CENA 01 / MORRO D’ÁGUA / EXTERIOR / CASA TEREZINHA /
NOITE
Plínio consegue subir
no telhado da casa. Terezinha o segue e faz o mesmo. Plínio desce e é pego por
Calixto, que tapa a sua boca. Ele tenta gritar, mas leva um soco no estômago.
Terezinha desce do telhado e olha dentro dos olhos do advogado. Calixto tira a
mão da boca de Plínio, que está arfando com o soco que levou.
PLÍNIO – Isso que eu
chamo de pulo do gato, Terezinha... Bela jogada... Casar com o Estevão...
Separá-lo da mulher pra dar no pé depois...
TEREZINHA – Devo
admitir que sou bastante inteligente, mas também sou curiosa: quero saber como
o senhor veio parar na minha porta, digo, na minha janela. Foi a sífilis
ambulante da Selma que te mandou aqui? Aquela doença venérea com pernas!...
PLÍNIO – Te segui...
Suspeitei de você desde o início... Só estou garantindo os interesses do meu
cliente...
TEREZINHA – Advogados
são todos iguais: pecam pela fofoca! Você viu demais, Plínio... Viu demais...
(p/ Calixto) Amarre-o e deixe ele comigo. Fica de tocaia aí na porta!
CORTA PARA:
CENA 02 / MORRO D’ÁGUA / INTERIOR / CASA TEREZINHA /
PORÃO / NOITE
Plínio está amarrado
COMPLETAMENTE sobre uma mesa de madeira em um canto escuro do porão. É quando
Terezinha aparece vestida com uma camisola branca e segurando um lampião nas
mãos. Sua face é fantasmagórica e ela se aproxima mais e mais de um amolador de
facas, que está ao lado da mesa.
TEREZINHA – (amolando
sua faca) A Sandreia pecou por falar demais... Você pecou por ver demais. Será
que as pessoas não cansam de pecar? Bem, de qualquer maneira, cá estou aqui
para fazer justiça.
Terezinha termina de
amolar e faca e fura os dois olhos de Plínio.
CORTA PARA:
CENA 03 / MORRO D’ÁGUA / EXTERIOR / RIBANCEIRA / NOITE
Terezinha joga, com a
ajuda de Calixto, três malas ribanceira a baixo.
CALIXTO – Você
esquartejou mesmo o corpo do cara?
TEREZINHA – Era o
jeito de sair daquela casa sem ninguém desconfiar. Todos que me viram passar
acharam que eu estava me mudando. Mas eu não vou vender aquela casa tão cedo,
querido. Não sou burra que nem a Selma.
CALIXTO – Mas o que
você vai falar com o Estevão quando chegar em casa?
Close em Terezinha.
ESTEVÃO – (off) Para
as Bahamas?!
CORTA PARA:
CENA 04 / INTERIOR / MANSÃO ITACURUÇÁ / SALA / NOITE
Terezinha, Estevão e
Calixto na sala.
TEREZINHA – Isso
mesmo, Estevão. O Plínio me procurou e disse que fugiu para a Bahamas por conta
de um golpe mal dado que ele deu em outro cliente como você. Me amordaçou e
queria até me esquartejar!
ESTEVÃO – (se joga na
poltrona) Meu Deus! Vamos para a polícia já! Aquele corno estava cuidando do
meu caso com a Selma e me ajudando a dirigir os papeis da construtora!
TEREZINHA – Não
precisa, meu amor. Esse homem aqui do meu lado ouviu meus berros e espancou
Plínio até ter certeza de que ele ficou tetraplégico.
Calixto estende as
mãos para Estevão, que o abraça.
ESTEVÃO – Obrigado,
cara. Você salvou a vida da minha mulher.
CALIXTO – É só a minha
obrigação, moço.
ESTEVÃO – Por acaso
você tem a obrigação de salvar a mulher dos outros, rapaz?
CALIXTO – Quase isso.
(pega uma carteirinha da OAB falsa e mostra) Meu nome é Abelardo Silveira e sou
advogado.
ESTEVÃO – Está
contratado. Amanhã eu te deixo a par de tudo sobre meus problemas jurídicos.
Estevão sobe para seu
quarto e Terezinha começa a dançar de felicidade. Quando Calixto tenta
agarra-la, ela lhe dá um chute no saco.
TEREZINHA –
(sussurrando) Foi um sacrifício arrumar essa carteira da OAB hoje! Não jogue
todo meu esforço no lixo e vai embora!
Calixto vai embora e
Terezinha sobe para seu quarto.
CORTA PARA:
CENA 05 / INTERIOR / CLÍNICA AMERICANA / QTO. GILBERTO
/ NOITE
Marques e Gilberto
estão frente a frente. O médico em uma cadeira e o paciente na cama.
MARQUES – Pode me
dizer por que se recusa a fazer o tratamento?
Gilberto fica calado.
MARQUES – Bem... Você
tem o direito de ficar calado, mas uma coisa eu te garanto: não é ficando em
depressão que vai conseguir levantar a sua vida e a si mesmo.
Marques vai embora e
os olhos de Gilberto se enchem de lágrimas.
CORTA PARA:
CENA 06 / INTERIOR / HOSPITAL PÚBLICO / CORREDOR /
NOITE
Laura Dagmar está
deitada em uma maca enquanto Selma segura a sua mão. O hospital está um caos e
várias pessoas estão desesperadas, pacientes com ferimentos graves estão com
seus machucados expostos e há pessoas passando mal. É quando Laura Dagmar, que
está com uma faixa na cabeça, acorda e olha fixamente para suas mãos. Selma
está sentada ao seu lado e quase dormindo.
L. DAGMAR – (se senta,
grita) A Amazônia é nossa!
Selma se assusta com o
grito e tenta acalmar Laura. Esta se pendura em cima das cadeiras e bate nos
médicos. Selma rouba o sedativo de uma enfermeira e aplica em Laura,
arrastando-a para fora e pegando um táxi em seguida.
CORTA PARA:
CENA 07 / MORRO D’ÁGUA / INTERIOR / CASA DE L. DAGMAR
/ QTO. / NOITE
Selma está cuidando de
Laura Dagmar, que está deitada em sua cama.
SELMA – Que ataque foi
aquele, Laura Dagmar? De crente virou macaca, é?
L. DAGMAR – Eu sou
crente?
SELMA – Acho que
sim... Você se lembra que caiu do segundo andar da igreja após receber a
notícia de que não acharam a Sandreia?
L. DAGMAR – Eu caí do
segundo andar de uma igreja?
SELMA – Você é pastora
de uma igreja, Dagmar...
L. DAGMAR – Como posso
ser pastora de uma igreja se eu faço cultos satânicos?!
Selma deixa o remédio
todo cair no chão. Laura tenta se levantar, mas não consegue e desmaia de novo.
SELMA – Começou outra
vez...
CORTA PARA:
CENA 08 / EXTERIOR / PRAIA / NOITE
LURDINHA – Anda, falem
logo o que vocês estão conversando com a minha mãe!
Quando Delma vai falar
a verdade, Laura a intercepta.
LAURA – Eles vieram
atrás de mim porque... porque eles queriam me denunciar! E vieram até aqui para
ver se era verdade!
LURDINHA – Como assim?
LAURA – Estão
oferecendo uma recompensa muito grande por mim, Lurdinha. Não se esqueça que eu
sou uma foragida da polícia.
LURDINHA – Victor Hugo
e Delma, por favor, entrem no carro.
Os dois entram no
carro de Lurdinha, que fica a sós com a mãe.
LURDINHA – Me responda
duas coisas: foi você que matou o Beto?
LAURA – Lógico que
não! Nunca seria capaz de fazer uma barbaridade dessas!
LURDINHA – Aquelas
coisas que meu pai disse na imprensa, a história de que você e o Beto o
trancaram em um calabouço com uma corrente... É verdade também?
Laura hesita em falar.
Na hora em que vai dizer alguma coisa, as sirenes da polícia tocam e ela sai
correndo. Lurdinha fica com lágrimas nos olhos e volta para o carro.
CENA 09 / INTERIOR / MANSÃO BRASIL / SALA / NOITE
Tom e Patrícia estão
conversando animadamente na sala.
TOM – ...E foi assim
que eu comecei a namorar a sua irmã.
LURDINHA – Que
história mais louca essa! Não sei qual é a pior: a do meu pai ou a do seu
namoro!
Os dois riem. Lurdinha
entra com Delma e Victor Hugo, que se dirigem logo para a cozinha.
TOM – Lurdinha! Vim
aqui te visitar e conheci a sua irmã: a Patrícia. Muito gente boa ela.
LURDINHA – Que bom que
você gostou de alguém da minha família além de mim, Tom.
TOM – Bem... Já vou
indo. Tenho que ensaiar pro show de amanhã.
Tom beija Lurdinha e
se despede de Patrícia. Assim que Tom vai embora, Lurdinha faz o sinal de que
está de olho em Patrícia.
CORTA PARA:
CENA 10 / INTERIOR / MANSÃO BRASIL / COZINHA / NOITE
V. HUGO – Demitidos de
novo, doutor Antônio?!
ANTÔNIO – Infelizmente
não tenho como pagar o salário de vocês. Como podem ver, vendi tudo o que tinha
e comprei um apartamento onde não é necessário um motorista.
DELMA – Nem uma
empregada?
ANTÔNIO – Precisaremos
de um sim, mas quando precisar de você eu ligo, tudo bem Delma?
DELMA – Fazer o que,
né?
Antônio tira algumas
notas do bolso e entrega a Victor Hugo.
V. HUGO – Só isso?
ANTÔNIO – Você
trabalhou só isso aqui em casa. Podem ir embora.
Antônio vira as costas
e segue para seu quarto.
V. HUGO – Mão de vaca.
CORTA PARA:
CENA 11 / IMAGENS
Amanhece no Rio de
Janeiro
CORTA PARA:
CENA 12 / INTERIOR / FÓRUM / TRIBUNAL / MANHÃ
Selma, Estevão,
Calixto e o juiz estão na sala para definir a suposta indenização.
JUÍZ – Bem, eu olhei o
papel e, sinceramente, não sei o motivo pela qual está sendo realizada esta
audiência. Aqui no contrato de divórcio assinado pela senhora, diz que está de
acordo em não receber nenhum centavo do senhor Estevão Itacuruçá!
SELMA – (pasma) Mas
isso não é um contrato de divórcio, é um contrato de indenização por danos morais!
Eu li o documento momentos antes de assinar!
JUÍZ – A sua
assinatura está constando bem forte aqui. E como a senhora assinou sua presença
nesta folha (mostra a folha) e eu não vejo diferença nenhuma em relação às
letras, creio que a única pessoa enganada aqui é você, senhorita Selma.
Selma se levanta da
cadeira e dá um tapa na cara de Estevão.
SELMA – Traste!
ESTEVÃO – Prendam essa
maluca!
Selma é contida pelos
policiais.
JUÍZ – Podem algemá-la
e jogá-la na cela mais imunda que tiver! A senhora está presa por agressão e
desacato a autoridade!
Selma é algemada e
levada para a cadeia.
CORTA PARA:
FIM DO
CAPÍTULO 21
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