Cena
1/Centro de Pesquisa/Sala de Antonio/Interno/Dia
MARIETA: Eu
sabia que você ia aceitar. Estados Unidos que nos aguarde. E dona Yolanda
também.
ANTONIO:
Amor, agora estou precisando trabalhar.
MARIETA:
Claro. Não quero te atrapalhar mais. Estou indo comprar nossos passaportes.
(O celular
de Marieta toca)
MARIETA:
AlÔ? Oi Diana. Tudo bem?
(Pausa)
MARIETA: Se
nós duas podemos nos encontrar agora? Claro que sim.
(Pausa)
MARIETA: Sei
onde fica esse restaurante. Já estou a caminho. Beijos.
(Marieta
desliga o telefone e coloca no bolso)
ANTONIO: O
que ela queria?
MARIETA: Não
sei, mas estava desesperada.
Cena
2/Paisagens do Rio de Janeiro/Noite
Cena
3/Restaurante/Interno/Noite
(Marieta
chega e vê Diana sentada)
MARIETA: Oi,
amiga. Tudo bem?
DIANA: Tudo
péssimo.
MARIETA: Eu
percebi seu desespero pelo telefone. O que aconteceu?
DIANA: Tenho
até vergonha de falar, mas vim te pedir um empréstimo. Desde quando o Medeiros
foi assassinado, a minha vida, a vida da minha irmã e a vida da minha sobrinha
começaram a dar errado. Estamos devendo Deus e o mundo e agora não temos como
pagar as despesas. A Ceron está quase falindo. Tudo está dando errado.
MARIETA:
Nossa, que barra. Olha, eu vou te emprestar a quantia necessária para você
suprir todas essas dívidas. De quanto você precisa?
DIANA: Um
milhão de reais.
MARIETA:
Tudo isso?
DIANA: Eu
sei que é muito dinheiro, mas você é rica. Essa grana não vai fazer a menor
falta para você.
MARIETA: Não
tem problema. Eu te empresto esse valor.
(Marieta
preenche um cheque e entrega a Diana)
DIANA: Muito
obrigada, amiga. Nem sei como agradecer.
MARIETA: Nem
precisa.
(Escondida,
Diana liga o gravador)
DIANA: Você
deve adorar ser casada com o Antonio, principalmente financeiramente.
MARIETA: É
bom ser rica, né? Quem não gosta de morar em uma mansão, mandar nos empregados,
comprar todos os produtos de uma loja?
DIANA: É
verdade. Vou te confessar uma coisa. Nunca fui apaixonada de verdade pelo
Antonio. O que me interessava de fato era o dinheiro que ele tinha. Você nunca
fui movida por isso?
MARIETA:
Como assim?
DIANA: Não
vai me dizer que você não se casou com o Antonio por dinheiro?
MARIETA: Em
partes sim, mas eu amo o Antonio. Quer dizer, eu sinto uma coisinha por ele.
Uma coisinha do tamanho de uma formiga. Acho que nem é amor. Deve ser pena.
DIANA: Pena?
MARIETA: O
Antonio é muito grudento. Não gosto disso. Podemos dizer que o Antonio é aquele
cara chato que toda mulher queria ter.
DIANA: Então
você não gosta do Antonio, como diz gostar?
MARIETA: Só
estou te contando isso porque eu confio em você e já me deu provas suficientes
que não é capaz de me trair. Nunca gostei do Antonio.
DIANA:
Mentira. Sério? E porque você passou 22 anos ao lado de alguém que você não
gosta?
MARIETA: Não
dizem que a fé move montanhas? No meu caso, é o dinheiro. Tive e ainda tenho
que me sacrificar para ser rica. Agora te digo uma coisa. Se o Antonio fosse
pobre, ele seria o último homem da face da Terra que eu manteria alguma
relação.
DIANA:
Nossa, estou chocada. Fique tranquila. Minha boca é um túmulo.
MARIETA: Eu
confio em você. Bem, agora tenho que ir. Ainda tenho que passar em uma agência
de viagens para comprar passaportes para os EUA. Beijos, amiga.
DIANA:
Beijinhos. Obrigada pela generosidade.
(Marieta
sai. Diana tira o gravador da bolsa e aperta o Play)
Cena 4/Mansao
de Antonio/Sala/Interno/Noite
(A campainha
toca e Antonio atende)
ANTONIO:
Diana? Você não estava com a Marieta?
DIANA:
Estava sim. Mas agora, meu papo é com você. Preciso te mostrar uma coisa muito
importante.
Cena
5/Taxi/Interno/Noite
MARIETA: Já
está chovendo
TAXISTA: É
aqui sua casa?
MARIETA:
Sim. Quanto foi a corrida?
(Marieta vê
Diana sair de sua casa e estranha)
MARIETA: O
que a Diana veio fazer aqui?
Cena
6/Mansao de Antonio/Sala/Interno/Noite chuvosa
(Antonio
está em pé, furioso. Marieta entra em casa)
MARIETA: Boa
Noite, amor. Comprei os passaportes para a viagem. Amanhã mesmo já pod...
ANTONIO(interrompendo):
Cala a boca, sua vadia.
(Antonio dá
um tapa em Marieta)
FIM DO CAPITULO
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