segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Capítulo 21 de Pulo do Gato


CENA 01 / MORRO D’ÁGUA / EXTERIOR / CASA TEREZINHA / NOITE

Plínio consegue subir no telhado da casa. Terezinha o segue e faz o mesmo. Plínio desce e é pego por Calixto, que tapa a sua boca. Ele tenta gritar, mas leva um soco no estômago. Terezinha desce do telhado e olha dentro dos olhos do advogado. Calixto tira a mão da boca de Plínio, que está arfando com o soco que levou.

PLÍNIO – Isso que eu chamo de pulo do gato, Terezinha... Bela jogada... Casar com o Estevão... Separá-lo da mulher pra dar no pé depois...
TEREZINHA – Devo admitir que sou bastante inteligente, mas também sou curiosa: quero saber como o senhor veio parar na minha porta, digo, na minha janela. Foi a sífilis ambulante da Selma que te mandou aqui? Aquela doença venérea com pernas!...
PLÍNIO – Te segui... Suspeitei de você desde o início... Só estou garantindo os interesses do meu cliente...
TEREZINHA – Advogados são todos iguais: pecam pela fofoca! Você viu demais, Plínio... Viu demais... (p/ Calixto) Amarre-o e deixe ele comigo. Fica de tocaia aí na porta!

CORTA PARA:

CENA 02 / MORRO D’ÁGUA / INTERIOR / CASA TEREZINHA / PORÃO / NOITE

Plínio está amarrado COMPLETAMENTE sobre uma mesa de madeira em um canto escuro do porão. É quando Terezinha aparece vestida com uma camisola branca e segurando um lampião nas mãos. Sua face é fantasmagórica e ela se aproxima mais e mais de um amolador de facas, que está ao lado da mesa.

TEREZINHA – (amolando sua faca) A Sandreia pecou por falar demais... Você pecou por ver demais. Será que as pessoas não cansam de pecar? Bem, de qualquer maneira, cá estou aqui para fazer justiça.

Terezinha termina de amolar e faca e fura os dois olhos de Plínio.

CORTA PARA:

CENA 03 / MORRO D’ÁGUA / EXTERIOR / RIBANCEIRA / NOITE

Terezinha joga, com a ajuda de Calixto, três malas ribanceira a baixo.

CALIXTO – Você esquartejou mesmo o corpo do cara?
TEREZINHA – Era o jeito de sair daquela casa sem ninguém desconfiar. Todos que me viram passar acharam que eu estava me mudando. Mas eu não vou vender aquela casa tão cedo, querido. Não sou burra que nem a Selma.
CALIXTO – Mas o que você vai falar com o Estevão quando chegar em casa?

Close em Terezinha.

ESTEVÃO – (off) Para as Bahamas?!

CORTA PARA:

CENA 04 / INTERIOR / MANSÃO ITACURUÇÁ / SALA / NOITE

Terezinha, Estevão e Calixto na sala.

TEREZINHA – Isso mesmo, Estevão. O Plínio me procurou e disse que fugiu para a Bahamas por conta de um golpe mal dado que ele deu em outro cliente como você. Me amordaçou e queria até me esquartejar!
ESTEVÃO – (se joga na poltrona) Meu Deus! Vamos para a polícia já! Aquele corno estava cuidando do meu caso com a Selma e me ajudando a dirigir os papeis da construtora!
TEREZINHA – Não precisa, meu amor. Esse homem aqui do meu lado ouviu meus berros e espancou Plínio até ter certeza de que ele ficou tetraplégico.

Calixto estende as mãos para Estevão, que o abraça.

ESTEVÃO – Obrigado, cara. Você salvou a vida da minha mulher.
CALIXTO – É só a minha obrigação, moço.
ESTEVÃO – Por acaso você tem a obrigação de salvar a mulher dos outros, rapaz?
CALIXTO – Quase isso. (pega uma carteirinha da OAB falsa e mostra) Meu nome é Abelardo Silveira e sou advogado.
ESTEVÃO – Está contratado. Amanhã eu te deixo a par de tudo sobre meus problemas jurídicos.

Estevão sobe para seu quarto e Terezinha começa a dançar de felicidade. Quando Calixto tenta agarra-la, ela lhe dá um chute no saco.

TEREZINHA – (sussurrando) Foi um sacrifício arrumar essa carteira da OAB hoje! Não jogue todo meu esforço no lixo e vai embora!

Calixto vai embora e Terezinha sobe para seu quarto.

CORTA PARA:

CENA 05 / INTERIOR / CLÍNICA AMERICANA / QTO. GILBERTO / NOITE

Marques e Gilberto estão frente a frente. O médico em uma cadeira e o paciente na cama.

MARQUES – Pode me dizer por que se recusa a fazer o tratamento?

Gilberto fica calado.

MARQUES – Bem... Você tem o direito de ficar calado, mas uma coisa eu te garanto: não é ficando em depressão que vai conseguir levantar a sua vida e a si mesmo.

Marques vai embora e os olhos de Gilberto se enchem de lágrimas.

CORTA PARA:

CENA 06 / INTERIOR / HOSPITAL PÚBLICO / CORREDOR / NOITE

Laura Dagmar está deitada em uma maca enquanto Selma segura a sua mão. O hospital está um caos e várias pessoas estão desesperadas, pacientes com ferimentos graves estão com seus machucados expostos e há pessoas passando mal. É quando Laura Dagmar, que está com uma faixa na cabeça, acorda e olha fixamente para suas mãos. Selma está sentada ao seu lado e quase dormindo.

L. DAGMAR – (se senta, grita) A Amazônia é nossa!

Selma se assusta com o grito e tenta acalmar Laura. Esta se pendura em cima das cadeiras e bate nos médicos. Selma rouba o sedativo de uma enfermeira e aplica em Laura, arrastando-a para fora e pegando um táxi em seguida.

CORTA PARA:

CENA 07 / MORRO D’ÁGUA / INTERIOR / CASA DE L. DAGMAR / QTO. / NOITE

Selma está cuidando de Laura Dagmar, que está deitada em sua cama.

SELMA – Que ataque foi aquele, Laura Dagmar? De crente virou macaca, é?
L. DAGMAR – Eu sou crente?
SELMA – Acho que sim... Você se lembra que caiu do segundo andar da igreja após receber a notícia de que não acharam a Sandreia?
L. DAGMAR – Eu caí do segundo andar de uma igreja?
SELMA – Você é pastora de uma igreja, Dagmar...
L. DAGMAR – Como posso ser pastora de uma igreja se eu faço cultos satânicos?!

Selma deixa o remédio todo cair no chão. Laura tenta se levantar, mas não consegue e desmaia de novo.

SELMA – Começou outra vez...

CORTA PARA:

CENA 08 / EXTERIOR / PRAIA / NOITE

LURDINHA – Anda, falem logo o que vocês estão conversando com a minha mãe!

Quando Delma vai falar a verdade, Laura a intercepta.

LAURA – Eles vieram atrás de mim porque... porque eles queriam me denunciar! E vieram até aqui para ver se era verdade!
LURDINHA – Como assim?
LAURA – Estão oferecendo uma recompensa muito grande por mim, Lurdinha. Não se esqueça que eu sou uma foragida da polícia.
LURDINHA – Victor Hugo e Delma, por favor, entrem no carro.

Os dois entram no carro de Lurdinha, que fica a sós com a mãe.

LURDINHA – Me responda duas coisas: foi você que matou o Beto?
LAURA – Lógico que não! Nunca seria capaz de fazer uma barbaridade dessas!
LURDINHA – Aquelas coisas que meu pai disse na imprensa, a história de que você e o Beto o trancaram em um calabouço com uma corrente... É verdade também?

Laura hesita em falar. Na hora em que vai dizer alguma coisa, as sirenes da polícia tocam e ela sai correndo. Lurdinha fica com lágrimas nos olhos e volta para o carro.

CENA 09 / INTERIOR / MANSÃO BRASIL / SALA / NOITE

Tom e Patrícia estão conversando animadamente na sala.

TOM – ...E foi assim que eu comecei a namorar a sua irmã.
LURDINHA – Que história mais louca essa! Não sei qual é a pior: a do meu pai ou a do seu namoro!

Os dois riem. Lurdinha entra com Delma e Victor Hugo, que se dirigem logo para a cozinha.

TOM – Lurdinha! Vim aqui te visitar e conheci a sua irmã: a Patrícia. Muito gente boa ela.
LURDINHA – Que bom que você gostou de alguém da minha família além de mim, Tom.
TOM – Bem... Já vou indo. Tenho que ensaiar pro show de amanhã.

Tom beija Lurdinha e se despede de Patrícia. Assim que Tom vai embora, Lurdinha faz o sinal de que está de olho em Patrícia.

CORTA PARA:

CENA 10 / INTERIOR / MANSÃO BRASIL / COZINHA / NOITE

V. HUGO – Demitidos de novo, doutor Antônio?!
ANTÔNIO – Infelizmente não tenho como pagar o salário de vocês. Como podem ver, vendi tudo o que tinha e comprei um apartamento onde não é necessário um motorista.
DELMA – Nem uma empregada?
ANTÔNIO – Precisaremos de um sim, mas quando precisar de você eu ligo, tudo bem Delma?
DELMA – Fazer o que, né?

Antônio tira algumas notas do bolso e entrega a Victor Hugo.

V. HUGO – Só isso?
ANTÔNIO – Você trabalhou só isso aqui em casa. Podem ir embora.

Antônio vira as costas e segue para seu quarto.

V. HUGO – Mão de vaca.

CORTA PARA:

CENA 11 / IMAGENS

Amanhece no Rio de Janeiro

CORTA PARA:

CENA 12 / INTERIOR / FÓRUM / TRIBUNAL / MANHÃ

Selma, Estevão, Calixto e o juiz estão na sala para definir a suposta indenização.
JUÍZ – Bem, eu olhei o papel e, sinceramente, não sei o motivo pela qual está sendo realizada esta audiência. Aqui no contrato de divórcio assinado pela senhora, diz que está de acordo em não receber nenhum centavo do senhor Estevão Itacuruçá!
SELMA – (pasma) Mas isso não é um contrato de divórcio, é um contrato de indenização por danos morais! Eu li o documento momentos antes de assinar!
JUÍZ – A sua assinatura está constando bem forte aqui. E como a senhora assinou sua presença nesta folha (mostra a folha) e eu não vejo diferença nenhuma em relação às letras, creio que a única pessoa enganada aqui é você, senhorita Selma.

Selma se levanta da cadeira e dá um tapa na cara de Estevão.

SELMA – Traste!
ESTEVÃO – Prendam essa maluca!

Selma é contida pelos policiais.

JUÍZ – Podem algemá-la e jogá-la na cela mais imunda que tiver! A senhora está presa por agressão e desacato a autoridade!

Selma é algemada e levada para a cadeia.

CORTA PARA:

FIM DO CAPÍTULO 21

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