Continuação
imediata do capítulo anterior.
CENA
1 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA
Grande
Matriarca – O novo cacique da tribo Napoinara, escolhido pelo
próprio Tupã, que eu peço para vir até aqui na frente para
receber uma benção do padre Henrique é você, Yuri!
Cauã
já estava se levantando, quando é tomado de surpresa. Yuri não
esperava ser o escolhido.
Yuri
– (espantado) Mim, é o novo cacique da tribo Napoinara?
Cauã
– (gritando) Como assim, índio Yuri é o novo cacique? Mim deve
ser o novo cacique!
Cauã
já vai levantando na frente de Yuri, quando é segurado por alguns
índios.
Cauã
– Mim soltem! Mim vai ser o novo cacique, não índio Yuri!
Yuri
vai até a frente de todos os índios, junto à Grande Matriarca e o
padre Henrique.
Yuri
– Mim não quer briga na tribo! Mim não sabe nem porque foi
escolhido. Se índio Cauã quer ser novo cacique, índio Yuri aceita.
Mim quer tribo feliz!
Grande
Matriarca – Não, meu filho! Você foi o escolhido por Tupã! Você
vai ser o novo cacique! Deixa eu contar uma história.
CENA
2 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA
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Flash Back:
Letreiro:
1992
Ouve-se
um barulho na tribo. Parece um choro de bebê. Grande Matriarca fica
assustada.
Grande
Matriarca – O que foi isso?
Cacique
– Mim não sabe! Veio lá da entrada de tribo.
Grande
Matriarca – Mim vai lá ver.
Cacique
– Mim não deixa Grande Matriarca ir sozinha! Mim vai!
Grande
Matriarca – Grande Matriarca aceita, mas vai junto!
Ao
chegarem próximo, avistam uma cesta. Ouve-se um gemido de dentro.
Cacique
– Mim não sabe o que é isso! Mim não vai deixar madrasta chegar
perto! Pode ser perigoso!
Grande
Matriarca – Mim vai lá ver e cacique vai deixar!
Grande
Matriarca se aproxima da cesta e percebe que há um bebê dentro. Ela
pega o bebê no colo e percebe que ele tem uma pequena correntinha.
Câmera aproxima e dá pra ler: “Vida nas Mãos”. Grande
Matriarca dá um grito. Cacique corre pra perto dela.
Cacique
– (preocupado) Grande Matriarca, o que foi? Bicho perigoso?
Grande
Matriarca – Que bicho o quê! É só um bebê!
Cacique
– Bebê homem branco!
Grande
Matriarca – Cacique não percebe?
Cacique
– Mim não percebe nada não.
Grande
Matriarca – Bebê foi deixado na tribo por Tupã. Isso é sinal de
Tupã. Indicando que ele vai ser futuro cacique da tribo pra trazer
felicidade para tribo Napoinara!
Cacique
– (espantado) Mim não entende, mas se é presente de Tupã, mim
aceita.
Grande
Matriarca – Vai se chamar Yuri! Quando for adulto vai ser novo
cacique de tribo! O enviado de Tupã para a tribo Napoinara!
Fim
do Flash Back.
CENA
3 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA
Grande
Matriarca termina de contar a história para a tribo.
Grande
Matriarca – E assim aconteceu... Um pouco depois a antiga Grande
Matriarca da tribo morreu, eu cheguei, tomei conhecimento da
história, assumi o lugar de conselheira da tribo e hoje com grande
satisfação faço esse grande anúncio que já era por muito
esperado: Índio Yuri, o presente enviado por Tupã, é o novo
cacique da tribo!
Luana
– (com lágrimas nos olhos) Que história bonita! Mim ficou
emocionada. Tribo agora vai ser muito feliz.
Cauã
– Mim não gostou nada disso! Índio Yuri não merecia! Mim é o
mais forte, mim é o mais corajoso! Mim tem que ser o novo cacique e
mim vai dar um jeito nisso!
CENA
4 /CIDADE /PLANO GERAL /DIA
Paisagens
da cidade são mostradas ao som de “System Of A Down - Toxicity”
Letreiro:
Dias depois...
CENA
5 /CASA DAS POMBINHAS /EXTERIOR /DIA
O
local está abandonado, Gregório e Evandro chegam.
Evandro
– (preocupado) Não sei, Gregório. Você sabe que esse local não
me traz boas lembranças...
Gregório
– Deixa de ser frouxo, Evandro! Você tem que superar isso! É
apenas um local. É bastante amplo, bem localizado. Vai servir bem
para nosso projeto. Aqui agora vai ser um local sério, vai ser a
construtora Felisberto!
Evandro
– Não sei, Gregório. Não me sentiria muito bem aqui.
Gregório
– Deixe de besteira, meu irmão! Se quiser, eu organizo tudo pra
você!
Evandro
– Você faria isso por mim, meu irmão? Você é meio esquentado,
mas é um irmão de ouro!
Evandro
abraça Gregório, que disfarça e sorri maleficamente.
Evandro
– Temos que falar com o prefeito agora, para organizar a papelada.
Gregório
– Deixa isso comigo também meu irmão! - sorri
CENA
6 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA
Yuri
e Luana estão perto do lago conversando.
Yuri
– Mim ainda não acredita que é novo cacique de tribo! Mim acha
que não merece!
Luana
– Não fala isso índio Yuri! (envergonhada) Índio é corajoso,
forte, bonito...
Yuri
– Índio não quer causar briga na tribo! Cauã queria ser cacique!
Mim acha que ele deveria ser...
Luana
– Grande Matriarca disse que índio Yuri foi escolhido por Tupã,
então tem que ser assim!
Yuri
– Se Tupã escolheu índio, mim aceita e vai cuidar de tribo!
Luana
– Yuri é tão... tão... - Olhos brilhando
Yuri
– Tão o que, índia Luana? Mim não entende!
Luana
– Nada não...
CENA
7 /PREFEITURA /EXTERIOR /DIA
Gregório
está chegando. Emiliano está saindo.
Gregório
– Ei, rapaz! Você sabe se o prefeito Lázaro está?
Emiliano
– Está onde? Ah, sim! Haha. Não está. Ele está em casa. Sou
filho dele. Vim da capital há pouco.
Gregório
estende a mão.
Gregório
– Ah sim, muito prazer, jovem! Sou Gregório.
Emiliano
– Prazer, sou Cachorrinho!
Gregório
– Como?
Emiliano
– Digo, desculpe, sou Emiliano Cachorrinho.
Gregório
– Ah sim! Hahaha
CENA
8 /MANSÃO FELISBERTO /QUARTO DE CAROLINA /INTERIOR /DIA
Carolina
está no quarto, conversando com sua mãe Ana. Quando batem na porta.
É Mariana trazendo um copo com suco pra cada uma.
Mariana
– Com licença, dona Ana, dona Carolina...
Ana
– Já disse que não precisa nos chamar de “dona”, chame apenas
de Ana e de Carolina!
Mariana
– Agora você é minha patroa. É questão de respeito.
Ana
– Mesmo assim, Mariana! Antes de tudo, sou sua amiga e amiga de sua
família!
Carolina
– Deixe ela chamar de dona, mãe! Ela tem que saber quem manda!
Ana
– (brava) Carolina!
Mariana
– Deixa assim. Não me preocupo! Trouxe um copo de suco para vocês!
Ana
– Ah, que bom! Com esse calor que anda fazendo, é bom mesmo!
Carolina
– Eu não pedi nada!
Ana
– Carolina, não seja igual a seu pai!
Carolina
– Desculpa, mãe.
Mariana
– Estive pensando, se a senhora permitir, claro... Nas minhas horas
de folga, poderia levar Carolina pra dar um passeio, para conhecer a
cidade...
Ana
– Permito sim, Mariana! Vai ser bom pra Carolina passear um
pouco...
Carolina
– Alguém já perguntou se eu quero?
CENA
9 /MANSÃO FELISBERTO /SALA /INTERIOR /DIA
Evandro
está saboreando um suco recém preparado por Mariana. Quando a
campainha toca.
Evandro
- (satisfeito) Ah, que beleza de suco, nesse calor que está fazendo!
Quem será? Deixa-me ver.
Evandro
abre a porta.
Evandro
– Pois não?
Emiliano
– Prazer, seu cachorrinho! Sou prefeito, filho do detetive!
Evandro
– (assustado) O quê? Desculpe, mas não entendi.
Emiliano
– Me perdoe! Sou um pouco atrapalhado. Sou filho do Lázaro, o
prefeito da cidade. Prazer, sou cachorrinho!
Evandro
– Ah sim, muito prazer, seu cachorrinho! - ri – É esse mesmo seu
nome?
Emiliano
– Me desculpe mais uma vez! Me chamo Emiliano Cachorrinho.
Evandro
– Ah sim, entre... Em que posso ajudá-lo?
Ambos
entram.
Evandro
– Sente-se. Aceita um suco?
Emiliano
vai sentar e quase cai sentado no chão.
Emiliano
– Não, não! Muito obrigado.
Evandro
– Pois bem, o que lhe traz até aqui?
Emiliano
– As pernas! Haha. Desculpe!
Evandro
– Gostei do seu senso de humor! - ri
Emiliano
– Na verdade, soube que sua família chegou à cidade há pouco, e
é uma família influente. Vim da capital também. Me formei como
detetive. Então, como ainda não conheço muito bem a cidade, queria
lhe apresentar meus serviços, caso o senhor esteja precisando, ou
conheça alguém para me indicar...
Evandro
– Sabe, rapaz? Você surgiu na hora exata! Eu mesmo estou
precisando. Deixa eu lhe mostrar uma coisa aqui.
Evandro
tira o bilhete que recebeu assim que chegou da viagem. Emiliano lê.
Emiliano
– Interessante!
Evandro
– Deixe eu lhe contar toda a história! Gostei de você, rapaz!
Acho que poderá me ajudar! Está contratado.
Evandro
conta a história de sua vida para o detetive Emiliano Cachorrinho.
CENA
10 /CASA CACHORRINHO /DIA
Gregório
bate na porta, ninguém atende. Então, ele nota que a porta não
está trancada. Ele entra.
Gregório
– Com licença, senhor Lázaro? Dona Aurélia?
Ele
vai entrando e encontra Lázaro ajoelhado, limpando o chão.
Gregório
– (irônico) Hahaha Então é o senhor prefeito, a empregada da
casa? Muito bom saber disso! Hahaha
Congela
em Lázaro assustado com a chegada de Gregório.
FIM
DO CAPÍTULO.
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