11 ANOS DEPOIS
RIO DE JANEIRO – 1981
CENA 01
Narrativa
com imagens de todos os fatos que ocorreram:
“Desde que Waleshka tomou conta da JAZIRA, a indústria de
cosméticos brasileira tornou-se a mais requisitada do ramo mundial. Os lucros
aumentaram em 90% e várias cedes foram construídas ao longo deste tempo. Hoje
em dia, mudou-se para outro condomínio de luxo junto com Hermélia, o famoso “Jardins
do Éden”.
Waleshka tem vários advogados, mas tem uma “intimidade” muito
grande com um: é o famoso ROBERTO GIL, que, além de advogado, é consultor
financeiro da empresa.”
CORTA
PARA:
CENA 02 / EXTERIOR / JAZIRA
/ DIA
Uma
limusine preta chega na porta da empresa. Os empregados se alinham um ao lado
do outro em duas fileiras diferentes. Waleshka sai do carro toda arrumada e desfila
até a porta da empresa. Quando chega na porta, Roberto lhe estende o braço. Os
dois sobem a escada juntos.
NO
SEGUNDO ANDAR,
WALESHKA
– Escravos, quero que produzam o triplo dos batons marrom-choque hoje, e AGORA!
ROBERTO
– Isso mesmo, façam!
NO
TÉRREO,
Após
ver que os patrões foram embora, Lucília, uma das empregadas da empresa, olha
bem pro retrato de Leôncio, estampado na parede rente à escada:
LUCÍLIA
– Te aguarda, mulher... Te aguarda...
CORTA
PARA:
CENA 03 / EXTERIOR / ILHA
DAS MARAVILHAS / FEIRA / DIA
Jussara
está vendendo pastel na feira junto com Sandra.
JUSSARA/LISANDRA
– Olha o pastel, quentinho! Só tem aqui, na “Barraca da Lisandra”!
SANDRA
– Ai, minha filha... Eu te olho assim... Já estás uma moça!
JUSSARA/LISANDRA
– É, né, mãe... Já tenho 20 anos de idade!
SANDRA
– Sabes que quando tu nasceste, era um pingo de gente!
JUSSARA/LISANDRA
– Devo imaginar...
As
duas riem. É quando Sandra avista Eclésio do outro lado da feira, com uma caixa
cheia de pescados.
SANDRA
– Vou ali falar com o seu pai num instante.
Sandra
vai até ao encontro de Eclésio e Jussara/Lisandra continua a vender seus
pasteis.
NA
OUTRA CALÇADA,
SANDRA
– O que tu queres, homem?
ECLÉSIO
– Quero saber até quando tu vais sustentar essa mentira de que Jussara é nossa
filha!
SANDRA
– Fale baixo, Eclésio! E o nome dela não é Jussara: é LI-SAN-DRA!
ECLÉSIO
– Tu estás aproveitando da perda de memória que a menina teve quando
utilizastes o “branquinho” naquela
tarde!
SANDRA
– Não podia contar a verdade para ela. Seria muito doloroso para uma menina de
9 anos descobrir que perdeu o pai e foi
dada como morta em um naufrágio! É mais fácil para todos que ela acredite que é nossa filha.
ECLÉSIO
– Mas ela tem direito a uma fortuna, mulher! Pode muito bem sair deste fim de
mundo e ser alguém na vida!
SANDRA
– Dinheiro não é tudo na vida, meu bem... E assunto encerrado! Além do mais, eu
tenho uma dívida com o pai dessa
menina enorme.
ECLÉSIO
– O meu sonho é saber que dívida é essa.
Entra
narrativa:
“O nosso também, Eclésio”.
CORTA
PARA:
CENA 04 / EXTERIOR / SUÍÇA
/ TARDE
Terezinha
está andando com Karl de bicicleta pelas ruas da Suíça. Está nevando levemente
enquanto a brisa corre pelo seu doce rosto.
TEREZINHA
– Estou tão feliz por estarmos juntos, meu amor!
KARL
– Eu também. Quando vamos para o Brasil?
TEREZINHA
– Assim que eu terminar a faculdade de moda.
KARL
– Ótimo. Mal posso esperar para ver aquele Paraíso chamado “Rio de Janeiro”.
TEREZINHA
– (em off) E eu mal posso esperar pra meter a mão na tua grana, otário.
Eles
se aproximam de um sinal e descem de suas respectivas bicicletas. Uma borboleta
azul passa entre eles.
TEREZINHA
– Olha, Karlzinho: uma borboleta azul!
A
borboleta passa e Karl fica olhando. Enquanto ele admira o animal, Terezinha
corta o freio da bicicleta do namorado.
TEREZINHA
– O sinal fechou, Karl. Anda logo com essa bicicleta!
KARL
– Calma, amor.
Na
verdade o sinal não havia fechado. Por confiar na namorada, Karl se joga na rua
e é atropelado por um caminhão. Terezinha se faz de desesperada e liga para o
hospital. A ambulância chega e ela vai para o hospital.
CENA 05 / INTERIOR / MANSÃO
/ SALA / DIA
Hermélia
está dando uma festa gay para um monte de gente. No meio da sala de estar, há
um mastro de ferro com lantejoulas rosa-choque brilhando por toda a casa.
Hermélia está dançando de calcinha transparente no poste e sendo aclamada por
todos.
HERMÉLIA
– Abaixo à ditadura, viva às passivas!
CONVIDADO
1 – E aos ativos também!
Todos
ovacionam Hermélia. É quando o capitão Endolino entra na mansão com uma tropa
de soldados.
ENDOLINO
– Perdeu, playfeia!
CORTA
PARA:
CENA 06 / EXTERIOR / ILHA
DAS MARAVILHAS / DIA
O
serviço está cheio na barraca. Várias pessoas indo e vindo para comprar os
pasteis de Jussara/Lisandra e Sandra.
SANDRA
– Filha, vai lá em casa e pega umas duas sacolas de massa de pastel, por favor?
JUSSARA/LISANDRA
– Ok, mãe.
Assim
que sai da barraca, um homem segue a moça aonde ela vai.
NO
PORTÃO DE CASA,
O
lugar está deserto. Só há Jussara/Lisandra ali. É quando o homem dá uma gravata
na vendedora de pasteis e a ameaça com uma faca.
HOMEM
– Quietinha, senão morre!
FIM
DO CAPÍTULO
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