quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Capitulo 19 Vida nas Mãos

Continuação imediata do capítulo anterior.

CENA 1 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA

Grande Matriarca – O novo cacique da tribo Napoinara, escolhido pelo próprio Tupã, que eu peço para vir até aqui na frente para receber uma benção do padre Henrique é você, Yuri!

Cauã já estava se levantando, quando é tomado de surpresa. Yuri não esperava ser o escolhido.

Yuri – (espantado) Mim, é o novo cacique da tribo Napoinara?
Cauã – (gritando) Como assim, índio Yuri é o novo cacique? Mim deve ser o novo cacique!

Cauã já vai levantando na frente de Yuri, quando é segurado por alguns índios.

Cauã – Mim soltem! Mim vai ser o novo cacique, não índio Yuri!

Yuri vai até a frente de todos os índios, junto à Grande Matriarca e o padre Henrique.

Yuri – Mim não quer briga na tribo! Mim não sabe nem porque foi escolhido. Se índio Cauã quer ser novo cacique, índio Yuri aceita. Mim quer tribo feliz!
Grande Matriarca – Não, meu filho! Você foi o escolhido por Tupã! Você vai ser o novo cacique! Deixa eu contar uma história.

CENA 2 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA

Entra Flash Back:

Letreiro: 1992
Ouve-se um barulho na tribo. Parece um choro de bebê. Grande Matriarca fica assustada.

Grande Matriarca – O que foi isso?
Cacique – Mim não sabe! Veio lá da entrada de tribo.
Grande Matriarca – Mim vai lá ver.
Cacique – Mim não deixa Grande Matriarca ir sozinha! Mim vai!
Grande Matriarca – Grande Matriarca aceita, mas vai junto!

Ao chegarem próximo, avistam uma cesta. Ouve-se um gemido de dentro.

Cacique – Mim não sabe o que é isso! Mim não vai deixar madrasta chegar perto! Pode ser perigoso!
Grande Matriarca – Mim vai lá ver e cacique vai deixar!

Grande Matriarca se aproxima da cesta e percebe que há um bebê dentro. Ela pega o bebê no colo e percebe que ele tem uma pequena correntinha. Câmera aproxima e dá pra ler: “Vida nas Mãos”. Grande Matriarca dá um grito. Cacique corre pra perto dela.

Cacique – (preocupado) Grande Matriarca, o que foi? Bicho perigoso?
Grande Matriarca – Que bicho o quê! É só um bebê!
Cacique – Bebê homem branco!
Grande Matriarca – Cacique não percebe?
Cacique – Mim não percebe nada não.
Grande Matriarca – Bebê foi deixado na tribo por Tupã. Isso é sinal de Tupã. Indicando que ele vai ser futuro cacique da tribo pra trazer felicidade para tribo Napoinara!
Cacique – (espantado) Mim não entende, mas se é presente de Tupã, mim aceita.
Grande Matriarca – Vai se chamar Yuri! Quando for adulto vai ser novo cacique de tribo! O enviado de Tupã para a tribo Napoinara!

Fim do Flash Back.


CENA 3 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA

Grande Matriarca termina de contar a história para a tribo.

Grande Matriarca – E assim aconteceu... Um pouco depois a antiga Grande Matriarca da tribo morreu, eu cheguei, tomei conhecimento da história, assumi o lugar de conselheira da tribo e hoje com grande satisfação faço esse grande anúncio que já era por muito esperado: Índio Yuri, o presente enviado por Tupã, é o novo cacique da tribo!
Luana – (com lágrimas nos olhos) Que história bonita! Mim ficou emocionada. Tribo agora vai ser muito feliz.
Cauã – Mim não gostou nada disso! Índio Yuri não merecia! Mim é o mais forte, mim é o mais corajoso! Mim tem que ser o novo cacique e mim vai dar um jeito nisso!


CENA 4 /CIDADE /PLANO GERAL /DIA

Paisagens da cidade são mostradas ao som de “System Of A Down - Toxicity
Letreiro: Dias depois...


CENA 5 /CASA DAS POMBINHAS /EXTERIOR /DIA

O local está abandonado, Gregório e Evandro chegam.

Evandro – (preocupado) Não sei, Gregório. Você sabe que esse local não me traz boas lembranças...
Gregório – Deixa de ser frouxo, Evandro! Você tem que superar isso! É apenas um local. É bastante amplo, bem localizado. Vai servir bem para nosso projeto. Aqui agora vai ser um local sério, vai ser a construtora Felisberto!
Evandro – Não sei, Gregório. Não me sentiria muito bem aqui.
Gregório – Deixe de besteira, meu irmão! Se quiser, eu organizo tudo pra você!
Evandro – Você faria isso por mim, meu irmão? Você é meio esquentado, mas é um irmão de ouro!

Evandro abraça Gregório, que disfarça e sorri maleficamente.

Evandro – Temos que falar com o prefeito agora, para organizar a papelada.
Gregório – Deixa isso comigo também meu irmão! - sorri


CENA 6 /TRIBO NAPOINARA /EXTERIOR /DIA

Yuri e Luana estão perto do lago conversando.

Yuri – Mim ainda não acredita que é novo cacique de tribo! Mim acha que não merece!
Luana – Não fala isso índio Yuri! (envergonhada) Índio é corajoso, forte, bonito...
Yuri – Índio não quer causar briga na tribo! Cauã queria ser cacique! Mim acha que ele deveria ser...
Luana – Grande Matriarca disse que índio Yuri foi escolhido por Tupã, então tem que ser assim!
Yuri – Se Tupã escolheu índio, mim aceita e vai cuidar de tribo!
Luana – Yuri é tão... tão... - Olhos brilhando
Yuri – Tão o que, índia Luana? Mim não entende!
Luana – Nada não...


CENA 7 /PREFEITURA /EXTERIOR /DIA

Gregório está chegando. Emiliano está saindo.

Gregório – Ei, rapaz! Você sabe se o prefeito Lázaro está?
Emiliano – Está onde? Ah, sim! Haha. Não está. Ele está em casa. Sou filho dele. Vim da capital há pouco.

Gregório estende a mão.

Gregório – Ah sim, muito prazer, jovem! Sou Gregório.
Emiliano – Prazer, sou Cachorrinho!
Gregório – Como?
Emiliano – Digo, desculpe, sou Emiliano Cachorrinho.
Gregório – Ah sim! Hahaha


CENA 8 /MANSÃO FELISBERTO /QUARTO DE CAROLINA /INTERIOR /DIA

Carolina está no quarto, conversando com sua mãe Ana. Quando batem na porta. É Mariana trazendo um copo com suco pra cada uma.

Mariana – Com licença, dona Ana, dona Carolina...
Ana – Já disse que não precisa nos chamar de “dona”, chame apenas de Ana e de Carolina!
Mariana – Agora você é minha patroa. É questão de respeito.
Ana – Mesmo assim, Mariana! Antes de tudo, sou sua amiga e amiga de sua família!
Carolina – Deixe ela chamar de dona, mãe! Ela tem que saber quem manda!
Ana – (brava) Carolina!
Mariana – Deixa assim. Não me preocupo! Trouxe um copo de suco para vocês!
Ana – Ah, que bom! Com esse calor que anda fazendo, é bom mesmo!
Carolina – Eu não pedi nada!
Ana – Carolina, não seja igual a seu pai!
Carolina – Desculpa, mãe.
Mariana – Estive pensando, se a senhora permitir, claro... Nas minhas horas de folga, poderia levar Carolina pra dar um passeio, para conhecer a cidade...
Ana – Permito sim, Mariana! Vai ser bom pra Carolina passear um pouco...
Carolina – Alguém já perguntou se eu quero?


CENA 9 /MANSÃO FELISBERTO /SALA /INTERIOR /DIA

Evandro está saboreando um suco recém preparado por Mariana. Quando a campainha toca.

Evandro - (satisfeito) Ah, que beleza de suco, nesse calor que está fazendo! Quem será? Deixa-me ver.

Evandro abre a porta.

Evandro – Pois não?
Emiliano – Prazer, seu cachorrinho! Sou prefeito, filho do detetive!
Evandro – (assustado) O quê? Desculpe, mas não entendi.
Emiliano – Me perdoe! Sou um pouco atrapalhado. Sou filho do Lázaro, o prefeito da cidade. Prazer, sou cachorrinho!
Evandro – Ah sim, muito prazer, seu cachorrinho! - ri – É esse mesmo seu nome?
Emiliano – Me desculpe mais uma vez! Me chamo Emiliano Cachorrinho.
Evandro – Ah sim, entre... Em que posso ajudá-lo?

Ambos entram.

Evandro – Sente-se. Aceita um suco?

Emiliano vai sentar e quase cai sentado no chão.

Emiliano – Não, não! Muito obrigado.
Evandro – Pois bem, o que lhe traz até aqui?
Emiliano – As pernas! Haha. Desculpe!
Evandro – Gostei do seu senso de humor! - ri
Emiliano – Na verdade, soube que sua família chegou à cidade há pouco, e é uma família influente. Vim da capital também. Me formei como detetive. Então, como ainda não conheço muito bem a cidade, queria lhe apresentar meus serviços, caso o senhor esteja precisando, ou conheça alguém para me indicar...
Evandro – Sabe, rapaz? Você surgiu na hora exata! Eu mesmo estou precisando. Deixa eu lhe mostrar uma coisa aqui.

Evandro tira o bilhete que recebeu assim que chegou da viagem. Emiliano lê.

Emiliano – Interessante!
Evandro – Deixe eu lhe contar toda a história! Gostei de você, rapaz! Acho que poderá me ajudar! Está contratado.

Evandro conta a história de sua vida para o detetive Emiliano Cachorrinho.


CENA 10 /CASA CACHORRINHO /DIA

Gregório bate na porta, ninguém atende. Então, ele nota que a porta não está trancada. Ele entra.

Gregório – Com licença, senhor Lázaro? Dona Aurélia?

Ele vai entrando e encontra Lázaro ajoelhado, limpando o chão.

Gregório – (irônico) Hahaha Então é o senhor prefeito, a empregada da casa? Muito bom saber disso! Hahaha

Congela em Lázaro assustado com a chegada de Gregório.

FIM DO CAPÍTULO.

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