO: Eu não estou insinuando nada. Eu só quero que a dona Celina esclareça porque as digitais dela foram encontradas no frasco de neocicuta que eu encontrei nas coisas da Adriana.
CELINA: Isso é um absurdo. Essa análise está errada.
DELEGADO: Não tem como ela está errada. Vamos, dona Celina, esclareça essa história. Eu quero entender porque as suas digitais foram encontradas nesse frasco que eu encontrei em um esconderijo do guarda roupa da Adriana.
OTÁVIO: Guarda roupa? Mas foi nesse esconderijo que eu achei os documentos falsos da Adriana e eu me lembro de não ter achado nenhum veneno lá.
DELEGADO: Isso reforça ainda mais a minha hipótese de que foi a Dona Celina que implantou o neocicuta nas coisas da Adriana.
CELINA: Mas isso é um absurdo.
OTÁVIO: Mãe, fale a verdade, por favor. Não quebre a confiança que eu passei o tempo todo depositando na senhora.
CELINA: Você promete que vai me perdoar?
DELEGADO: Vamos, dona Celina. Confesse.
CELINA: Eu matei o Ramiro. Pronto, não é essa a resposta que você queria? Eu matei o Ramiro. Eu sou a assassina de Ramiro Albuquerque. Satisfeitos?
(Congela em Celina)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Vida Fatal - Capítulo 67


Cena 1/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Dia
LARISSA (com uma das mãos no pescoço de Adriana): Pensou que seria fácil acabar com a minha vida?
ADRIANA: Larga meu pescoço. Você está me sufocando.
LARISSA: Você tem uma péssima mira. Sua bala atingiu meu ombro, não desse braço, mas do outro, óbvio.
ADRIANA: Eu disse para você largar meu pescoço.
(Adriana dá uma tapa em Larissa, que solta a mão do pescoço de Adriana. Adriana levanta-se, pega a arma e aponta para Larissa)
ADRIANA: Eu posso ter errado o alvo nessa primeira vez, mas, agora, eu juro para mim mesma que eu acabo contigo definitivamente. Adeus Larissa.
(Nesse momento, Adriana é atingida por um vaso. Adriana cai, desacordada.)
LARISSA: Raimunda?
RAIMUNDA: Ainda bem que eu acordei a tempo de impedi-la. A senhora está bem?
LARISSA: Ela atingiu meu ombro e está ardendo muito. Faz o seguinte. Liga para a polícia agora.
RAIMUNDA: A senhora não quer que eu chame a ambulância?
LARISSA: Liga para a ambulância depois. Primeiro, ligue para a polícia. Temos que aproveitar esta oportunidade da Adriana está desacordada.
RAIMUNDA: Sim senhora.
LARISSA: Raimunda, pega a arma da Adriana também.
(Raimunda pega a arma e sai em direção ao telefone)

Cena 2/ Apartamento de Adriana/ Quarto de Adriana/ Interno/ Dia
(O delegado e Malaquias estão vistoriando o guarda roupa de Adriana. O delegado percebe a superfície oca, abre e encontra um frasco de neocicuta no esconderijo)
DELEGADO: Malaquias, olhe o que eu acabei de encontrar.
(O delegado mostra o veneno para Malaquias)
MALAQUIAS: O segundo frasco de veneno para ser mandado para a perícia.
DELEGADO: Isso mesmo. Nós já revistamos as casas de todos os suspeitos e as únicas residências em que encontramos algo que se ligue ao crime foram a do César e esta da Adriana.
MALAQUIAS: Isso significa que eles são os únicos que podem ter assassinado o Ramiro?
DELEGADO: Claro que não, afinal os outros podem ter escondidos muito bem as ferramentas que eles possuem que possam incriminá-los. Mas são esses dois que precisaremos encontrar o mais rápido possível e pôr contra a parede.
Cena 3/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Dia
(Adriana acorda e vê Larissa. Adriana procura pela arma)
ADRIANA: Cadê minha arma?
LARISSA: Larissa comeu. Agora quero ver você me matar, vadia.
ADRIANA: Ok. Quem precisa de arma para matar alguém que está imobilizado no chão como você? Pode deixar. Eu te mato com as minhas próprias mãos.
(Otávio aparece e empurra Adriana, que cai)
OTÁVIO: Não toque na Larissa.
LARISSA: Otávio? Você não tinha ido à empresa? 
OTÁVIO: Sim, mas tive que voltar para pegar uns documentos. Você está bem, meu amor? Essa louca fez alguma coisa com você?
LARISSA: Ela atirou no meu ombro.
ADRIANA: Otávio, você não vai me impedir de matar essa desgraçada da Larissa.
OTÁVIO: Se você se aproximar da Larissa, eu juro que a única defunta dessa casa será você.
(Raimunda aparece)
RAIMUNDA: Liguei para a polícia e a ambulância. O delegado já está a caminho.
ADRIANA: Polícia? Não acredito. Droga. Fiquem sabendo que eu voltarei para acabar com vocês.
(Adriana sai correndo)
LARISSA: Ela está fugindo. Alguém vaia trás dela.
RAIMUNDA: Eu vou, dona Larissa.
(Raimunda sai e Otávio beija Larissa)
LARISSA: Será que isso nunca vai ter fim?

Cena 4/ Mansão Martins/ Jardim/ Interno/ Dia
(Adriana tenta pular o muro. Raimunda se aproxima da vilã, puxa o pé dela e Adriana cai)
RAIMUNDA: Isso é por você ter me atingido com aquele vaso.
(Raimunda estapeia Adriana)
RAIMUNDA: E se você pensa que vai fugir, está muito enganada.
(Raimunda pega Adriana pelo braço e a empurra contra o muro. Adriana cai e vê um pedaço de madeira. Ela pega a madeira e atinge Raimunda, que cai, desacordada. Adriana pula  o muro)

Cena 5/ Mansão Albuquerque/ Cozinha/ Interno/ Dia
CELINA: Como essa casa vazia é sem graça. 
GONÇALA: Está assim porque o Otávio te deu a mansão?
CELINA: Em parte, sim. O que eu quero morando em uma mansão enorme como essa, porém sozinha?
GONÇALA: Você não está sozinha. Eu estou aqui ainda.
CELINA: É verdade e eu admiro cada vez mais sua companhia. Passei tantos momentos bons nessa casa. E ruins também. Infelizmente, esses momentos ruins não dão para esquecer.
GONÇALA: O que a senhora pretende para o almoço?
CELINA: Deixo a escolha do cardápio a sua disposição.

Cena 6/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Dia
DELEGADO: Vocês deixaram a Adriana fugir?
OTÁVIO: Delegado, aquela doida atirou na Larissa. E a Raimunda foi atrás da Adriana, mas ela foi muito mais esperta.
RAIMUNDA: Desculpem.
LARISSA: Não precisa pedir desculpa, Raimunda. A culpa não foi sua.
OTÁVIO: Agora, eu preciso levar a Larissa para o hospital. O médico precisa retirar essa bala do ombro da Larissa.
DELEGADO: Tem razão. Antes de ir, quero avisar que eu revistei o apartamento da Adriana e encontrei um neocicuta lá.
OTÁVIO: Não acredito. Então, a Adriana pode ter matado meu pai mesmo.

Cena 7/ Cabana/ Interno/ Dia
LUCÉLIA: Não agüento mais ficar escondida nesse lugar. Até a favela era melhor do que aqui.
CÉSAR: Estou pensando em sair do Rio de Janeiro. Quero investir em algo novo. Quem sabe na Amazônia?
LUCÉLIA: Como assim?
CÉSAR: Soube que está tendo uma busca muito grande por diamantes lá. Estou pensando em tentar essa sorte.
LUCÉLIA: E você vai me levar?
CÉSAR: Não é por nada, Lucélia, mas desde que meu caminho se cruzou com o seu, eu só estou me metendo em encrenca.
LUCÉLIA: E a culpa é minha? César, nem pense em me tirar desse seu plano, hein?
CÉSAR: E o que você vai fazer comigo?
LUCÉLIA: Algo de tão macabro que você vai desejar não ter nascido.

Cena 8/ Hospital/ Quarto de Larissa/ Interno/ Dia
OTÁVIO: Como ela está?
DOUTOR: Está bem. Para falar a verdade, isso não foi nada demais.
OTÁVIO: E o processo de retirada da bala correu tudo bem?
DOUTOR: Da forma mais perfeita. Como eu disse, sua esposa está bem. Ela só precisa passar por essa observação, porque a bala, por pouco, não atingiu um osso muito importante para o sustento do pescoço. Com licença.
(O médico sai)
Cena 9/ Hospital/ Quarto de Jéssica/ Interno/ Dia
BRUNO: Gostou da festa?
JÉSSICA: Amei. Eu só não queria celebrar meu aniversário desse jeito. Obrigada, viu? Foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado.
BRUNO: Fico feliz com isso. Mas não se preocupa. Tudo isso vai passar.
JÉSSICA: Bruno, nós temos que ser realistas. Dias já se passaram e nada de você ter encontrado um doador compatível. Você acha mesmo que eu vou ter salvação?
BRUNO: Claro que vai.
JÉSSICA: Eu não quero te perder, Bruno.
BRUNO: E não vai. Eu te prometo. Eu te amo, Jéssica.
JÉSSICA: Caso a doença venha me dominar, você me promete que nunca vai me esquecer?
BRUNO: A doença não vai te dominar nunca, Jéssica. Eu vou arranjar algum doador. Confia no que eu te digo. Você será salva.
JÉSSICA: Mesmo assim, você jura que nunca vai me esquecer?
BRUNO: Eu vou te amar para sempre, por toda minha vida.
(Bruno beija Jéssica)

Cena 10/ Apartamento de Luciana/ Sala/ Interno/ Dia
LUCIANA: Como é? Repete a pergunta, porque eu acho que não ouvi direito.
GUILHERME: Por que você não proibiu o relacionamento da Juliana com o Sérgio?
LUCIANA: Por que eles se amam, um faz o outro feliz e, acima de tudo, porque o Sérgio é um bom menino.
GUILHERME: Bom menino? Ele é filho do homem que desgraçou minha vida. Se eu estou desempregado, isso é culpa do Otávio, que manchou o meu nome em todas as empresas do Brasil.
LUCIANA: Nada disso. A culpa é sua. Você que preferiu viver de um golpe a trabalhar honestamente, como um homem de bem. Agora, arque com as conseqüências. E, saia da minha casa, porque eu tenho mais o que fazer.
GUILHERME: Você vai se arrepender amargamente por estar de acordo com esse namoro.
(Guilherme sai)

Cena 11/ Rua erma/ Dia
(Adriana caminha)
ADRIANA: Desgraçada. Eu tinha a faca e o queijo na mão e desperdicei tudo. Droga. Matar a Larissa já virou questão de princípio. Eu vou acabar com aquela vadia nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida.

Cena 12/ Lanchonete/ Interno/ Dia
SÉRGIO: Seu pai foi falar com a sua mãe sobre o nosso namoro?
JULIANA: Sim. Minha mãe acabou de me ligar avisando que ele esteve lá em casa.
SÉRGIO: Seu pai está disposto a não nos ver juntos. Nós não podemos deixá-lo estragar o nosso relacionamento.
JULIANA: E o que você propõe?
SÉRGIO: Fugir. Vamos viver longe dessas pessoas.
JULIANA: Nossa. Essa idéia já aumentou minha taxa de adrenalina. Mas você sabe que não é o melhor momento.
SÉRGIO: Está se referindo a Jéssica?
JULIANA: Também. E agora que eu reencontrei minha mãe, então. Você entende, não é?
SÉRGIO: Claro que sim, mas não apaga essa idéia da sua cabeça, não. Vai que você mude de idéia.
(O telefone de Sérgio toca)
SÉRGIO: Alô? Minha mãe?

Cena 13/ Paisagens do Rio de Janeiro/ Noite

Cena 14/ Hospital/ Sala de espera/ Interno/ Noite
(Sérgio chega e vê Otávio)
SÉRGIO: Como está minha mãe?
OTÁVIO: Está bem. Ela vai ficar só essa noite aqui.
SÉRGIO: Adriana desgraçada. Se eu vir essa mulher, eu juro que mato ela.

Cena 15/ Hospital/ Corredor/ Interno/ Noite
(A CAM mostra uma enfermeira de costas e um médico com uns prontuários à frente. O médico esbarra na enfermeira, que vira o rosto para a CAM. É Adriana vestida de enfermeira. Adriana se abaixa, pega os prontuários e entrega-os ao médico, que recebe os documentos e volta a andar. Adriana continua andando (de costas para a CAM)

Cena 16/ Hospital/ Quarto de Larissa/ Interno/ Noite
(Larissa está dormindo - OBS: a sala está escura – Adriana entra)
ADRIANA: De hoje isso não passa.
(Adriana pega um travesseiro, se aproxima de Larissa e pressiona o travesseiro na protagonista. Larissa começa a se debater e Adriana pressiona mais, até que Larissa deixa de respirar e relaxa. Adriana tira o travesseiro do rosto de Larissa e o recoloca na cama)
ADRIANA: Fim.
(Adriana começa a rir e sai do quarto. Larissa, de repente, abre os olhos)
(Congela nos olhos de Larissa)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Vida Fatal - Capítulo 66


Cena 1/ Corredor/ Interno/ Dia
ADRIANA: Não. Eu não vou deixar vocês me prenderem nunca.
(Adriana empurra um policial e sai correndo)
DELEGADO: Vocês dois vão atrás dela. Pode deixar. Eu cuido Otávio.

Cena 2/ Outro corredor do prédio/ Interno/ Dia
(Adriana desce as escadas e vê o elevador de serviço abrir. Ela entra e se depara com uma faxineira do prédio. O elevador fecha)

Cena 3/ Térreo/ Interno/ Dia
(Adriana, disfarçada, sai do elevador, passa pela portaria e sai)

Cena 4/ Apartamento de Adriana/ Sala/ Interno/ Dia
(Otávio, que está deitado, abre os olhos e levanta-se)
OTÁVIO: Ai, minha cabeça. Que dor.
DELEGADO: Até que não demorou muito pra você acordar.
OTÁVIO: Delegado Paredes? O que o senhor está fazendo aqui n apartamento da Adriana? Falando nela, cadê a Adriana?
DELEGADO: Você não se lembra de nada, Otávio?
OTÁVIO: Lembro que vim até aqui para falar com a Adriana, nós discutimos e depois, recebi uma pancada na cabeça e desmaiei.
DELEGADO: A Adriana estava tentando te matar, Otávio. A sorte é que eu cheguei a tempo de impedi-la. Eu recebi aqueles documentos que provam que a Adriana era uma estelionatária. O Sérgio me avisou que você veio aqui para se encontrar com ela. Aproveitei a oportunidade e vim até aqui para prendê-la na sua frente.
OTÁVIO: E vocês a prenderam?
DELEGADO: Ainda não. Meus outros dois policiais foram atrás dela e tem uma viatura com outros guardas lá embaixo a espreita. Eu queria mesmo falar com você.
(O delegado entrega um documento a Otávio)
OTÁVIO: O que é isso?
DELEGADO: O resultado da perícia que fizeram naquela carta que encontraram nas coisas da Larissa.
OTÁVIO: Ah, lembro. E que resultado diz?
DELEGADO: A Larissa é inocente. Realmente, ela não escreveu aquela carta. Ela havia sido implantada por alguém. Eu quero que você me diga onde a Larissa está escondida. Eu sei que você sabe onde ela está.
OTÁVIO: Não sei se vai ser uma boa idéia.
DELEGADO: Não se preocupe, Otávio. Isso aqui não é uma cilada para capturar a Larissa. Afinal, eu acabei de dizer que ela é inocente.
Cena 5/ Faculdade/ Corredor/ Interno/ Dia
ROBERTA: Juliana, eu queria te agradecer pela palestra. Acho que ela vai ajudar bastante minha vida daqui pra frente nessa faculdade.
JULIANA: Não precisa agradecer, Roberta. Eu fiz o que deveria fazer.
ROBERTA: Essa palestra me fez perceber o quanto eu fui infantil e idiota com você. Eu queria saber se você é capaz de me perdoar por todas as armações que eu fiz contra você.
JULIANA: Claro que sim. Afinal, eu não fui a única vítima dessa história. Eu te fiz de vítima também, quando eu contei para todos sobre a sua doença.
ROBERTA: Amigas?
JULIANA: Não sei dizer se já nos podemos considerar amigas, mas eu prometo que vou tentar.
ROBERTA: Para mim, isso já é um grande avanço.
(Juliana e Roberta se abraçam)

Cena 6/ Delegacia/ Sala de visitas/ Interno/ Dia
(Thais entra)
THAIS: Não estou acreditando nisso. Depois daquele papelão que você fez na igreja, como você tem coragem de aparecer aqui?
PAULA: Eu quero saber como você está.
THAIS: Eu não quero papo com você, sua descarada. Vai viver tua vidinha e me deixa em paz.
PAULA: Você fala como se não tivesse culpa de nada. Saiba que tudo isso começou por culpa sua. Você achou certo em me dopar, roubar a minha vida, se passar por mim para ter tudo o que é meu?
THAIS: Eu só queria ter uma vida digna aqui.
PAULA: E porque você não construiu a sua própria vida? Você é bonita, inteligente, esperta. Poderia usar essa astúcia para fazer o bem.
THAIS: Quer saber de uma coisa, Paula? Se eu quisesse conselho de alguém, estava sentada no banco de espera de alguma vidente. Agora, cai fora, sai daqui.
PAULA: Já que você prefere assim. Até mais, Thais.
THAIS: Ah, Paula, você quer mesmo me ver feliz? Morre. Você estaria pondo um sorriso enorme no meu rosto.
(Paula sai, enquanto Thais ri)

Cena 7/ Faculdade/ Banheiro/ Interno/ Dia
CARLA: Nunca. Não é porque você virou amiguinha da Juliana que eu vou revelar meu verdadeiro tipo sanguíneo ao Bruno. 
ROBERTA: Carla, você está pondo a vida da Jéssica em risco, caso você continue com essa mentira.
CARLA: Sabe de uma coisa? Eu não estou gostando dessa nova Roberta não. Eu preferia a Roberta de antes. Ela era mais legal, mais interessante. Essa me dá náuseas.
(Carla sai)
Cena 8/ Galpão/ Interno/ Dia
(Otávio entra e Larissa aparece, aliviada)
LARISSA: Que bom que você está bem, meu amor.
OTÁVIO: Ainda bem, não é? A Adriana tentou me matar.
LARISSA: Eu sabia. Aquela angústia que eu estava sentindo não era algo a toa. E ela?
OTÁVIO: Ela não conseguiu me matar. Na hora H, a policia apareceu e ela fugiu.
LARISSA: Vagabunda.
OTÁVIO: Em compensação, eu trouxe uma notícia maravilhosa para você. O resultado da perícia daquela carta que encontraram nas suas coisas saiu. Você é inocente, meu amor.
LARISSA: Ou seja, eu não preciso mais me esconder da polícia, é isso?
(O delegado entra)
DELEGADO: Isso mesmo, Larissa. E estou aqui para mostrar isso a você. Você voltou a ser livre.
LARISSA: Eu disse que eu era inocente e vocês não acreditaram em mim.
DELEGADO: Larissa, a polícia trabalha com fatos, com provas. Bom, Otávio, eu recebi uma ligação agora da minha equipe e parece que a Adriana fugiu para valer.

Cena 9/ Rua/ Interno/ Dia
(Guilherme passeia pela rua e vê, na outra rua, Juliana e Sérgio aos beijos. Guilherme atravessa a avenida e se aproxima dos dois)
GUILHERME: Eu não acredito no que eu estou vendo, Juliana. Você ainda continua namorando esse garoto?
JULIANA: Bom dia, pai.
GUILHERME: Você pode me explicar porque você continua namorando esse moleque?
JULIANA: Esse moleque tem nome, pai. Ele se chama Sérgio. E olha, eu não vou dar atenção a suas provocações, porque eu soube da morte da Fátima. Imagino que o senhor esteja abalado.
GUILHERME: Não tente usar a morte da Fátima para me enrolar, Juliana.
SÉRGIO: Seu Guilherme, o senhor ainda não se tocou que o senhor está sobrando nessa história? Vá viver a sua vida e deixe a nossa em paz.
GUILHERME: A vida da minha filha é a minha vida, moleque. Mas imagino, que você não saiba o que seja isso, sentimento paterno, aliás, você tem dois pais e não teve a chance de receber amor de nenhum. O Alberto, porque preferiu te abandonar e o Otávio, esse porque nunca ligou para você mesmo. Até um copo de cachaça é mais importante do que você, moleque.
(Sérgio dá um soco em Guilherme, que cai na calçada)
SÉRGIO: Cala essa boca imunda, seu verme.
(Sérgio sai e Juliana vai atrás)
GUILHERME: Você vai ver quem é o verme, moleque. Eu não permitir nunca que você namore minha filha. Nunca.

Cena 10/ Paisagens do Rio de Janeiro/ Dia

DIAS DEPOIS

Cena 11/ Hospital/ Quarto de Jéssica/ Interno/ Dia
(Estão Sérgio, Juliana, Luciana e Bruno ao redor da cama de Jéssica. Todos estão cantando parabéns para Jéssica)
SÉRGIO, JULIANA, LUCIANA E BRUNO: É big, é big, é big. É hora, é hora, é hora. Ratimbum. Jéssica, Jéssica, Jéssica. Viva a Jéssica. Viva.
(Todos batem palmas)
JÉSSICA: Ai, gente, muito obrigada. Eu não sei o que eu seria sem vocês.
BRUNO: Espera que ainda tem o bolo.
(Bruno pega o bolo e o coloca nas pernas de Jéssica)
BRUNO: Então, meu amor, faz um pedido e assopra as velinhas.
(Jéssica fecha os olhos e, depois de um tempo, assopra as velas)
LUCIANA: Parabéns, minha afilhada predileta.
JÉSSICA: Obrigada gente. Obrigada mesmo, de verdade.
SÉRGIO: Não vai revelar o pedido que você fez, Jéssica?
JULIANA: Ela não pode dizer, senão o pedido não se realiza.
JÉSSICA: Mesmo assim, eu faço questão de revelar. Na verdade, eu não pedi nada. Eu agradeci. Agradeci por ter vocês na minha vida, por me tratarem com amor e carinho e por estarem do meu lado nesse momento, que está sendo o mais difícil da minha vida. E, se duvidar, o último por qual eu irei passar.
BRUNO: Não fala isso, Jéssica. Ainda virão muitas coisas boas na tua vida. Acredita em mim. Eu não vou deixar você morrer. Acredita na força do amor.
JÉSSICA: Eu acredito.
LUCIANA: Vamos comer logo esse bolo, antes que ele se estrague. E então, de quem vai ser o primeiro pedaço?
JULIANA: Claro que vai ser pra mim.
LUCIANA: Para você, por quê? Eu sou a madrinha dela, querida.
BRUNO: E eu sou o namorado. Mereço esse primeiro pedaço mais do que vocês duas.
SÉRGIO: Eita que esse bolo está mais disputado que o prêmio da lotérica.
(A conversa continua em fora de áudio)

Cena 12/ Mansão Martins/ Jardim/ Dia
(Otávio entra no carro, abre o portão automático e sai. Antes de o portão fechar, Adriana entra)

Cena 13/ Mansão Martins/ Sala/ Interno/ Dia
(A campainha toca e Raimunda atende)
RAIMUNDA: Adriana? Vai embora. Some daqui.
ADRIANA: Sai da minha frente.
(Adriana estapeia Raimunda, que cai. Adriana pega um vaso e atinge a cabeça da empregada, que fecha os olhos e fica desacordada)
ADRIANA: LARISSA, LARISSA, CADÊ VOCÊ, SUA DESGRAÇADA? APARECE. EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AÍ.
(Larissa aparece na escada)
LARISSA: Adriana?
ADRIANA: Aí está você, sua desgraçada.
LARISSA: Vai embora daqui. Some da minha casa.
ADRIANA: Olha como o mundo dá voltas. Há uns meses atrás, foi você que invadiu meu apartamento e me deu um tapa na cara. Hoje, sou eu, que invadi sua casa.
LARISSA: E você pretende fazer o quê? Me dar uma surra?
ADRIANA: Não. Dar surra é para os fracos. Eu prefiro matar.
(Adriana saca um revólver)
LARISSA: Adriana, abaixa esse revólver.
ADRIANA: Está com medo de mim, Larissa? Logo você que sempre fez a brava, a valente, a corajosa?
LARISSA: Eu não estou brincando. Se você não abaixar essa arma agora, eu vou ligar para a polícia.
ADRIANA: E você acha que polícia me mete medo? Antes de ela aparecer, eu já terei te matado há tempos. Se você não tivesse investigado o meu passado e estragado o meu plano, nós não estaríamos passando por isso agora.
(Larissa se aproxima de Adriana)
LARISSA: Para com esse joguinho agora.
ADRIANA: Agora você vai pagar caro com isso. Eu vou acertar essa bala bem no meio do seu peito. E isso vai ser agora.
(Adriana dispara. A bala atinge o ombro de Larissa, que cai, desacordada. - OBS: Adriana não sabe que a bala atingiu o ombro de Larissa. Ela pensa que a bala atingiu o peito – Adriana se aproxima de Larissa e se agacha próxima a ela)
ADRIANA: Triste fim.
(Larissa, de repente, abre os olhos e envolve sua mão no pescoço de Adriana)
LARISSA: Pensou que seria assim tão fácil me matar, Adriana?
(Congela em Adriana)