terça-feira, 15 de maio de 2012

Capitulo 7 de Batalha do Éden



11 ANOS DEPOIS

RIO DE JANEIRO – 1981

CENA 01

Narrativa com imagens de todos os fatos que ocorreram:

            “Desde que Waleshka tomou conta da JAZIRA, a indústria de cosméticos brasileira tornou-se a mais requisitada do ramo mundial. Os lucros aumentaram em 90% e várias cedes foram construídas ao longo deste tempo. Hoje em dia, mudou-se para outro condomínio de luxo junto com Hermélia, o famoso “Jardins do Éden”.
            Waleshka tem vários advogados, mas tem uma “intimidade” muito grande com um: é o famoso ROBERTO GIL, que, além de advogado, é consultor financeiro da empresa.”

CORTA PARA:

CENA 02 / EXTERIOR / JAZIRA / DIA

Uma limusine preta chega na porta da empresa. Os empregados se alinham um ao lado do outro em duas fileiras diferentes. Waleshka sai do carro toda arrumada e desfila até a porta da empresa. Quando chega na porta, Roberto lhe estende o braço. Os dois sobem a escada juntos.

NO SEGUNDO ANDAR,

WALESHKA – Escravos, quero que produzam o triplo dos batons marrom-choque hoje, e AGORA!

ROBERTO – Isso mesmo, façam!

NO TÉRREO,

Após ver que os patrões foram embora, Lucília, uma das empregadas da empresa, olha bem pro retrato de Leôncio, estampado na parede rente à escada:

LUCÍLIA – Te aguarda, mulher... Te aguarda...

CORTA PARA:

CENA 03 / EXTERIOR / ILHA DAS MARAVILHAS / FEIRA / DIA

Jussara está vendendo pastel na feira junto com Sandra.

JUSSARA/LISANDRA – Olha o pastel, quentinho! Só tem aqui, na “Barraca da Lisandra”!
SANDRA – Ai, minha filha... Eu te olho assim... Já estás uma moça!
JUSSARA/LISANDRA – É, né, mãe... Já tenho 20 anos de idade!
SANDRA – Sabes que quando tu nasceste, era um pingo de gente!
JUSSARA/LISANDRA – Devo imaginar...

As duas riem. É quando Sandra avista Eclésio do outro lado da feira, com uma caixa cheia de pescados.

SANDRA – Vou ali falar com o seu pai num instante.
Sandra vai até ao encontro de Eclésio e Jussara/Lisandra continua a vender seus pasteis.

NA OUTRA CALÇADA,

SANDRA – O que tu queres, homem?
ECLÉSIO – Quero saber até quando tu vais sustentar essa mentira de que Jussara é nossa filha!
SANDRA – Fale baixo, Eclésio! E o nome dela não é Jussara: é LI-SAN-DRA!
ECLÉSIO – Tu estás aproveitando da perda de memória que a menina teve quando utilizastes o      “branquinho” naquela tarde!
SANDRA – Não podia contar a verdade para ela. Seria muito doloroso para uma menina de 9 anos   descobrir que perdeu o pai e foi dada como morta em um naufrágio! É mais fácil para todos          que ela acredite que é nossa filha.
ECLÉSIO – Mas ela tem direito a uma fortuna, mulher! Pode muito bem sair deste fim de mundo e ser         alguém na vida!
SANDRA – Dinheiro não é tudo na vida, meu bem... E assunto encerrado! Além do mais, eu tenho uma        dívida com o pai dessa menina enorme.
ECLÉSIO – O meu sonho é saber que dívida é essa.

Entra narrativa:

            “O nosso também, Eclésio”.

CORTA PARA:

CENA 04 / EXTERIOR / SUÍÇA / TARDE

Terezinha está andando com Karl de bicicleta pelas ruas da Suíça. Está nevando levemente enquanto a brisa corre pelo seu doce rosto.

TEREZINHA – Estou tão feliz por estarmos juntos, meu amor!
KARL – Eu também. Quando vamos para o Brasil?
TEREZINHA – Assim que eu terminar a faculdade de moda.
KARL – Ótimo. Mal posso esperar para ver aquele Paraíso chamado “Rio de Janeiro”.
TEREZINHA – (em off) E eu mal posso esperar pra meter a mão na tua grana, otário.

Eles se aproximam de um sinal e descem de suas respectivas bicicletas. Uma borboleta azul passa entre eles.

TEREZINHA – Olha, Karlzinho: uma borboleta azul!

A borboleta passa e Karl fica olhando. Enquanto ele admira o animal, Terezinha corta o freio da bicicleta do namorado.

TEREZINHA – O sinal fechou, Karl. Anda logo com essa bicicleta!
KARL – Calma, amor.

Na verdade o sinal não havia fechado. Por confiar na namorada, Karl se joga na rua e é atropelado por um caminhão. Terezinha se faz de desesperada e liga para o hospital. A ambulância chega e ela vai para o hospital.

CENA 05 / INTERIOR / MANSÃO / SALA / DIA

Hermélia está dando uma festa gay para um monte de gente. No meio da sala de estar, há um mastro de ferro com lantejoulas rosa-choque brilhando por toda a casa. Hermélia está dançando de calcinha transparente no poste e sendo aclamada por todos.

HERMÉLIA – Abaixo à ditadura, viva às passivas!
CONVIDADO 1 – E aos ativos também!

Todos ovacionam Hermélia. É quando o capitão Endolino entra na mansão com uma tropa de soldados.

ENDOLINO – Perdeu, playfeia!

CORTA PARA:

CENA 06 / EXTERIOR / ILHA DAS MARAVILHAS / DIA

O serviço está cheio na barraca. Várias pessoas indo e vindo para comprar os pasteis de Jussara/Lisandra e Sandra.

SANDRA – Filha, vai lá em casa e pega umas duas sacolas de massa de pastel, por favor?
JUSSARA/LISANDRA – Ok, mãe.

Assim que sai da barraca, um homem segue a moça aonde ela vai.

NO PORTÃO DE CASA,

O lugar está deserto. Só há Jussara/Lisandra ali. É quando o homem dá uma gravata na vendedora de pasteis e a ameaça com uma faca.

HOMEM – Quietinha, senão morre!

FIM DO CAPÍTULO

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